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    Situação da COVID-19 em meados de abril no Brasil (74)
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    Muitos brasileiros que já receberam a primeira dose da vacina contra a COVID-19 estão deixando de comparecer para a segunda aplicação. "Vão precisar novamente das duas doses se passar muito tempo", avisa especialista.

    O único imunizante de apenas uma dose aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) até o momento é o da Johnson & Johnson, mas a vacina ainda nem chegou ao Brasil. Apesar disso, muitos brasileiros que tomaram a primeira injeção estão deixando de comparecer ao posto de saúde novamente para receber a segunda dose contra a COVID-19.

    O Ministério da Saúde anunciou, na última terça-feira (13), que 1,5 milhão de pessoas estão nesta situação, o que coloca em risco a eficácia do próprio processo de vacinação.

    O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) recomendou que sete municípios encontrem as pessoas que deixaram de tomar a segunda dose para conscientizá-las da necessidade da segunda aplicação. As cidades envolvidas neste caso são São Gonçalo, Niterói, Maricá, Rio Bonito, Silva Jardim, Tanguá e Itaboraí.

    Do total de pessoas do país que já deveriam ter tomado a segunda injeção, 143.015 seriam moradores do estado do Rio de Janeiro.

    Trabalhadores da Saúde preparam doses da vacina CoronaVac durante a vacinação para pessoas de 71 anos ou mais no Rio de Janeiro, no Brasil, no dia 31 de março de 2021
    © REUTERS / Ricardo Moraes
    Trabalhadores da Saúde preparam doses da vacina CoronaVac durante a vacinação para pessoas de 71 anos ou mais no Rio de Janeiro, no Brasil, no dia 31 de março de 2021

    O Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) informou, nesta quinta-feira (15), que o número real divulgado pelo ministério é menor, porque muitos municípios estariam atrasando a inserção de dados no sistema do governo federal.

    Ainda assim, a situação já preocupa autoridades de Saúde do país.

    Segundo o médico Alexandre Chieppe, sanitarista da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, tomar apenas uma dose, além de não promover a proteção necessária contra a doença, ocasionará o desperdício da primeira vacina aplicada.

    "Uma vez que a pessoa retome a vacinação, vai precisar novamente das duas doses caso passe muito do tempo que deveria tomar a segunda dose", explicou o especialista em entrevista à Sputnik Brasil.

    Chieppe ressalta que o país enfrenta um grande desafio de imunizar a população para "garantir uma relativa volta à normalidade".

    As duas vacinas únicas que estão sendo utilizadas no Brasil atualmente possuem intervalos distintos de aplicação entre as doses.

    Enquanto a segunda dose da CoronaVac deve ser aplicada em até 28 dias, o imunizante da Oxford/AstraZeneca precisa de um intervalo de três meses entre as injeções.

    "É fundamental tanto para otimizar os recursos necessários, como para garantir a saúde das pessoas e a imunidade contra o novo coronavírus, que todas aquelas pessoas se atentem para a necessidade de tomar as duas doses da vacina", alertou o sanitarista.

    Falsa sensação de segurança

    A CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan e desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, tem uma eficácia geral de 50,38%. Contra graves, a taxa sobe para 100%.

    Idosa de 68 anos recebe a primeira dose da CoronaVac em Ribeirão Preto (SP), no dia 2 de abril de 2021
    Idosa de 68 anos recebe a primeira dose da CoronaVac em Ribeirão Preto (SP), no dia 2 de abril de 2021

    Já a vacina da Oxford/AstraZeneca, produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade de Oxford, possui eficácia de 82,4% após a aplicação das duas doses. O imunizante também previne em 100% contra casos graves.

    Mas estes números valem apenas para aqueles que tomarem as duas doses.

    "Só assim há uma ativação suficiente do nosso sistema imunológico para produzir as defesas necessárias, e não somente contra a infecção, mas principalmente nos protegendo contra as formas graves da COVID-19", afirmou Chieppe.

    O especialista explica que a principal razão para, eventualmente, as pessoas não tomarem a segunda dose é a falsa sensação de que estariam protegidas com a primeira.

    "É um erro. As pessoas precisam se conscientizar de que a não aplicação da segunda dose ou implica em uma proteção inadequada ou a necessidade de repetir e reiniciar todo o esquema de vacinação. É um apelo para que as pessoas se sensibilizem sobre a necessidade de voltar ao posto de vacinação em que recebeu a primeira dose e fique protegido contra a infecção", disse o sanitarista da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro.
    Servidor público manipula dose de vacina da Oxford/AstraZeneca contra COVID-19, em Brasília, 23 de janeiro de 2021
    © Foto / Agência Brasil / Tomaz Silva
    Servidor público manipula dose de vacina da Oxford/AstraZeneca contra COVID-19, em Brasília, 23 de janeiro de 2021

    O especialista ainda pede que, mesmo após as duas doses, as pessoas mantenham as medidas de precaução, com uso de máscara e distanciamento social, durante esta fase aguda da doença, com o número de novos casos e mortes em alta.

    "O fato de a gente estar vacinado, mesmo com as duas doses, não nos impede completamente de adquirir a infecção por coronavírus. Protege, em grande medida de casos graves, mas o vírus continua circulando. Para não ser um vetor desse vírus, as medidas de precaução precisam ser mantidas até que o processo de vacinação avance muito no Brasil, o que deve acontecer certamente no segundo semestre", afirmou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Universidade de Oxford, Vacina CoronaVac, vacinação, vacina, Brasil, pandemia, novo coronavírus, COVID-19
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