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    COVID-19 no Brasil no final de fevereiro de 2021 (64)
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    A comunidade médica tem manifestado a opinião de que a COVID-19, a exemplo da dengue e da gripe, tem todas as condições para se tornar endêmica no Brasil, diante do avanço do número de casos.

    Vacinação lenta, queda da adesão às medidas preventivas e omissão de agentes públicos em implementar, estimular, controlar e fiscalizar o cumprimento de normas de distanciamento social só aumentam esse risco. Para piorar a situação, novas variantes do novo coronavírus vêm surgindo e se espalhando pelo país. 

    Para discutir o tema, a Sputnik Brasil conversou com Fernando Barros, médico epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul.

    Pedestres caminham na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), mesmo com quarentena devido à epidemia do coronavírus
    © Folhapress / Futura Press
    Pedestres caminham na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), mesmo com quarentena devido à epidemia do coronavírus

    Ele acredita que é possível que o país não consiga atingir um nível de imunização com a vacina capaz de levar a uma situação chamada de imunidade de rebanho: "A vacinação começou mal no Brasil, temos pouca vacina, não conseguimos ainda nem chegar perto de cobrir com a imunização os grupos mais vulneráveis, então eu acho que há uma possibilidade grande de que essa doença não vá embora, que ela fique, mesmo quando a gente tiver uma proporção grande da população imunizada ela ainda pode circular e ser mais uma infecção com a qual nós vamos ter que conviver por mais tempo".

    Em relação a quando a população deve estar imunizada, Barros disse que isso vai depender do que o governo vai fazer de agora em diante.

    "Nós começamos mal esse processo, várias vacinas importantes foram oferecidas ao governo no ano passado e não foi fechado negócio, acabamos ficando só com duas vacinas, o que não é ruim, mas poderia ser melhor. Agora foi noticiado que o Senado tomou para si a tarefa de negociar com as farmacêuticas e existe alguma possibilidade de que finalmente consigamos comprar vacinas muito eficazes, com a da Pfizer e da Johnson&Johnson", avaliou o epidemiologista.

    Segundo ele, se conseguirmos aumentar o número de vacinas para a população, o próximo passo é pensar quando é que vamos conseguir vacinar todo mundo. Mas Barros lembra que a população acima de 18 anos — para quem está indicada a vacinação no momento — é de 160 milhões pessoas: "Com duas doses da vacina, se não for a da Johnson&Johnson, são mais de 300 milhões de doses e nós, por enquanto, nem vislumbramos de onde vão sair 300 milhões de doses para vacinar a população".

    A esperança é, de acordo com o médico, que vários segmentos do governo não só federal, mas dos Estados também, assumam a tarefa de contratar novas vacinas e iniciar o processo de descentralização da imunização.

    "Eu acredito que o PNI [Plano Nacional de Imunização] é importantíssimo, as regras do Ministério da Saúde devem ser seguidas, mas nós estamos no momento onde alguém tem que fazer alguma coisa para aumentar o número de doses disponíveis. Não podemos continuar recebendo 2 milhões de doses da AstraZeneca e 3 milhões da CoronaVac, porque somos muitos, somos 215 milhões e todas essas pessoas têm direito a receber a vacina e precisam receber a vacina para não morrerem, para voltarem a trabalhar e a terem uma vida normal", declarou Barros.

    Qual é a expectativa para a proteção da população brasileira

    Barros diz ter como expectativa que o governo, através de novas lideranças políticas que estão surgindo, seja capaz de aumentar a entrega de novas vacinas para a população, "que até esse momento tem sido ínfima".

    Servidor público manipula dose de vacina da Oxford/AstraZeneca contra COVID-19, em Brasília, 23 de janeiro de 2021
    © Foto / Agência Brasil / Tomaz Silva
    Servidor público manipula dose de vacina da Oxford/AstraZeneca contra COVID-19, em Brasília, 23 de janeiro de 2021
    "Se olharmos quantas pessoas são vacinadas por dia no Brasil é uma quantidade mínima porque não há vacina. Se houvesse vacina para todo mundo, com o nosso sistema de saúde que é maravilhoso, o SUS é maravilhoso, nós podíamos fazer mais de um milhão de vacinações por dia, tranquilamente", avaliou o médico.

    Ele finalizou dizendo que EUA e Inglaterra — que não têm um sistema tão bom como no Brasil — estão fazendo mais de 1 milhão de vacinações por dia. "Nós não fazemos porque não temos a vacina. Se elas surgirem, imunizar a população é o de menos, o que falta é o imunizante".

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    COVID-19 no Brasil no final de fevereiro de 2021 (64)

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    Tags:
    vacinação, vacina, COVID-19, pandemia, saúde, Brasil
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