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    Situação com coronavírus no Brasil em meados de março de 2021 (116)
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    A situação de "catástrofe" no Brasil diante da pandemia, aliada à falta de vacinas, fez Anvisa flexibilizar a importação de imunizantes mesmo sem registro no órgão, disse especialista à Sputnik Brasil.

    Nesta quarta-feira (11), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou, em reunião extraordinária, resolução que regulamenta a importação, por estados e municípios, de vacinas e medicamentos contra a COVID-19 que ainda não possuem registro definitivo ou emergencial concedido pelo órgão. 

    Na prática, a Anvisa regulamentou medida provisória sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro no mesmo dia, que dispensa licitações e torna as regras dos contratos mais flexíveis. 

    Anvisa 'deu um passo à frente'

    Para o médico infectologista Daniel Junger o órgão regulatório "deu um passo à frente", ao assumir "responsabilidade de liberar algo e tomar uma atitude que vai além dos protocolos rigidamente estabelecidos".

    Segundo ele, a situação de "catástrofe" que o país vive, com alta de casos e mortes da COVID-19 e imunização lenta, levou a uma quebra de protocolos para acelerar a aquisição de doses. 

    "As vacinas sem registro são o contorno que está sendo dado a uma burocracia, que é necessária. Mas, ao mesmo tempo, nós estamos em uma situação de catástrofe, isso que precisa ser entendido pelo cidadão comum e que está sendo entendido pelas instâncias reguladoras", disse Junger. 

    Vacinar 160 milhões em 3 meses

    De acordo com a nova lei, a importação das vacinas está liberada desde que tenha sido aprovada por agências reguladoras dos Estados Unidos, União Europeia, China, Reino Unido, Coreia do Sul, Canadá, Rússia, Argentina, Austrália e Índia. 

    "A situação de catástrofe se caracteriza por uma demanda que excede a nossa oferta em termos de estrutura. Liberar isso, desde que sejam vacinas aprovadas sob outras instâncias, aprovadas em relação à eficácia e à segurança, é um passo emergencial", opinou o especialista. 

    Para Junger, a vacinação no Brasil segue muito lenta. Até o momento, o país não vacinou nem dez milhões de pessoas, de uma população de mais de 200 milhões. O médico argumenta que o ideal seria imunizar pelo menos 160 milhões de pessoas em "três meses", o que representa "cerca de um milhão de doses" aplicadas por dia.

    Demora prejudica eficiência

    O infectologista diz que, quanto mais a vacinação demora, melhor para o coronavírus e pior para a eficiência da imunização. 

    "O ritmo atual de vacinação vai se mostrar ineficaz a médio prazo, porque nós temos novas variantes. Cada indivíduo infectado é um laboratório para novas variantes, que são mutações aleatórias que acontecem com a replicação viral", afirmou Junger. 

    Segundo ele, algumas mutações podem se mostrar "inviáveis", enquanto outras terem "potencial de infectividade muito maior" ou "causar sintomas graves". 

    O Brasil registrou 2.207 mortes pelo coronavírus nesta quinta-feira (11), de acordo com o Ministério da Saúde. Ao todo, país contabiliza 273.124 óbitos pela COVID-19. 

    Governo federal deveria coordenar

    Embora defenda a permissão para estados e municípios comprarem vacinas, Junger diz que a imunização, para ser "efetiva" e ter "resultado populacional", deveria ser "homogênea" em todo país, com processo centralizado pelo governo federal. 

    "O que está se fazendo, na verdade, é um contraponto, buscando um resultado, liberando para os prefeitos e governadores que têm disponibilidade para essa atitude, buscar uma solução para esse mal que nos está afligindo de uma forma dantesca", disse Daniel Junger.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    vacina, Jair Bolsonaro, Anvisa, novo coronavírus, COVID-19, pandemia, Brasil
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