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    Brasil afronta COVID-19 no fim de abril de 2021 (62)
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    Na terça-feira (20), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso emergencial de um coquetel de medicamentos contra a COVID-19. Para comentar o assunto, a Sputnik Brasil ouviu o médico infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI).

    O coquetel autorizado pela Anvisa combina os medicamentos casirivimabe e imdevimabe (Regn-CoV2), dois remédios experimentais desenvolvidos pelas farmacêuticas Roche e Regeneron. Além desses fármacos, a Anvisa já havia aprovado anteriormente o uso do Remdesivir.

    A autorização emergencial vem em meio ao pior momento da pandemia no Brasil, com 381.687 mortes acumuladas e média diária de óbitos próxima de três mil, conforme dados do consórcio dos veículos de imprensa.

    Renato Kfouri, médico infectologista, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI), ressalta que o coquetel aprovado pela Anvisa não é um preventivo para a doença e será usado em casos específicos.

    "Esse novo coquetel de anticorpos, na verdade, precisa ficar claro que ele não é coquetel preventivo, não é uma vacina, é para usar em indivíduos já infectados. Uma vez que você fez o diagnóstico de COVID-19 em indivíduos que têm risco para evoluírem mal – obesos, cardiopatas, muito idosos – então, você pode utilizar como preventivo para a evolução de formas graves", explica o infectologista em entrevista à Sputnik Brasil.

    O médico salienta que o coquetel aprovado funciona como "um modulador da resposta imunológica" para prevenir que a doença se agrave, sendo que seu uso será controlado, uma vez que é aplicado via injeção.

    "Não deve ser aplicado ambulatoriamente, por alguém que esteja em casa. Não é de uso, vamos dizer, comercial doméstico, é um uso sempre hospitalar. Então, não há grandes restrições, contradições, mas é bom lembrar que não se vende em farmácia, não se comercializa ele para uso. É realmente de uso hospitalar", expõe o diretor da SBI.
    Hospital de campanha Pedro Dell'Antonia, em Santo André, no Brasil, lotado de pacientes com COVID-19 (7 de abril de 2021)
    © REUTERS / Amanda Perobelli
    Hospital de campanha Pedro Dell'Antonia, em Santo André, no Brasil, lotado de pacientes com COVID-19 (7 de abril de 2021)

    Um dos entraves para o uso do coquetel é justamente o preço, que pode chegar a milhares de reais. Dessa forma, a ideia de vender o medicamento diminui ainda mais, uma vez que o alto valor restringe a capacidade de compra. Kfouri acredita, porém, que o valor do produto impede seu uso em larga escala no Brasil mesmo no sistema público.

    "A inclusão desse tipo de medicamento - ou de outros no SUS para tratamento da COVID-19 - formal pelo Ministério da Saúde, depende de uma avaliação de custo e benefício. É um produto extremamente caro, que eu tenho dúvidas se será uma prioridade para o nosso sistema de saúde, tão carente ainda de coisas mais básicas, como oxigênio, como respiradores, como recursos humanos adequados", aponta.

    Kfouri também ressalta que a vacinação no Brasil continua sendo a ferramenta mais importante para o combate contra a COVID-19. No acumulado, o país já vacinou 27.523.231 com pelo menos uma dose de vacina contra a doença.

    "A campanha de vacinação deve seguir independente das opções terapêuticas que se apresentem. Esta é só mais uma opção terapêutica. Eu acredito que ela não traz maiores benefícios no curto prazo de tempo, mas a vacinação, a imunização contra a COVID-19, tem sido nossa principal ferramenta", conclui.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Brasil afronta COVID-19 no fim de abril de 2021 (62)

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    Tags:
    COVID-19, Brasil, SUS, Anvisa
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