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    COVID-19 no final de março de 2021 no Brasil (116)
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    Após a Fiocruz encontrar novas variações das linhagens do coronavírus surgidas no país, a Sputnik Brasil conversou com especialistas sobre os riscos e as soluções para contê-las.

    O descontrole da pandemia de COVID-19 no Brasil permitiu o surgimento de mutações das variantes do SARS-CoV-2 já descobertas no país, apontou um estudo da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgado nesta segunda-feira (22).

    Em artigo assinada por 31 pesquisadores, o instituto diz que identificou "mutações preocupantes" em 11 sequências do vírus em cinco estados brasileiros. São eles Amazonas, Bahia, Maranhão, Paraná e Rondônia.

    A disseminação dessas variantes, combinada ao ainda lento processo de vacinação no Brasil, tem gerado, nas últimas semanas, um aumento considerável no número de casos e mortes por decorrência da doença. Como consequência, os sistemas de saúde de diversos estados estão colapsando, com a falta de leitos de UTI, de respiradores e de medicamentos para tratar novos pacientes infectados.

    Para os especialistas ouvidos pela Sputnik Brasil, ainda é cedo para decretar que as mutações das variantes são mais agressivas que as primeiras cepas. Ainda serão necessários novos estudos que comprovem ou refutem estatisticamente a hipótese de maior transmissibilidade e letalidade do vírus.

    Uma das autoras do estudo, a bióloga Paola Resende, pesquisadora em Saúde Pública no Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz, da Fundação Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), explica que as novas variantes detectadas ainda não estão circulando em grandes proporções na população.

    "Foram poucos casos reportados apresentando essas mutações. E existe uma gama muito variada de desfechos clínicos relacionada a essas linhagens. Temos desde casos brandos a casos graves. Então, não podemos atribuir a gravidade da infecção a essas variantes", afirmou a cientista.
    Funcionária mostra frasco da vacina da AstraZeneca contra COVID-19 produzida pela Fiocruz, Rio de Janeiro, 12 de fevereiro de 2021
    © AP Photo / Bruna Prado
    Funcionária mostra frasco da vacina da AstraZeneca contra COVID-19 produzida pela Fiocruz, Rio de Janeiro, 12 de fevereiro de 2021

    Para o biólogo Fernando Spilki, professor da Universidade Feevale (RS), o fato mais importante do estudo é a demonstração de que o vírus e suas cepas estão em constante transformação.

    "Esse processo de evolução é que pode nos gerar outros problemas no futuro", disse Spilki, doutor em Genética e Biologia Molecular e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Virologia.

    As vacinas existentes serão suficientes contra as novas variantes?

    De acordo com a pesquisa, algumas mutações identificadas têm capacidade de escapar da blindagem da vacina. Porém, segundo Paola Resende, que também é doutora em Genética e Biologia Molecular, o estudo ainda precisará ser amparado por novas análises.

    Ela lembra, contudo, que os imunizantes já produzidos até o momento se mostraram capazes de oferecer proteção contra as linhagens do SARS-CoV-2 majoritárias que circulam no país.

    Idoso recebe a vacina da AstraZeneca/Oxford contra a COVID-19 em Olinda, no Recife.
    © Folhapress / José Marcos/Agência Enquadrar
    Idoso recebe a vacina da AstraZeneca/Oxford contra a COVID-19 em Olinda, no Recife.

    As variantes que demonstraram ser mais resistentes à imunização ainda estão em baixa circulação.

    "Os estudos computacionais indicaram que esses vírus podem ter um potencial escape, mas novos estudos são necessários para comprovar esse achado. E, se necessárias, medidas de alteração da composição da vacina serão adotadas, mas esse não é o caso no momento", destacou.

    Fernando Spilki também vê os resultados com cautela por enquanto. Segundo ele, todos os pesquisadores brasileiros devem "continuar buscando essa vigilância genômica" para verificar o que foi observado pela Fiocruz.

    "Por enquanto, as vacinas ainda têm uma eficácia razoável contra essas variantes, mas a gente precisaria estancar esse processo de evolução para evitar problemas mais adiante", alertou o biólogo.

    Como conter a disseminação das novas mutações?

    De acordo com os especialistas, não há mistério para conter a transmissão das novas variantes. A cartilha para combater o vírus e impedir sua disseminação pela população é a mesma: distanciamento social, uso de máscara e higienização das mãos, com água e sabão e álcool em gel.

    "Tudo que já serve para controlar outras linhagens serve para controlar essas variantes também", resumiu Spilki.

    Paola Resende ressaltou que quanto mais o vírus circula, maior é a possibilidade de surgirem novas variantes. Com a adoção de medidas de isolamento, é possível impedir que as mutações se espalhem pela população.

    "Está sob responsabilidade de cada indivíduo diminuir a circulação desse vírus. Além disso, nós temos agora também a vacina, que precisa ser empregada em toda a população e o mais rápido possível para que a gente consiga conter a disseminação e a circulação desse vírus no país", afirmou a pesquisadora.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    COVID-19 no final de março de 2021 no Brasil (116)

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    Tags:
    Fiocruz, Brasil, SARS-CoV-19, vírus, mutação, pandemia, novo coronavírus, COVID-19
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