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    O Instituto Butantan divulgou um estudo clínico neste domingo (11) que mostra que a vacina CoronaVac possui uma eficácia maior se o intervalo entre as duas doses for superior a 21 dias.

    O estudo avaliou 12.396 voluntários, em 16 centros de pesquisa no Brasil, entre os dias 21 de julho e 16 de dezembro de 2020. Todos os participantes receberam ao menos uma dose da vacina ou placebo.

    Para o médico epidemiologista Guilherme Werneck, professor do Instituto de Medicina Social da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), o método inicial de ter um intervalo menor entre as doses servia para acelerar o processo de aprovação da vacina.

    "A ideia de um intervalo de 21 a 28 dias já era considerado como aquele que seria o mais apropriado, mas o que acontece é que durante os estudos de fase 3 muitas vezes a gente tem que testar intervalos menores para que os resultados possam ser obtidos com maior rapidez", explicou à Sputnik Brasil.

    Segundo Werneck, os intervalos são estabelecidos de acordo com os testes a que as vacinas foram submetidas e a tecnologia utilizada no desenvolvimento dos imunizantes.

    "A CoronaVac foi avaliada inicialmente para esse intervalo de 14 a 28 dias. Enquanto a AstraZeneca foi avaliada para intervalos maiores. Isso tem a ver com vários aspectos das próprias diferenças entre essas vacinas. A vacina da CoronaVac é uma vacina feita com vírus inativado, enquanto o imunizante da AstraZeneca é de vetor viral. Plataformas diferentes também precisam de esquemas de vacinação um pouco diferentes", afirmou.

    O artigo do Instituto Butantan foi enviado para a revista científica The Lancet neste domingo (11), uma das principais publicações científicas do mundo. O estudo ainda está na chamada fase pré-print, quando ainda não possui revisão por pares.

    Doses da vacina CoronaVac, em Porto Alegre, no dia 1º de fevereiro de 2021
    © Foto / Itamar Aguiar/Palácio Piratini
    Doses da vacina CoronaVac, em Porto Alegre, no dia 1º de fevereiro de 2021

    Os novos dados coletados apontam que a eficácia da CoronaVac sobe para 62,3% se a segunda dose for dada após 21 dias. Inicialmente, o Instituto Butantan trabalhava com informações que apontavam que a eficácia da CoronaVac era de 50,7%.

    Guilherme Werneck disse que os dados são claros e o intervalo de aplicação de doses da CoronaVac deveria que ser alterado.

    "Com a liberação dos resultados da fase 3 da CoronaVac bem detalhados fica claro que o ideal é que se aguarde de três a quatro semanas para tomar a segunda dose da vacina. [...] Dessa maneira, a segunda dose poderá ter um efeito mais apropriado e fornecer uma imunidade mais adequada", declarou.

    ​Os resultados do estudo também mostram que, para os casos que requerem assistência médica, a eficácia da vacina variou entre 83,7% e 100%, quando as informações preliminares indicavam entre 78% e 100%.

    "Essas vacinas não protegem totalmente contra a infecção, elas protegem contra as formas sintomáticas e graves da COVID-19, mas elas não são um passaporte completo para a sua proteção. Elas reduzem a sua chance de desenvolver formas graves", comentou o epidemiologista.

    O artigo ainda aponta que a CoronaVac, por se tratar de uma vacina feita a partir do vírus inativado, é eficaz na proteção contra todas as variantes conhecidas do SARS-CoV-2.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Situação da COVID-19 em meados de abril no Brasil (74)

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    pandemia, Instituto Butantan, imunizante, imunização, Vacina CoronaVac, vacinação, vacina, Brasil, COVID-19
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