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    COVID-19 no final de março de 2021 no Brasil (116)
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    Após a Volkswagen, a Mercedes-Benz anunciou, nesta terça-feira (23), a suspensão da produção de veículos no país devido ao avanço da COVID-19. A Sputnik Brasil ouviu um especialista no setor para entender o cenário.

    Nem mesmo grandes empresas estão imunes à disseminação da COVID-19 no Brasil. Com a crescente alta no número de casos e mortes pela doença no país, diversas montadoras decidiram interromper a produção de automóveis.

    A Mercedes-Benz suspenderá suas atividades em São Bernardo do Campo (SP) e em Juiz de Fora (MG) a partir da sexta-feira (26), com previsão de retorno no dia 5 de abril. Antes, Volkswagen, Volvo e Scania já haviam anunciado a paralisação por tempo semelhante.

    "O nosso intuito, alinhado com o Sindicato dos Metalúrgicos, é contribuir com a redução de circulação de pessoas neste momento crítico no país, administrar a dificuldade de abastecimento de peças e componentes na cadeia de suprimentos, além de atender a antecipação de feriados por parte das autoridades municipais", informou a Mercedes em nota.

    A montadora afirmou ainda que concederá férias coletivas para grupos alternados de funcionários, de acordo com o planejamento das fábricas, caso as medidas restritivas sejam prorrogadas após o período previsto.

    Instalações do Laboratório de Segurança Veicular Volkswagen Brasil, na fábrica de São Bernardo do Campo (SP) (foto de arquivo)
    © Folhapress / Eduardo Knapp
    Instalações do Laboratório de Segurança Veicular Volkswagen Brasil, na fábrica de São Bernardo do Campo (SP) (foto de arquivo)

    O engenheiro Antonio Jorge Martins, coordenador dos Cursos de Média e Longa Duração da Área Automotiva na Fundação Getulio Vargas (FGV), explicou que as montadoras precisam se organizar para minimizar os novos efeitos que a crise possa trazer para a linha de produção.

    "Na verdade, estamos atravessando uma fase muito crítica quanto à COVID-19 em nosso país", iniciou o professor em entrevista à Sputnik Brasil. "De uma forma geral, os produtos de todas essas indústrias, seja de veículos ou caminhões, estão sendo afetados pela maior crise que se avizinha", afirmou.

    Martins ressalta que a área administrava de todo o setor tem estado em regime de home office desde o início da pandemia, no ano passado. Como no setor produtivo não é possível realizar trabalho à distância, as indústrias têm optado por suspender as atividades nos momentos mais agudos.

    Além de ajudar a conter a disseminação do vírus, as empresas conseguem reformular suas estratégias com as paralisações.

    "Nada melhor do que se antecipar no sentido de evitar que tal crise possa se alastrar de uma forma muito mais significativa", disse o especialista.

    Pelo lado dos trabalhadores, Weller Gonçalves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, acredita que o problema logístico, com o menor fornecimento de peças para a produção, seja o principal motivo para a paralisação.

    Mas Gonçalves lembra que a medida é essencial também pelo lado humano, já que os trabalhadores das montadoras poderão ficar em casa e realizar o isolamento social. 

    "A situação da pandemia é catastrófica no nosso país. Nós defendemos um lockdown, uma paralisação radical. As empresas, principalmente as multinacionais, têm total condição de conceder licença remunerada aos trabalhadores. E achamos que o governo, nesse momento de crise, tem que garantir o auxílio emergencial", afirmou o presidente do sindicato à Sputnik.

    Resiliência das montadoras

    O professor Martins, da FGV, lembra que, em 2020, apesar das suspensões da produção, a retomada ocorreu em um nível superior ao estimado inicialmente pelos executivos.

    Mas a indústria estaria de fato preparada para resistir a tantos períodos de paralisação? O professor acredita que sim. Para ele, por enquanto, as empresas ainda possuem lenha para queimar.

    "Se por um lado o setor de veículos está com a demanda menos aquecida em função da crise, o setor de caminhões vem reagindo muito bem, porque os investimentos têm crescido de uma forma muito forte no país e na América Latina, fazendo as fabricantes se voltarem não só ao mercado interno como também ao exterior", explicou.
    Fábrica da Volkswagen em Taubaté, em São Paulo, em 18 de maio de 2016
    © Foto / Renato Frasnelli/Volkswagen/Divulgação
    Fábrica da Volkswagen em Taubaté, em São Paulo, em 18 de maio de 2016

    Weller Gonçalves avalia que esta nova rodada de paralisações se faz necessária "por falta de uma política consciente do governo federal".

    O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos afirma que a situação do país relativa à pandemia de COVID-19 poderia ser diferente se o presidente Jair Bolsonaro tivesse adotado uma estratégia de enfrentamento ao vírus de acordo com as indicações das autoridades sanitárias mundiais.

    Ainda assim, ele acredita que as grandes empresas não terão grandes prejuízos com eventuais suspensões da produção.

    "Paralisar as atividades nesse momento por 30 dias [como propõe o sindicato] não vai quebrar nenhuma montadora. Mercedes, Vokswagen, GM [General Motors], Caoa Chery.... Todas essas montadoras têm total condição de parar as atividades e contribuir para salvar vidas", disse Gonçalves.

    O professor da FGV também afirma que as paralisações poderão ser superadas no futuro, no momento em que o mercado tiver condições de promover a produção sem restrições.

    "Sem os efeitos da pandemia, as indústrias locais poderão convergir sua produção, inclusive aumentando o número de turnos se assim for necessário para reaquecer e atender de uma melhor forma a demanda que ocorra no Brasil e nos outros países", indicou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    crise, pandemia, COVID-19, indústria, produção, Volkswagen, Mercedes, montadoras, veículos
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