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    COVID-19 no Brasil no início de abril de 2021 (87)
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    Após um recesso sanitário de dez dias em São Paulo e Rio de Janeiro, novas restrições são esperadas para reduzir o avanço da pandemia no país. Para discutir o impacto das restrições, a Sputnik Brasil ouviu o economista Ricardo Summa, professor da UFRJ, que vê a economia em queda de forma geral.

    Entre os dias 26 de março e 4 de abril deste ano, os dois maiores centros urbanos do país, São Paulo e Rio de Janeiro, passaram por um recesso sanitário, possibilitado pela antecipação de feriados. Ao longo do período, as medidas de restrição social já em voga foram endurecidas, incluindo em relação ao comércio, o que gerou apreensão sobre os impactos econômicos da medida.

    Ao mesmo tempo, a pandemia piorou significativamente em todo o país, com recordes de mortes diárias e o colapso hospitalar. Apenas nesta terça-feira (6), foram 4.211 mortes registradas por COVID-19 no Brasil, que já acumula mais de 337 mil óbitos causados pela doença.

    Para o economista Ricardo Summa, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), os dados disponíveis mostram que os recessos sanitários localizados não devem ter um impacto econômico significativo sobre a tendência de queda que já vinha sendo observada.

    "A própria economia já tinha sinais de que já estava desacelerando e até mesmo caindo, a produção industrial, o consumo, até por um efeito do fim do auxílio [emergencial], da inflação mais alta, do desemprego ainda alto. Com tudo isso eu diria que seria difícil isolar esse efeito [do feriado]. Eu diria que os outros efeitos seriam mais importantes do que o feriado em si", avalia o economista em entrevista à Sputnik Brasil.

    O pesquisador da UFRJ explica que o novo auxílio emergencial, cujo valor médio é de R$ 250,00, terá um impacto econômico menor que o do ano passado, devido à redução da abrangência e do valor. Apesar disso, aponta que haverá efeitos tanto macroeconômicos quanto sociais, causados pela retomada da medida.

    "Na verdade, nem deveria ter parado o auxílio, porque a situação ainda está muito ruim, tanto macroeconômica quanto social. Então, é bom que tenha voltado, mas é possível que seja bem menor o impacto do que foi no ano passado", avalia.

    O economista recorda que o impacto do auxílio na atividade econômica em 2020 foi "muito forte" e ajudou a conter a queda do PIB do Brasil, cujo recuo de 4,1% foi menor que o de países importantes da América Latina.

    "O Brasil foi um dos países em que menos caiu o PIB quando você pega o ano inteiro. Então não há dúvida, eu diria, que o maior responsável por isso foi o auxílio", aponta.

    Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), por exemplo, Argentina e México viram suas economias encolherem 10% e 8%, respectivamente. Mesmo economias maiores, como a da França e do Reino Unido, também tiveram resultados piores que o do Brasil, com quedas de 8,2% e 9,9%, respectivamente.

    Economia deve crescer em 2021, mas cenário não é positivo

    A situação econômica no Brasil continua difícil. Além do aumento da inflação em produtos básicos, que alcançou 15%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país também convive com uma taxa de desemprego próxima de 14%.

    Segundo o economista Ricardo Summa, a expectativa é de que o PIB no Brasil apresente crescimento em 2021, mas isso não quer dizer que as coisas estarão bem. Ele explica que a economia deve seguir "patinando" e é possível que haja uma queda na atividade econômica nos dois primeiros trimestres. Apesar disso, a queda não deve ser tão forte quanto a do ano passado.

    "Teve uma parada muito forte da economia, até porque ninguém sabia muito bem o que estava acontecendo [...]. Mesmo que a um ritmo menor, é difícil ter aquela parada como foi ali em abril, maio [de 2020], foi muito abrupto no mundo inteiro [...]. A não ser que haja um desastre muito grande no segundo semestre, é muito provável que tenha um crescimento", aponta o economista, lembrando que as estimativas giram em torno de 3,2% de avanço da economia, como mostra o mais recente boletim Focus do Banco Central brasileiro.

    ​Apesar de acreditar que o país deve ter crescimento ao final de 2021, o economista condiciona a melhora a uma recuperação no terceiro e no quarto trimestre, que dependerá do avanço da vacinação e do controle da pandemia. Summa aponta também que o desemprego no país pode aumentar ainda mais.

    Cliente perto de prateleiras cobertas de plástico para ocultar produtos não essenciais proibidos para venda em supermercado devido às restrições da COVID-19, Porto Alegre, Brasil, 9 de março de 2021
    © REUTERS / Diego Vara
    Cliente perto de prateleiras cobertas de plástico para ocultar produtos não essenciais proibidos para venda em supermercado devido às restrições da COVID-19, Porto Alegre, Brasil, 9 de março de 2021

    "O desemprego vai continuar muito alto e é possível até que aumente", explica o professor da UFRJ, acrescentando que acredita que a atual taxa de desocupação está subdimensionada devido à queda da taxa de participação, que representa a parcela da população com idade para trabalhar e que está procurando emprego.

    "A geração de emprego não vai ser suficiente se a taxa de participação voltar a subir como era antes da pandemia. Então, o cenário é bem ruim", aponta.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    UFRJ, COVID-19
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