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    Em entrevista, o ex-prefeito de São Paulo afirmou também que o antibolsonarismo é, atualmente, "muito maior" que o antipetismo.

    Em entrevista ao UOL, publicada nesta quarta-feira (10), o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) falou, entre vários assuntos, sobre a sua possível candidatura à presidência nas eleições de 2022, sobre uma possível frente ampla contra Bolsonaro nas eleições e sobre o impeachment do presidente da República.

    Sobre o atual presidente, Haddad disse que considera a eleição de Jair Bolsonaro "o maior erro da história da República". "Daqui a cem anos nós vamos lembrar o erro que nós cometemos", disse o petista, que obteve 44,87% dos votos e foi derrotado nas urnas por Bolsonaro em 2018, que somou 55,13%.

    "É um escândalo um país como o Brasil ser presidido por uma pessoa dessa qualidade. É um escândalo mundial. O Brasil está fora, completamente fora do circuito, por causa da presidência do Bolsonaro", afirmou Haddad.
    Presidente Jair Bolsonaro discursa durante cerimônia no Palácio do Planalto
    © REUTERS / Adriano Machado
    Presidente Jair Bolsonaro discursa durante cerimônia no Palácio do Planalto

    Na última quinta-feira (4), Haddad disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o pediu para que ele fosse candidato à Presidência da República mais uma vez em 2022. Guilherme Boulos (PSOL), candidato derrotado nas eleições para a prefeitura de São Paulo, fez uma crítica à decisão do PT, dizendo que, antes de nomes de candidatos, a oposição precisa neste momento de ideias e projetos.

    Na entrevista desta quarta-feira (10), Haddad questionou ser um "candidato poste" indicado por Lula. Ele defende que o PT não deve ficar aguardando a decisão da Justiça sobre a elegibilidade do ex-presidente.

    "O PT tem que ficar imobilizado até esperar uma decisão que não vem? Esse habeas corpus faz dois anos que não é julgado. Enquanto isso, o PT fica imobilizado e o Bolsonaro em campanha. Eu vou colocar o bloco na rua e já tomei as providências na minha vida privada para ficar totalmente disponível para esse projeto. Não há possibilidade de gerar intriga dentro do PT", disse Haddad.

    O ex-prefeito criticou, ainda, a passividade de outros partidos sobre o que ele chama de "injustiça" que vem sendo cometida contra Lula, que não pode se candidatar. Ele afirmou que "todo mundo já sabe" que o julgamento de Moro foi parcial e que o ex-juiz atuou a favor de Bolsonaro, de olho em um cargo no governo, possivelmente como ministro do Supremo Tribunal Federal.

    "Por que o PSDB não vem a público e diz: 'Gente, deixa o Lula, ou outro petista, concorrer à eleição livremente'? É muita violência. Não tem um gesto da direita, dita democrática, em relação a uma violência que está sendo cometida. Que tanto medo as pessoas têm? De uma pessoa que ficou oito anos na Presidência da República sem atentar contra uma instituição, sobretudo contra aquelas que tinham o dever de combater a corrupção, como ele promoveu. Não tem cabimento isso", avaliou Haddad.
    Sergio Moro e Deltan Dallagnol, procurador federal e coordenador da Lava Jato no MPF, participam do Fórum Mãos Limpas & Lava Jato (foto de arquivo)
    © Folhapress / Jorge Araújo
    Sergio Moro e Deltan Dallagnol, procurador federal e coordenador da Lava Jato no MPF, participam do Fórum Mãos Limpas & Lava Jato (foto de arquivo)

    Haddad foi perguntado sobre um cenário hipotético em 2022, em um segundo turno com Bolsonaro de um lado e o governador João Doria (PSDB) ou o apresentador Luciano Huck, de outro. O petista afirmou que o adversário de Bolsonaro deve ganhar o apoio de outros partidos, seja quem for.

    "Um acordo público para não acontecer o que aconteceu em 2018, qualquer que seja o representante das oposições. Porque quem tem que responder essa pergunta é quem votou no Bolsonaro no segundo turno, conhecendo o Bolsonaro. Não pode ser um compromisso só do PT, tem que ser um compromisso geral. É um compromisso das oposições que esse projeto está destruindo o país? Então nós temos condição de conversar", disse Haddad.

    Sobre o impeachment de Jair Bolsonaro, Haddad pôs panos quentes na possibilidade de troca no comando do governo federal. Segundo ele, para que o impedimento fosse realmente possível, as conversas deveriam ter sido iniciadas anteriormente.

    "A minha avaliação é que ficou muito mais difícil agora discutir o impeachment porque já estamos na segunda metade do mandato, e o Bolsonaro, via Centrão, simplesmente loteou o governo e se fortaleceu, para manter não só o seu mandato, mas para blindar seu filho Flávio Bolsonaro", declarou Haddad.

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    Presidência da República, presidência, eleições, eleição, Brasil, impeachment, Sergio Moro, Sérgio Moro, Lula, PT, Bolsonaro, entrevista, Fernando Haddad
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