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    COVID-19 no Brasil no início de abril de 2021 (87)
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    Após a Universidade de Washington apontar que o Brasil pode ter quase 600 mil mortes pela COVID-19 até o de mês junho, a Sputnik ouviu o médico Guilherme Werneck, da UERJ, que analisou os números revelados pela pesquisa norte-americana.

    Uma projeção feita pela Universidade de Washington apontou que o Brasil pode ter quase 100 mil mortes pela COVID-19 ao longo do mês de abril deste ano. O estudo revela, ainda, que o Brasil alcançará entre 422 mil e 425 mil mortes ao final do mês de abril. Em um mês trágico, o país registraria 600 mil mortes em junho.

    Diante da ferocidade destes números, a Sputnik Brasil conversou com o médico Guilherme Werneck, da UERJ, que comentou alguns resultados da pesquisa. Apesar de concordar em parte com determinadas conclusões da universidade norte-americana, ele rejeitou o pior dos cenários, e disse que o Brasil pode evitar "600 mil óbitos pela COVID-19" em junho.

    Cemitério Parque Taruma, em Manaus, no Amazonas
    © REUTERS / Bruno Kelly
    Cemitério Parque Taruma, em Manaus, no Amazonas

    As previsões são certeiras, até certo ponto...

    Confrontado com as possibilidades levantadas pela Universidade de Washington, o médico Guilherme Werneck avaliou que "essas projeções sobre a evolução da pandemia no Brasil dependem de uma série de fatores, como os índices dos níveis de transmissão e do avanço do programa de imunização para a COVID-19".

    Ele entende que "não é simples fazermos previsões, porém, o fato é que no último mês, nas últimas cinco semanas, nós acumulamos um crescente número de casos e óbitos a cada semana. Nós saímos, no final de fevereiro, de uma média de 10 mil óbitos por semana e passamos para 20 mil por semana. O mês de março foi o mais letal da pandemia no país, com cerca de 15 mil óbitos a cada semana". 

    É em razão desta escalada que ele concorda com uma das principais previsões da Universidade de Washington: a de que o Brasil bate, até abril, a marca de 400 mil mortos.

    Um paciente que testou positivo para COVID-19 aguarda no corredor para ser transferido à UTI em hospital de Bauru, São Paulo, 23 de março de 2021
    © REUTERS / Leonardo Benassatto
    Um paciente que testou positivo para COVID-19 aguarda no corredor para ser transferido à UTI em hospital de Bauru, São Paulo, 23 de março de 2021

    "É certo que essa curva de óbitos não vai arrefecer rapidamente. Uma projeção de acumulo de mais 75 mil óbitos no mês de abril não é questionável. É bem plausível que cheguemos ao final de abril com mais de 400 mil óbitos acumulados. É uma situação inimaginável, trágica, e perfeitamente passível de prevenção, se as autoridades tivessem levado a sério a pandemia", explicou.

    600 mil mortos em junho?

    Sabe-se que o Brasil enfrentou em março o pior momento da pandemia, com a média de mortes chegando a mais de três mil óbitos diários na última semana. No mês, foram 66,8 mil óbitos. Diante deste cenário assustador, o professor disse que "chegar a 600 mil óbitos no fim de junho não é desprezível".

    Pessoas caminham na frente de um cartaz com a imagem do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante a pandemia de COVID-19, no Rio de Janeiro, 30 de março de 2021
    © REUTERS / Pilar Olivares
    Pessoas caminham na frente de um cartaz com a imagem do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, durante a pandemia de COVID-19, no Rio de Janeiro, 30 de março de 2021

    Porém, no seu entendimento, "isso implicaria em nós entendermos que a epidemia se manteria nos mesmos níveis, ou aumentasse seu impacto, nos próximos três meses. O que não me parece concebível por dois motivos. Um: no fim de março, inicio de abril, várias capitais implantaram algum grau de restrição da mobilidade. Dois: o programa de vacinação está avançando, e provavelmente teremos mais vacinas a partir de maio, o que poderá incrementar a cobertura vacinal na população".

    O médico alertou que, embora plausível, "600 mil óbitos no fim de junho podem ser evitados". Ele enfatizou que é preciso que a sociedade, sobretudo suas autoridades, se mantenha alerta sobre os cuidados já conhecidos para reduzir as contaminações pelo coronavírus.

    A questão da vacina

    Ao falar sobre o enfrentamento da pandemia no Brasil diante dos números apresentados pela Universidade de Washington, Guilherme Werneck também enfatizou que o Programa Nacional de Imunização (PNI) brasileiro está avançando, apesar de uma aparente morosidade. 

