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Passos de Biden dirão se Brasil acertou ao retirar queixa sobre a Bombardier, diz economista

© Folhapress / Lucas Lacaz RuizFábrica da Embraer em São José dos Campos, interior de São Paulo.
Fábrica da Embraer em São José dos Campos, interior de São Paulo. - Sputnik Brasil, 1920, 19.02.2021
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O Brasil retirou uma queixa comercial contra a Bombardier, rival histórica da Embraer, sinalizando uma mudança de postura que reflete transformações políticas e de mercado. Para discutir as consequências do ato, a Sputnik Brasil ouviu o especialista em aviação civil Ricardo Balistiero.

Na quinta-feira (18), o Brasil suspendeu uma queixa comercial feita em 2017 contra o Canadá na Organização Mundial do Comércio (OMC). A denúncia apontava que o jato Bombardier CSeries teria recebido US$ 3 bilhões (R$ 16,18 bilhões) em subsídios considerados desleais, mas não passou dos debates processuais. A CSeries foi vendida em 2017 para a Airbus e rebatizada como A220.

Com a suspensão da queixa, o Brasil defende negociações mais amplas entre os países produtores de aviões, com o objetivo de impedir disputas comerciais entre fabricantes comerciais que passem por cima da OMC.

© AP Photo / Dario Lopez-MillsJato E170 da Embraer em São José dos Campos, no interior de São Paulo
Passos de Biden dirão se Brasil acertou ao retirar queixa sobre a Bombardier, diz economista - Sputnik Brasil, 1920, 19.02.2021
Jato E170 da Embraer em São José dos Campos, no interior de São Paulo

Airbus e Boeing, as duas maiores empresas do setor, travam batalhas comerciais tarifárias entre si, enquanto tentam resolver disputas na OMC. Já a brasileira Embraer, que compete no mercado de jatos de porte médio com a Bombardier, rivaliza com a empresa canadense com queixas comerciais.

Para Ricardo Balistiero, economista, coordenador do curso de Administração do Instituto Mauá de Tecnologia e especialista em aviação civil, o movimento brasileiro é de adaptação às mudanças de mercado e no cenário político, buscando chegar a uma plataforma "mais negociada e menos contestatória".

"Parece que o Brasil está apenas acompanhando essa mudança de cenários internacionais, tentando buscar mecanismos mais negociados e menos conflituosos, vamos dizer assim, para tentar resolver as questões que envolvem a competição nesse grande oligopólio, que é o oligopólio de fabricantes de aeronaves no planeta Terra", afirma Balistiero em entrevista à Sputnik Brasil.

Segundo o especialista em aviação civil, com a nova postura do Brasil, a rivalidade da Embraer com a Bombadier foi afetada e deve ser deslocada em direção à Airbus, uma vez que a empresa francesa se tornou a fabricante de aeronaves que eram antes fabricadas pela canadense.

"Então, tenho a impressão que isso esfria um pouco esse contencioso que o Brasil tinha com o Canadá historicamente por conta da rivalidade entre as duas companhias", afirma Balistiero, acrescentando que também é necessário ter atenção aos resultados dos conflitos entre a Boeing e a Airbus.

O pesquisador vincula as consequências da retirada da queixa do Brasil contra a Bombardier com as mudanças na Casa Branca, uma vez que se espera do governo do presidente dos EUA, Joe Biden, uma postura diferente da gestão anterior com relação ao comércio internacional.

"Isso porque, ao contrário do que acontecia com a gestão [do ex-presidente dos EUA, Donald] Trump, que era uma gestão muito mais protecionista, os primeiros sinais emitidos pelo novo governo democrata são de uma busca por negociações multilaterais, não virando as costas para as entidades multilaterais. Então, tenho a impressão que esses passos dados pelo governo Biden vão dizer se o Brasil ganhou ou perdeu com o cancelamento da queixa contra o Canadá", avalia o economista.
Passos de Biden dirão se Brasil acertou ao retirar queixa sobre a Bombardier, diz economista - Sputnik Brasil, 1920, 19.02.2021
Jato Global 6000 da Bombardier

Para Balistiero, a queixa brasileira em 2017 poderia ser considerada "muito procedente", sendo que havia subsídios para a Bombardier. Com as mudanças, ele considera que o Brasil busca se adaptar por meio de entendimentos não conflituosos no mercado de aeronaves. O professor também critica o uso de subsídios governamentais nas empresas e aponta que essa política gera ineficiência.

"Agora, o apoio governamental é importante. Até para que os grupos empresariais possam se firmar e aí possam andar com as próprias pernas. O modelo asiático é bastante emblemático nisso. Todos os grandes conglomerados industriais asiáticos foram bastante apoiados pelo governo e, hoje, andam com suas próprias pernas. Isso é uma estratégia empresarial bem-sucedida, a malsucedida é aquela que deixa a empresa viciada, e aí nós apenas criamos e perpetuamos ineficiência", conclui.
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