01:37 25 Setembro 2021
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    Uma comitiva do governo federal, liderada pelo ministro das Comunicações, Fábio Faria, iniciou na terça-feira (2) uma viagem a cinco países da Europa e Ásia para tratar da implementação, no Brasil, da tecnologia 5G, a quinta geração de comunicação móvel.

    Faria explicou que estão marcados encontros com dirigentes de empresas de telecomunicações e reuniões governamentais na Suécia, Finlândia, Coreia do Sul, no Japão e na China. O objetivo é conhecer modelos internacionais para aprimorar o desenvolvimento dessa tecnologia no Brasil.

    O engenheiro de Telecomunicações Carlos Alberto Malcher, professor da Faculdade de Engenharia da UFF (Universidade Federal Fluminense), elogiou a iniciativa da comitiva do governo federal de conhecer as empresas de telecomunicações, mas disse que a chave da escolha está na forma como a tecnologia será implementada.

    "Todas essas empresas já têm uma grande presença no Brasil. [...] Todas elas têm capacidade de prover essa tecnologia. Acredito que a resposta se dê muito mais na forma como isso vai ser feito do que na empresa em si. Qualquer uma dessas poderia atender ao mercado brasileiro", afirmou à Sputnik Brasil.

    A previsão é que o leilão das faixas de radiofrequência destinadas à conexão do 5G aconteça ainda no primeiro semestre deste ano. O certame será realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

    ​Malcher comentou que as redes 5G permitem uma maior velocidade de conexão, mas que poucas pessoas e órgãos vão se beneficiar da implementação desse tipo de tecnologia em um primeiro momento.

    "A rede 5G oferece, como todo mundo está falando, uma capacidade de transmissão muito maior e uma latência muito menor. Onde a capacidade de transmissão é o que a gente chama de banda passante, e a latência é o tempo que leva para você conseguir fazer acesso à rede, transmitir seus dados e os dados chegarem ao outro lado", explicou.

    'Não basta apenas aderir a uma rede privativa'

    Uma portaria publicada no fim de janeiro pelo governo Bolsonaro passou a exigir da empresa vencedora do leilão a criação de uma rede privativa para o governo federal, formada por uma rede móvel no Distrito Federal, e uma infraestrutura de fibra óptica para prédios públicos fora de Brasília.

    Carlos Alberto Malcher entende que a preocupação do governo tem a ver com quem terá acesso às informações trocadas pela rede oferecida, bem como a garantia de que a rede vai funcionar ininterruptamente.

    "Usar uma rede para o Judiciário, para fazer videoconferências, transmitir processos, é uma coisa. Usar uma rede para transmitir informações de defesa, ou para acionar mecanismos de forças de defesa em outro local do país é outra. Não é simplesmente achar que vão fazer uma rede privativa baseada em operadoras de telefonia e que isso vai resolver todos os problemas do país, não vai", afirmou.
    Ministro das Comunicações Fábio Faria
    © Folhapress / Mateus Bonomi
    Ministro das Comunicações Fábio Faria

    O especialista lembra que, mesmo que a escolha seja feita com base na segurança, não existem garantias de que a privacidade sempre será respeitada.

    "Lembre-se que lá no governo Obama nós tivemos um caso em que comunicações da Alemanha e do Brasil foram monitoradas pelos Estados Unidos. Não é uma característica do chinês, do japonês ou do americano, não é particularidade de nenhum desses países monitorar as comunicações dos outros. Isso pode acontecer com qualquer país", completou.

    Em 2013, o ex-técnico da CIA Edward Snowden revelou que milhões de e-mails e ligações de brasileiros e estrangeiros em trânsito no país foram monitorados. Ainda segundo os documentos, uma estação de espionagem funcionou em Brasília pelo menos até 2002.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Brasil, leilão, 5G, tecnologia 5G, Anatel, Huawei, Nokia, Telecomunicações, Agência Nacional de Telecomunicações
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