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    Coronavírus no Brasil no início de março de 2021 (92)
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    Há um iminente colapso do SUS a caminho? Para especialista ouvido com exclusividade pela Sputnik Brasil, país corre sério risco frente a nova onda da COVID-19.

    Os números revelam que a COVID-19 voltou a crescer consideravelmente no Brasil. A ocupação de UTIs chegou a marca de 80% em mais da metade dos estados brasileiros. 

    Temendo pelo pior, o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, divulgou ontem (1º) uma carta com sugestões de medidas urgentes contra o iminente colapso das redes pública e privada de saúde.

    Para compreender o atual cenário pandêmico no Brasil, assim como o que pode ser feito para evitar uma catástrofe, a Sputnik Brasil conversou com exclusividade com o especialista em segurança pública José Ricardo Rocha Bandeira, que também é presidente do Conpej (Conselho Nacional de Peritos Judiciais).

    Para ele, não há mais tempo para pensar em alternativas, o "Brasil precisa de um lockdown nacional" antes que entre em colapso total.  

    O toque de recolher do Executivo

    O Conass sustenta que o Brasil vive pior momento da pandemia, com patamares altos em todas as regiões. A entidade também defende que seja criado um Plano Nacional de Comunicação para esclarecer a população da gravidade da situação.

    Mulher segura bandeira do Brasil em protesto contra medidas de combate à COVID-19, em Brasília, 1º de março de 2021
    © REUTERS / Ueslei Marcelino
    Mulher segura bandeira do Brasil em protesto contra medidas de combate à COVID-19, em Brasília, 1º de março de 2021
    Segundo o Conass, falta condução nacional unificada e coerente da reação à pandemia; é preciso proibir eventos presenciais, inclusive atividades religiosas; é preciso suspender aulas presenciais em todo o país; é preciso adotar toque de recolher nacional, fechando bares e praias; e é preciso ampliar testagem e acompanhamento dos infectados.

    O especialista ouvido pela Sputnik Brasil concorda com as demandas do órgão, e defendeu a instituição de um lockdown como medida efetiva no combate à disseminação do vírus.

    Segundo ele, "concordo com essa preocupação dos secretários estaduais de saúde, e concordo que devemos efetuar esse recolhimento, tendo em vista que, todos os países que estão sofrendo ondas graves da pandemia, têm tomado esta decisão, e ela se mostra extremamente eficaz no combate à pandemia do coronavírus. Não existe outra forma mais eficaz e efetiva de combater a COVID-19 do que com um lockdown e um toque de recolher".
    Presidente da República, Jair Bolsonaro, com Zé Gotinha, mascote de SUS, 16 de dezembro de 2020
    © REUTERS . Ueslei Marcelino
    Presidente da República, Jair Bolsonaro, com Zé Gotinha, mascote de SUS, 16 de dezembro de 2020

    SUS a beira do colapso

    A carta do Connas foi divulgada no momento em que o país bate recordes consecutivos de mortes e casos, e dias depois de o presidente Jair Bolsonaro ter criticado o uso de máscaras como medida de prevenção ante a COVID-19.

    Para José Ricardo Rocha Bandeira, a ideia do Conass pode afastar a possibilidade de colapso iminente do sistema de saúde "porque, ao reduzir e impedir a circulação, a gente diminui a carga de contato, e consequentemente as pessoas contaminadas".

    "O objetivo do isolamento é sempre esse: evitar que uma grande demanda de pessoas recorra aos serviços de saúde ao mesmo tempo", sentenciou o especialista.

    Para ele, é urgente a necessidade do Brasil em reduzir a demanda dos órgãos de saúde. "Dentro de algumas semanas, isso alivia a sobrecarga e permite que o sistema de saúde se reestruture para receber novos pacientes", afirmou.

