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    Coronavírus no Brasil no início de março de 2021 (92)
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    O médico infectologista Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, disse nesta quarta-feira (3) que a situação do Brasil é "muito difícil".

    Fauci, que também é um dos principais integrantes da força-tarefa criada pela Casa Branca contra a COVID-19, afirmou que a vacinação em massa é a saída contra as novas variantes do coronavírus, como a P.1., detectada inicialmente em Manaus e em disseminação em outros países, incluindo os EUA, conforme publicou o G1.

    A Sputnik Brasil conversou sobre as afirmações do especialista norte-americano com Guilherme Werneck, médico epidemiologista e professor do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

    "O enfrentamento da epidemia da COVID-19 no Brasil é algo muito complexo e, no momento, nós estamos passando por uma situação gravíssima, talvez a pior fase da pandemia no país desde seu início. Para enfrentar esse problema, contamos basicamente com duas estratégias, duas ferramentas", começou explicando Werneck.

    Para ele, a primeira ferramenta seriam as chamadas medidas não farmacológicas, que são o uso de máscaras, evitar contato físico, manter distanciamento entre as pessoas e a higiene das mãos com álcool ou água e sabão. A segunda seria a vacina.

    "Nós só vamos conseguir enfrentar a epidemia no Brasil se juntarmos as medidas não farmacológicas com uma estratégia efetiva de vacinação em larga escala, vacinação em massa e rápida, ou seja, alcançar cobertura vacinal alta na população o mais rápido possível", continuou o epidemiologista.

    Werneck afirmou que é preciso um esforço muito grande para que se adquira a vacina e se amplie a capacidade de vacinação da população brasileira o mais rápido possível, implementando simultaneamente medidas de restrição do contato físico entre os indivíduos para que se consiga interromper ou diminuir a propagação da epidemia no Brasil.

    Vacinas atuais serão eficazes para as variantes do vírus no Brasil?

    O médico epidemiologista explicou que as variantes do novo coronavírus, também chamadas de variantes de preocupação, são principalmente três: a britânica, a sul-africana e a brasileira, conhecida como P.1.

    Pouca coisa se sabe relativamente acerca dessas variantes, mas que principalmente a britânica e a brasileira aparentemente demonstram uma maior capacidade de transmissão, ou seja, seriam variantes que se disseminariam mais rapidamente na população.

    Caixão com o corpo de vítima da COVID-19, é retirado por agentes funerários com a ajuda de familiar de hospital na cidade de  Lábrea, no Amazonas.
    © Folhapress / Edmar Barros/Futura Press
    Caixão com o corpo de vítima da COVID-19, é retirado por agentes funerários com a ajuda de familiar de hospital na cidade de Lábrea, no Amazonas.
    "Se elas têm a possibilidade de escaparem da resposta imune provocada pela vacina, essa é uma questão ainda bastante controversa. Já em relação à variante sul-africana, existem estudos mais claros trazendo evidências de que ela — pelo menos em relação a uma das vacinas — pode ter um escape que é considerado de moderado a grave", afirmou Werneck.

    As variantes britânica e brasileira, disse o médico, podem eventualmente escapar da resposta imune vacinal: "Existem alguns estudos iniciais ainda em andamento, alguns deles sinalizando que esse é um aspecto que pode existir. É uma questão que preocupa todos nós, mas no momento o que se sabe é que as vacinas aplicadas no Brasil promovem imunidade substancial para formas clínicas e graves da COVID-19".

    Grau de letalidade da variante P.1.

    Em relação à variante P.1., não há estudos mostrando que ela estaria associada com maior gravidade da infecção. É uma hipótese que não pode ser descartada inicialmente e precisam ser feitos estudos para se checar até que ponto essa poderia também ser uma característica dessa nova variante, segundo o especialista.

    Paciente infectado pela COVID-19 é transferido para UTI em Santarém, Pará, 7 de fevereiro de 2021
    © AFP 2021 / Tarso Sarraf
    Paciente infectado pela COVID-19 é transferido para UTI em Santarém, Pará, 7 de fevereiro de 2021
    "Para outras variantes já existem alguns estudos mostrando que pelo menos parcialmente ou possivelmente elas poderiam aumentar a gravidade da doença, e há alguns estudos sugerindo que isso possa acontecer para a variante britânica e também estudos preliminares em relação a uma variante menos comentada, originada na Califórnia", disse Werneck.

    O médico falou que quem tomou as vacinas contra COVID-19 está protegido das formas sintomática e grave para o novo coronavírus, e para a variante brasileira pelo menos. Não existem evidências muito claras de que essa variante seja capaz de substancialmente escapar da resposta imune vacinal.

    "Existem estudos muito preliminares mostrando que eventualmente indivíduos que já tiveram a doença poderiam ser novamente infectados por essa nova variante. Esse aspecto obviamente levanta preocupação, porque certas variantes são capazes de causar a infecção, então é possível que elas sejam capazes também de escapar da resposta imune gerada pela vacina", finalizou Werneck.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Coronavírus no Brasil no início de março de 2021 (92)

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    Tags:
    vacina, COVID-19, novo coronavírus, pandemia, vírus, doença, saúde, Brasil
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