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    Mesmo sendo o país com a maior biodiversidade do mundo tanto na fauna como na flora, o Brasil não consegue aproveitar economicamente – de maneira sustentável – a variedade de seus biomas.

    De olho neste potencial, o Instituto de Engenharia lançou um estudo inédito no Brasil que aponta tudo o que precisa ser feito de imediato para que o país alavanque uma onda de desenvolvimento econômico a partir de sua riqueza natural.

    "O Brasil não se colocou como potência econômica em nenhuma das revoluções industriais que aconteceram ao longo da história. A gente está vivendo uma nova revolução, que é a nova bioeconomia, e o Brasil tem uma grande oportunidade", afirma George Paulus, professor, engenheiro e coordenador do estudo do Instituto de Engenharia, em entrevista à Sputnik Brasil nesta sexta-feira (23).

    O especialista explica que a bioeconomia é uma nova forma de produzir e consumir, que preza pela responsabilidade ambiental e por uma forma ampla de produção de recursos biológicos. Um dos principais pilares da bioeconomia é a redução do uso de combustíveis fósseis – ou descarbonização – da economia. Este é, inclusive, um dos focos dos debates da Cúpula do Clima desta semana.

    "A bioeconomia traz o conceito de circularidade, um modelo econômico que substitui o conceito de fim de vida de um produto. Em vez da economia linear, em que ao fim da vida do produto precisa de alguma forma descartar ou reciclar o produto, a ideia é que a necessidade do uso de materiais diminua", explica Paulus.
    Indígenas yanomami caminham na aldeia Novo Demini, em Barcelos (AM)
    © Folhapress / Odair Leal
    Indígenas yanomami caminham na aldeia Novo Demini, em Barcelos (AM)

    6 propostas para o avanço da bioeconomia

    O estudo do qual George Paulus é um dos coordenadores traça seis pontos para o Brasil começar a trilhar rumo ao desenvolvimento na bioeconomia. Um deles explica que é preciso considerar a formação de capital humano na Amazônia, destacando que esta é a região do Brasil onde a população mais cresce. Outro ponto para o qual a pesquisa quer colaborar é a formação de uma rede de pesquisa articulada que permita uma maior troca de informação entre pesquisadores e empreendedores que estão inovando na bioeconomia.

    Outros dois pontos dizem respeito à necessidade do fomento da educação: é preciso fortalecer instituições de ensino e pesquisa e, consequentemente, suplementar os sistemas de tecnologia e inovação voltados para os novos negócios de bioeconomia.

    "Existe uma lacuna de investimento não só do governo mas principalmente das empresas. As empresas brasileiras ainda não perceberam a importância da inovação para a rentabilidade dos seus negócios", diz Paulus.

    Por fim, os dois últimos pontos são a necessidade de uma estrutura de governança para, enfim, definir uma estratégia para solidificar a base do desenvolvimento sustentável da bieconomia brasileira. Alinhar vetores e interesses público e privado é fundamental para, nas palavras do engenheiro, "colocar o país para surfar a onda da bioeconomia".

    "O Brasil precisa definir uma estratégia para a bioeconomia, e isso tem que ser desdobrado por toda a estrutura de governo e pelas empresas no país. A gente precisa definir qual vai ser o papel do Brasil na bioeconomia. […] Para isso, o Brasil precisa definir o que quer ser quando crescer", diz Paulus.
    Amazônia: barcos na confluência dos rios Tapajós e Amazonas, em porto de Santarém, no Pará
    © AP Photo / Leo Correa
    Amazônia: barcos na confluência dos rios Tapajós e Amazonas, em porto de Santarém, no Pará

    Os desafios para a bioeconomia no Brasil

    Apesar dos seis fatores elencados, o grupo de pesquisa reconhece que há uma grande lista de desafios a ser superada. O engenheiro aponta três deles como os principais. O primeiro é o desmatamento. Números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que o desmatamento da Amazônia apresentou uma alta de 9,5% no último ano. Segundo o Observatório do Clima, levando-se em conta a média dos dez anos anteriores à posse de Jair Bolsonaro, o desmatamento cresceu 70%. Sem proteger a própria biodiversidade, não há como prosperar no desenvolvimento sustentável bioeconômico.

    O segundo deles é a delimitação de um foco, fazendo convergir os interesses das lideranças de vários setores da força motriz do país, como a economia, o meio ambiente e a política. Por último, Paulus pede por uma mudança de mentalidade no mercado brasileiro, que permita revolucionar o ambiente de competição no Brasil. Esta, segundo ele, é uma necessidade que vai além da bioeconomia.

    "Que o empresário esteja mais preocupado em inovar em seus produtos, em competir globalmente, e menos preocupado com os problemas que a gente tem, de insegurança, impostos, corrupção, desgovernança, incerteza jurídica... A gente precisa de um ambiente propício ao empreendedorismo", finaliza o engenheiro.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Amazônia, meio ambiente, economia, Brasil, estudo, engenharia, Floresta Amazônica, desenvolvimento sustentável
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