    • Manifestantes protestam, em terminal rodoviário de Brasília, contra demora para início da vacinação contra a COVID-19 no Brasil, em 23 de dezembro de 2020
      Manifestantes protestam, em terminal rodoviário de Brasília, contra demora para início da vacinação contra a COVID-19 no Brasil, em 23 de dezembro de 2020
      © AP Photo / Eraldo Peres
    • Ato da ONG Rio de Paz sobre as 100 mil mortes por COVID-19 no Brasil, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 8 de agosto de 2020.
      Ato da ONG Rio de Paz sobre as 100 mil mortes por COVID-19 no Brasil, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 8 de agosto de 2020.
      © Folhapress / Felipe Duest
    • Em Santos, litoral do estado de São Paulo, pessoas transitam de máscara em meio à pandemia da COVID-19 no Brasil, em 16 de agosto de 2020
      Em Santos, litoral do estado de São Paulo, pessoas transitam de máscara em meio à pandemia da COVID-19 no Brasil, em 16 de agosto de 2020
      © Folhapress / Fernanda Luz / Agif
    • Em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, um protesto lembra os 108 mil mortos por COVID-19 no Brasil, em 16 de agosto de 2020.
      Em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, um protesto lembra os 108 mil mortos por COVID-19 no Brasil, em 16 de agosto de 2020.
      © Folhapress / Allan Calisto / Futura Press
    • Família visita túmulo de ente querido falecido em decorrência da COVID-19, no cemitério da Penitência, no Rio de Janeiro, Brasil, 20 de setembro de 2020
      Família visita túmulo de ente querido falecido em decorrência da COVID-19, no cemitério da Penitência, no Rio de Janeiro, Brasil, 20 de setembro de 2020
      © AP Photo / Silvia Izquierdo
    • Parentes de vítimas da COVID-19 em cemitério no Brasil
      Parentes de vítimas da COVID-19 em cemitério no Brasil
      © REUTERS / Bruno Kelly
    • Ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello em lançamento das Ações em Saúde em Defesa da Vida na Universidade Unichristus, Fortaleza, Brasil, 11 de setembro de 2020
      Ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello em lançamento das Ações em Saúde em Defesa da Vida na Universidade Unichristus, Fortaleza, Brasil, 11 de setembro de 2020
      © Folhapress / Caio Rocha
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    © AP Photo / Eraldo Peres
    Manifestantes protestam, em terminal rodoviário de Brasília, contra demora para início da vacinação contra a COVID-19 no Brasil, em 23 de dezembro de 2020

    O polêmico lockdown nacional

    O presidente Jair Bolsonaro, em mais de uma ocasião, enfatizou que está de mãos atadas ante uma decisão do Supremo Tribunal Federal sobre medidas de isolamento social ficarem à cargo de governadores e prefeitos

    O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) disse nesta terça-feira (2) que "não adianta" implementar um isolamento nacional para frear avanço da COVID-19 no Brasil. Segundo Mourão, a realidade de cada local deve ser avaliada no momento de decretar um possível lockdown.

    José Ricardo Rocha Bandeira, no entanto, entende esta questão de modo distinto. Para ele, "as medidas nacionais são importantíssimas para conter a pandemia, tendo em vista que não se pode ter ações isoladas de cada estado".

    Ele defendeu que "é necessário ter um plano nacional para que a gente tenha uma maior eficiência no combate à COVID-19. Não adianta um estado realizar determinadas medidas de contenção, e o estado vizinho não seguir estas medidas. A mesma coisa acontece com municípios vizinhos. Um plano nacional é fundamental porque homogeniza o combate ao coronavírus. Ou seja, todos os estados atuariam em conjunto, de modo que um cidadão não possa passar de um estado para o outro".

    Quem controlará o toque de recolher?

    Após ter explicado a importância de medidas nacionais para conter a pandemia da COVID-19, o entrevistado foi confrontado com uma pergunta importante: quem será capaz de controlar e fazer valer um toque de recolher?

    Para ele, esse controle "não pode ficar a cargo apenas das polícias. É preciso levar em conta que o efetivo das polícias é baixo e está aquém da capacidade necessária, e a polícia deve continuar fazendo seu papel dentro da segurança pública".

    O especialista entende que "a fiscalização dessas medidas emergenciais deve ser feita, além da polícia, pelas guardas municipais e pelo corpo de bombeiros, os agentes fiscalizadores municipais e estaduais. Além, é claro, do emprego das forças armadas, que podem ajudar a manter efetivamente as medidas de isolamento da população. É preciso um esforço conjunto".
    Campanha contra a COVID-19 no Rio de Janeiro
    © Folhapress / Jorge Hely/FramePhoto/Folhapress
    Campanha contra a COVID-19 no Rio de Janeiro

    A delicada questão nas favelas e periferias do Brasil

    Ao explicitar seus argumentos sobre o uso das forças de segurança para promover uma espécie de toque de recolher pelo país, o entrevistado revelou que há problemas com esta lógica, principalmente em áreas controladas pelo tráfico de drogas e pela milícia.

    "Nessas áreas em que o tráfico de drogas [e também a milícia] exerce o controle territorial, é necessário que se faça a intervenção policial. Não podemos pensar de outra forma, talvez até com apoio das forças armadas, como foi feito na intervenção federal aqui no Rio de Janeiro", defendeu.

    "Ações conjuntas das polícias civil e militar, apoiadas pelas forças armadas, podem romper esse domínio territorial armado e ajudar a manter a fiscalização", concluiu o especialista em segurança pública.

    Soldados patrulham favela do Chapéu da Mangueira, no Rio de Janeiro em 21 de junho de 2018. Quase 2 mil soldados foram empregados em uma operação surpresa do local, como parte da Intervenção Federal.
    © AP Photo / Leo Correa
    Soldados patrulham favela do Chapéu da Mangueira, no Rio de Janeiro em 21 de junho de 2018. Quase 2 mil soldados foram empregados em uma operação surpresa do local, como parte da Intervenção Federal.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Coronavírus no Brasil no início de março de 2021 (92)

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    Tags:
    Brasil, lockdown, SUS, segurança pública, COVID-19, pandemia, saúde, saúde pública, Ministro da Saúde
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