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    Coronavírus no Brasil no início de março de 2021 (92)
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    Um ranking elaborado pela agência Bloomberg coloca o Brasil nas últimas posições na lista dos "melhores países para se estar na pandemia", levando-se em consideração diversos itens.

    Entre eles estão: casos a cada 100 mil habitantes no último mês, taxa de mortalidade no último mês, total de mortes a cada um milhão de habitantes, acesso à vacinação e doses aplicadas a cada 100 habitantes. O mapeamento é atualizado a cada mês e o Brasil caiu quatro posições desde a última análise, segundo publicou o portal Valor Investe.

    Será que essa má imagem no tratamento da pandemia pode trazer impactos negativos para os investimentos externos no país? Para discutir o tema, a Sputnik Brasil conversou com Gustavo Bertotti, economista-chefe da empresa Messem Investimentos.

    Painel de cotações da Bovespa (arquivo)
    Painel de cotações da Bovespa (arquivo)

    Segundo o especialista, o Brasil hoje está em uma posição extremamente delicada em relação ao tratamento da COVID-19. Juntamente com mais alguns países emergentes, o Brasil já vem tendo um repique de aumento de casos desde o final do ano passado, e a combinação das novas variantes com um atraso nos planos de vacinação é um cenário extremamente perigoso para o país, visto que os casos vêm aumentando, com alta das hospitalizações e recordes sucessivos de mortes pela doença.

    "Em relação ao tratamento da COVID-19 no Brasil, acredito que a visão do mercado internacional é principalmente a dos principais veículos de comunicação, que destacam a forma como o governo vem atuando, a desorganização, principalmente em cima da questão da imunização, da questão das vacinas, dos planos de vacinação", avalia o economista.

    Para Bertotti, com certeza se consegue captar isso, principalmente no dólar, que não perde força, devido ao peso doméstico de embates políticos, de reformas, de todas as necessidade que o Brasil tem de uma agenda reformista, que perdeu força com o coronavírus: "Principalmente agora, com as novas medidas restritivas, o aumento de número de casos e os recordes que estamos tendo, mesmo após praticamente um ano após o primeiro caso da doença no Brasil".

    As consequências desses fatos, segundo o especialista, são algumas. Em primeiro lugar Bertotti vê a questão da saúde pública no Brasil, a deficiência que tem o setor e a necessidade de investimentos: "O saneamento básico no Brasil hoje é precário, necessita de reformas e se tivéssemos uma situação um pouco diferente na questão de saúde e saneamento talvez a nossa situação fosse um pouco melhor".

    "O outro ponto que estamos vendo agora — e economicamente estamos tendo retrocesso — são as novas medidas restritivas devido ao aumento de casos das variantes. É um ponto que preocupa muito, vimos o resultado do terceiro trimestre do ano passado do PIB, que teve um impacto positivo, em parte devido à questão do relaxamento das medidas de restrição... Esses novos fechamentos que estamos vendo no país vão trazer um retrocesso enorme na parte econômica", declarou Bertotti.

    O economista também destaca a desestruturação da cadeia produtiva, da cadeia de oferta, que está ocorrendo no Brasil desde o ano passado: "Temos uma inflação preocupante, que vem ganhando força nos materiais básicos, e nós temos um país que depende muito da importação de insumos, principalmente para a indústria".

    Inflação prévia
    Wilson Dias/Agência Brasil
    Inflação prévia

    Mercado de investimentos internacional

    "O Brasil vive hoje uma crise de confiança internacional. O mercado observa todos os fatos que estão acontecendo aqui e eu diria que, no lado doméstico, nós temos uma agenda de reformas onde o governo perdeu muita força no ano passado, devido ao coronavírus e ao tratamento da pandemia", continuou o especialista.

    Na opinião de Bertotti, nesse ano continua tudo muito incerto. A questão de uma possível intervenção nas estatais, na Petrobras, no Banco do Brasil, é algo que preocupa muito o mercado; o tratamento que vai ser dado à COVID-19, uma melhor organização dos planos de vacinação, do processo de imunização, a velocidade que isso vai acontecer, são os principais pontos para o mercado internacional confiar mais no mercado brasileiro, e o capital voltar em uma velocidade mais rápida para o Brasil.

    "A evasão de capitais é algo extremamente preocupante e ganhou muita força desde o ano passado. Muitos pontos preocupam nesse risco doméstico para o investidor estrangeiro tomar uma decisão de investimento. Se agente observar o mês de fevereiro, em média tivemos entre mercado primário e secundário uma fuga de capitais em torno de R$ 5 bilhões. Tivemos um mês bem conturbado, com um aumento de casos de contaminação pelo coronavírus, a questão das vacinas, os embates políticos, isso tudo traz uma incerteza maior para o nosso mercado e o investidor estrangeiro se retrai", avaliou o economista.

    Cabe destacar, segundo o especialista, que o Brasil foi o emergente que mais gastou, que mais elevou a dívida pública para conter a pandemia do coronavírus: "O que mais preocupa é que com todas essas necessidades de reformas, de ajustes que o Brasil precisa fazer, a pandemia tenha chegado ao ponto mais grave", finalizou Bertotti.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Coronavírus no Brasil no início de março de 2021 (92)

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    Tags:
    mercados, COVID-19, novo coronavírus, pandemia, capital, investimentos, Brasil
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