    A vacinação contra a COVID-19 no Brasil, segundo levantamento do consórcio dos veículos de imprensa, já chegou a cerca de 19,2 milhões de pessoas com pelo menos a primeira dose, o equivalente a 9% da população brasileira.

    Manifestantes protestam, em terminal rodoviário de Brasília, contra demora para início da vacinação contra a COVID-19 no Brasil, em 23 de dezembro de 2020
    © AP Photo / Eraldo Peres
    Manifestantes protestam, em terminal rodoviário de Brasília, contra demora para início da vacinação contra a COVID-19 no Brasil, em 23 de dezembro de 2020

    "É muito importante salientar que as vacinas que temos no Brasil são boas e protegem os indivíduos das formas mais graves da COVID-19. A pessoa vacinada tem um benefício muito grande. É preciso vacinar o máximo de pessoas possível para que possamos perceber os benefícios desses imunizantes dentro de uma perspectiva de sociedade", explicou.

    Após elogiar as vacinas, o médico fez um alerta: "No entanto, não são vacinas que protegem a infecção. As pessoas podem ser infectadas. Estando infectadas, essas pessoas, mesmo vacinadas, podem transmitir o vírus. As vacinas não protegem totalmente contra a infecção. É muito importante que, mesmo sendo vacinadas, as pessoas mantenham a cautela e as medidas de distanciamento social e higienização".

    Guilherme Werneck, por fim, ainda elogiou a história do Programa Nacional de Imunização, e disse que é o melhor instrumento para combater a COVID-19 (e qualquer pandemia), "principalmente se, no de 2022, o país apresentar problemas com as variantes do coronavírus". Em seguida, alertou: "Se for necessária uma nova vacinação dos indivíduos periodicamente, claramente a vacinação contra a COVID-19 teria que ser integrada ao calendário do PNI".

    Em Brasília, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, participa de entrevista coletiva, em 31 de março de 2021
    © Folhapress / Mateus Bonomi
    Em Brasília, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, participa de entrevista coletiva, em 31 de março de 2021

    2022: teremos concluído a vacinação?

    A questão das variantes do coronavírus e a eficácia das vacinas que estão sendo produzidas ainda carece de explicações científicas. Pesquisadores estão debruçados sobre o tema, avaliando as possibilidades da pandemia demandar uma vacinação constante e periódica.

    No Brasil, o governo federal garante doses para toda população brasileira, levando em consideração que são necessárias duas doses do imunizante até o fim do ano. Porém, a questão tende a ser um pouco mais delicada. Guilherme Werneck lembrou que o fim da vacinação depende, também, da circulação dos novos vírus. Ele alertou que a COVID-19 já apresentou mutação em mais de uma região, "e é preciso ver se esses vírus vão escapar das respostas das vacinas. Ainda não há clareza sobre isso", alertou.

    Ainda comentando uma possível conclusão da vacinação no Brasil até o fim do ano, Guilherme Werneck disse que "é importante lembrar que esta população de 160 milhões [correspondente a conta feita pelo governo federal] excluí as pessoas com menos de 18 anos de idade. Provavelmente, mais adiante, essas pessoas também poderão ser vacinadas. Os testes atuais mostram que adolescentes devem ser vacinados, e a vacina é segura e eficaz nestes grupos, aparentemente".

    O médico afirmou que ele não tem muita certeza de que é possível vacinar todos os brasileiros até o fim do ano. Nas palavras dele, "isso não depende apenas da disponibilidade de vacinas, mas de uma série de questões de logística. As vacinas podem até chegar, mas elas ainda precisam ser programadas e distribuídas". Para que haja uma maior coordenação neste sentido, ele defendeu uma ação conjunta da sociedade para rever o Plano Nacional de Imunização.

    Mulher indígena aguarda para receber a vacina da Sinovac na margem do rio Urubu, no estado de Amazonas, Brasil, 13 de fevereiro de 2021
    © REUTERS / Bruno Kelly
    Mulher indígena aguarda para receber a vacina da Sinovac na margem do rio Urubu, no estado de Amazonas, Brasil, 13 de fevereiro de 2021

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    COVID-19 no Brasil no início de abril de 2021 (87)

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    Tags:
    Brasil, Jair Bolsonaro, Ministério da Saúde, COVID-19, pandemia, novo coronavírus, vacina, mortes, Universidade de Washington, EUA
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