21:26 05 Agosto 2021
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    O presidente Jair Bolsonaro adotou um tom conciliador em seu discurso na Cúpula do Clima nesta quinta-feira (22), prometendo eliminar o desmatamento ilegal no Brasil até 2030. Ambientalista ouvida pela Sputnik Brasil afirmou que promessas do presidente foram vazias.

    O presidente dos EUA, Joe Biden, convidou seu colega brasileiro Jair Bolsonaro a se juntar a outros líderes mundiais, entre os quais Vladimir Putin e Xi Jinping, na cúpula do clima nesta quinta-feira (22). No total, 40 chefes de Estado e de governo participaram do evento de forma virtual.

    Em seu discurso, o presidente Jair Bolsonaro prometeu reduzir em "quase 50%" as emissões de gases estufa até 2030, estabelecendo também nova previsão para zerar as emissões até 2050. A nova meta antecipa em dez anos a sinalização anterior.

    A ambientalista e ativista do movimento Fridays for Future (também conhecido como Juventude pelo Clima), Renata Padilha, em entrevista à Sputnik Brasil, afirmou que as promessas feitas por Bolsonaro não convenceram a comunidade internacional sobre as intenções do governo brasileiro.

    "Nós sabíamos que poderíamos contar com promessas vazias e fake news. E foi isso que ele nos deu", disse a ambientalista Renata Padilha.

    Ao comentar a parte do discurso de Bolsonaro em que ele promente fortalecer os órgãos ambientais, a ativista lembrou que importantes institutos para a preservação das florestas brasileiras, citando o ICMBio como exemplo, vêm sendo sucateados desde que o atual governo assumiu o poder.

    "Além disso, ele [Bolsonaro] fala sobre acabar com desmatamento ilegal, enquanto, na verdade, o que vem acontecendo é que mês após mês o desmatamento ilegal vem aumentando e, inclusive, com diversos desmontes de leis ambientais para a preservação de nossas florestas", afirmou a ambientalista.

    Ao comentar se a imagem do presidente Jair Bolsonaro muda diante da comunidade internacional após a participação da Cúpula do Clima, Renata Padilha foi categórica: "Nem um pouco".

    O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, participam da Cúpula do Clima virtual por meio de um link de vídeo em Brasília, Brasil, em 22 de abril de 2021.
    © REUTERS / MARCOS CORREA/Presidência do Brasil
    O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, participam da Cúpula do Clima virtual por meio de um link de vídeo em Brasília, Brasil, em 22 de abril de 2021

    De acordo com ela, Bolsonaro só conseguiria ter chance de convencer as lideranças políticas internacionais sobre o seu compromisso se fosse implementada uma "ruptura clara e visível" no programa político ambiental do presidente, o que, para Padilha, não está no horizonte do governo.

    "As promessas de reduzir as emissões de fases de efeito estufa e de acabar com o desmatamento ilegal foram promessas vazias. Novamente o presidente do Brasil chega em uma reunião internacional com mentiras e promessas vazias, o que já é esperado, infelizmente, pela comunidade internacional", afirmou.

    "Hoje a imagem de Jair Bolsonaro mudou um pouco com o seu discurso, mas mudou para pior, porque antes a gente tinha alguns líderes que tinham alguma certa desconfiança em fazer alguns acordos e fazer alguns investimesno, eu acho que esse outros 39 líderes que estavam na Cúpula do Clima puderam ter certeza de que Bolsonaro não é confiável", completou Renata Padilha.

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    Tags:
    clima, Conferência do Clima, Conferência sobre o Clima, Brasil, Jair Bolsonaro, meio ambiente, ambientalistas
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