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    COVID-19 no Brasil no início de abril de 2021 (87)
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    Entre os dias 26 de março e 4 de abril, Rio de Janeiro e São Paulo viveram um período de recesso sanitário contra a COVID-19. Para comentar os impactos da medida, a Sputnik Brasil ouviu a médica e professora Gulnar Azevedo e Silva, presidente da ABRASCO.

    Após dez dias de recesso sanitário para conter o avanço da COVID-19, Rio de Janeiro e São Paulo voltaram a ter um dia útil nesta segunda-feira (5). Ao longo do período, as restrições sociais foram endurecidas e o apelo dos governos locais foi para que os cidadãos ficassem em suas casas.

    O Brasil vive atualmente seu pior momento da pandemia da COVID-19, com uma média móvel de mortes tendo ultrapassado o patamar de três mil óbitos e as mortes diárias se aproximando de quatro mil na última semana. São Paulo e Rio de Janeiro enfrentam hospitais lotados e um pico de letalidade da doença.

    Apesar do endurecimento provisório da quarentena nas cidades, a expectativa é que o efeito sobre a transmissão e as mortes leve até 21 dias para ser percebido. É o que explica a professora Gulnar Azevedo e Silva, do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO).

    "A experiência tem mostrado que [são] no mínimo 21 dias entre as medidas muito restritivas de circulação, para ter algum efeito nas internações por COVID-19. É claro que isso pode ser variável, mas veja bem, seguindo tudo o que for recomendado, além das medidas de restrição de barreiras sanitárias, é necessário fazer o rastreamento de casos, isolamento das pessoas doentes por COVID-19, a quarentena dos seus contatos. Então, seguindo tudo isso, o que têm mostrado alguns municípios inclusive no Brasil, como Araraquara, é que o resultado é muito positivo", afirma a pesquisadora em entrevista à Sputnik Brasil.

    Apesar das medidas e do crescente apelo dos governos locais para que a população permanecesse em casa, a taxa de isolamento social não foi reduzida o suficiente, conforme publicou nesta segunda-feira (5) o jornal O Estado de São Paulo. Ao longo do período de recesso, também houve frequentes denúncias de festas clandestinas e, em São Paulo, de cidadãos viajando para o litoral, situações que preocupam as autoridades sanitárias.

    Para a presidente da ABRASCO, esses casos mostram a importância da fiscalização para garantir que as medidas impostas pelos governos sejam cumpridas.

    "É muito importante que cada medida dessa seja muito seguida de fiscalização. A imprensa mostrou, noticiou largamente festas clandestinas, pessoas não cumprindo o que estava sendo a necessidade. Então, assim, se não houver fiscalização realmente é difícil. Mas, além da fiscalização, é importante uma campanha de comunicação explicando o porquê da necessidade de ficar em casa, da necessidade de diminuir as aglomerações", aponta a professora.
    Em ato simbólico, manifestantes homenageiam os 330 mil mortos pela COVID-19 no Brasil com 330 cruzes colocadas no Morro do Cristo, em Salvador, na Bahia, no dia 3 de abril de 2021
    Em ato simbólico, manifestantes homenageiam os 330 mil mortos pela COVID-19 no Brasil com 330 cruzes colocadas no Morro do Cristo, em Salvador, na Bahia, no dia 3 de abril de 2021

    Azevedo e Silva ressalta ainda que é necessário o pagamento de um auxílio emergencial para as famílias com o objetivo de garantir a subsistência das pessoas para que elas possam realizar o isolamento social e conter o avanço do vírus.

    "É fundamental um auxílio emergencial para que as pessoas possam ficar em casa, toda a proteção social para que toda a população possa de fato seguir essas medidas muito restritivas, necessárias hoje", ressalta.

    Auxílio financeiro e comunicação são essenciais para o isolamento social

    Com o crescimento recente dos casos e das mortes por COVID-19 no Brasil, a expectativa de que a pandemia se agrave ainda mais preocupa especialistas. É o que aponta, por exemplo, uma projeção da Universidade de Washington, que desenha um cenário de quase 100 mil mortes ao longo do mês de abril deste ano.

    Ainda segundo o levantamento, o Brasil corre o risco de acumular 600 mil mortes até julho deste ano, caso a tendência de aumento não seja revertida. Atualmente o Brasil acumula 333 mil mortes, e conforme dados da Universidade Johns Hopkins, é o segundo país com mais óbitos causados pela doença.

    "De fato, o que a gente está observando - vários especialistas, inclusive, têm mostrado isso, apontado para isso - o risco altíssimo da transmissão, uma transmissão realmente sem controle. O número de casos, que estão exponencialmente aumentando, vai gerar proporcionalmente um número de óbitos, porque muitos desses casos vão evoluir mal, então é necessário sim, medidas mais duras neste momento para que a transmissão seja contida", avalia a professora Gulnar Azevedo.
    Manifestação em frente ao Palácio do Planalto em Brasília contra a gestão do governo em relação à pandemia de COVID-19 no Brasil
    © AP Photo / Eraldo Peres
    Manifestação em frente ao Palácio do Planalto em Brasília contra a gestão do governo em relação à pandemia de COVID-19 no Brasil

    Para a epidemiologista, as próximas semanas devem incluir o aumento da fiscalização para garantir que medidas de restrição social sejam cumpridas e reforça a necessidade de que sejam acompanhadas de proteção social com serviços e auxílio financeiro para a população.

    "Precisamos sim, de um lockdown, de muita fiscalização desse lockdown, mas, sobretudo, de muito apoio para que as pessoas possam ficar em casa e, além disso, chamo atenção mais uma vez para a necessidade de uma campanha de comunicação muito clara, muito bem feita das autoridades políticas e sanitárias para que as pessoas entendam a crítica situação que a pandemia se encontra hoje. É possível sair disso, mas seguindo, de fato, todas as medidas que a saúde pública mostra que são necessárias hoje", conclui.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    COVID-19 no Brasil no início de abril de 2021 (87)

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    Tags:
    Rio de Janeiro, São Paulo, Brasil, COVID-19
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