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    Apesar da queda da produção industrial no país em fevereiro, o setor de máquinas e equipamentos teve forte alta no primeiro bimestre. Economista explica que alguns segmentos foram mais beneficiados por medidas de estímulo.

    O setor de máquinas e equipamentos industriais comemorou uma forte alta de 27,4% no primeiro bimestre do ano em relação ao mesmo período de 2020. Só em fevereiro, a expansão foi de 18%, com receita de R$ 13,8 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), divulgados nesta quarta-feira (31) pela Agência Brasil.

    Enquanto isso, a atividade da indústria brasileira como um todo avançou apenas 0,4% no mesmo mês, conforme divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (1º).

    Com relação a janeiro, houve um recuo de 0,7%, interrompendo uma sequência de nove meses de resultados positivos, em que o crescimento acumulado foi de 41,9%.

    Para o economista Marco Rocha, professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o resultado não chega a ser surpreendente.

    O especialista explica que o conjunto de medidas e estímulos contra a crise sanitária e econômica durante a pandemia tem tido efeitos heterogêneos entre os vários segmentos de um mesmo setor.

    "Determinados segmentos têm sentido mais e outros menos, como foi o caso de máquina e equipamentos. Alguns resultados positivos se devem muito às medidas de estímulo à economia, principalmente o auxílio emergencial", afirmou Rocha em entrevista à Sputnik Brasil.

    Segundo ele, os números de máquinas e equipamentos também foram puxados pela demanda de setores que cresceram com a crise, como a indústria de fármacos e de produção de comida, impulsionada com a expansão do segmento de entregas em domicílio.

    Contudo, o economista ressalta que, para a avaliação do desempenho da indústria, o mais importante é observar o dado agregado. E, para Rocha, os números mostram que a indústria "está andando de lado há algum tempo".

    "Estamos em uma conjuntura muito delicada. Primeiro, porque não existe uma perspectiva otimista em relação à economia brasileira em 2021, e 2022, provavelmente, também não será um ano de grande crescimento", afirmou.
    Fábrica da Volkswagen em Taubaté, em São Paulo, em 18 de maio de 2016
    © Foto / Renato Frasnelli/Volkswagen/Divulgação
    Fábrica da Volkswagen em Taubaté, em São Paulo, em 18 de maio de 2016

    Ele lembra que a desvalorização cambial durante a crise - atualmente o dólar custa R$ 5,71 - poderia ter dado um alento. Porém, nem no setor de máquinas e equipamentos houve uma expansão significativa das exportações, de acordo com o economista.

    "Os estímulos também não estão vindo do mercado internacional. As perspectivas não são das melhores. Em relação ao mercado doméstico, vamos ter pelo menos dois anos de baixo crescimento. E no mercado internacional, o que vai se presenciar, provavelmente, é o acirramento da concorrência nessa recuperação pós-pandemia. E, nesse sentido, a indústria brasileira está muito mal equipada", apontou.

    Futuro da indústria no país

    O professor da Unicamp avalia que a indústria brasileira está em constante crise há 30 anos. "Há muita coisa a ser feita", disse ele, ressaltando a necessidade de modernizar a infraestrutura e a logística.

    O economista explica que há um esvaziamento de protagonismo de grandes empresas brasileiras em setores que serão mais dinâmicos no pós-pandemia.

    "Estamos nos aproximando do novo paradigma tecnológico com a quarta revolução e a estrutura industrial brasileira é muito mal equipada para enfrentar essa transição tecnológica e digital", afirmou.
    Presidente dos EUA, Joe Biden discursa em Pittsburgh, onde revelou megapacote de US$ 2 trilhões (R$ 11,3 trilhões) em infraestrutura para modernização dos EUA
    © AFP 2021 / Jim Watson
    Presidente dos EUA, Joe Biden discursa em Pittsburgh, onde revelou megapacote de US$ 2 trilhões (R$ 11,3 trilhões) em infraestrutura para modernização dos EUA

    Segundo Rocha, o mundo pós-pandemia será de políticas industriais de grande envergadura, com pacotes de estímulo a economias nacionais e de investimento em infraestrutura.

    "Já estamos vendo isso acontecer tanto na China como nos Estados Unidos, que são os principais protagonistas. Então, o sistema industrial brasileiro tinha que entender, sobretudo, que o mundo que está se formando é de competição muito mais acirrada, com mecanismos vindos do poder público para auxiliar a competitividade industrial nos diversos países", indicou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    indústria, máquinas, equipamentos, economia, crescimento, Brasil, infraestrutura, economista
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