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    O custo de produção de uma vacina brasileira chega a ser entre dez a 20 vezes menor do que um imunizante comprado no exterior, e o Brasil ainda poderia exportar doses do imunizante para outros países, segundo especialista ouvido pela Sputnik Brasil.

    O Instituto Butantan, ligado ao governo do estado de São Paulo, anunciou nesta sexta-feira (26) que está desenvolvendo uma vacina totalmente brasileira contra o novo coronavírus.

    Batizado de ButanVac, o imunizante já teria passado pelas fases pré-clínicas de testes, feitas em cédulas de laboratório e em animais, e supostamente obteve bons resultados.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, o especialista em bioquímica e imunologia, Marco Antonio Stephano, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), disse que "é essencial o Brasil conseguir dominar a tecnologia e ter capacidade de produção" de uma vacina nacional contra a COVID-19.

    "O custo de uma vacina produzida nacionalmente com insumo nacional sairia pelo menos dez a 20 vezes mais barato do que a importada. Vale a pena", afirmou.

    O Butantan informou que pedirá autorização à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os estudos clínicos em voluntários.

    ​Segundo o diretor do instituto, Dimas Covas, a expectativa do Butantan é a de que, uma vez obtida a autorização pela Anvisa, os testes já possam ser iniciados em abril.

    'Se mostrar eficácia, ButanVac pode ser aplicada em seis meses'

    Pelas estimativas de Stephano, considerando o procedimento que ocorreu com outros imunizantes, é possível que, se a vacina for segura e aprovada pela Anvisa, ela pode vir a ser aplicada daqui a seis meses.

    "Essa vacina poderia estar disponível em seis meses se conseguirmos ter a velocidade prometida pelo Ministério da Saúde. Vacinamos até agora cerca de 6,5% da população com a primeira dose e 2,1% com a segunda dose. Nós temos ainda 90% da população brasileira que poderia receber a vacina e que não recebeu. É o momento certo do Butantan pedir para fazer os testes", disse.

    Outro ponto de destaque para Stephano é que o SARS-CoV-2 pode continuar em circulação pelos próximos cinco anos, fazendo com que seja interessante para o Brasil deixar de recorrer a outros países para conseguir vacinar a população.

    "A gente não pode ficar dependendo de mercado estrangeiro, porque hoje as relações diplomáticas podem estar bem e amanhã, não. O que nós estamos vendo na Europa com as vacinas, inclusive aquelas produzidas na União Europeia, é que elas estão sendo distribuídas para outros países, e a própria UE não está recebendo. Isso pode acontecer com a gente também", comentou.
    O governador de São Paulo João Doria anuncia o desenvolvimento pelo Instituto Butantan da primeira vacina brasileira contra a COVID-19: a ButanVac, em 26 de março de 2021
    © Foto / Governo de SP
    O governador de São Paulo João Doria anuncia o desenvolvimento pelo Instituto Butantan da primeira vacina brasileira contra a COVID-19: a ButanVac, em 26 de março de 2021

    'Brasil pode vir a exportar ButanVac para outros países'

    Dimas Covas afirmou também que a vacina foi enviada para outros países na fase pré-clínica, e que testes feitos em animais na Índia "apontaram resultados excelentes".

    Para Marco Antonio Stephano, se a vacina mostrar eficácia satisfatória, o Brasil poderia inclusive "exportar doses para outros países".

    "A tecnologia é muito semelhante com a da vacina de influenza para a qual o Butantan já tem uma fábrica. Lembrando que, por enquanto, essa fábrica ficava ociosa durante quatro ou cinco meses, que era o período que não se produzia [a vacina contra a influenza]", informou.

    ​O Instituto Butantan também anunciou que vai enviar todas as informações da ButanVac à Organização Mundial de Saúde (OMS) para que o órgão acompanhe o desenvolvimento dos testes clínicos desde o início.

    O pedido de autorização feito pelo Butantan refere-se às fases 1 e 2 de testes da vacina. Nessa etapa serão avaliadas a segurança e a capacidade de promover resposta imune a partir dos testes em 1.800 voluntários. Já na fase 3, até 9.000 pessoas vão participar, e a etapa vai estipular qual será o percentual de eficácia do imunizante

    A meta é encerrar os testes e ter 40 milhões de doses da vacina prontas antes do final de 2021, segundo o governo de São Paulo.

    "É possível aumentar a produtividade dessa vacina em milhões por mês. Se houver necessidade e interesse político, há a possibilidade de produção de 100 milhões de doses em dois meses", completou Marco Antonio Stephano.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    COVID-19, Brasil, vacina, vacinação, Instituto Butantan, ButanVac, imunização, imunizante
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