22:26 06 Maio 2021
Ouvir Rádio
    Brasil
    URL curta
    Brasil contra coronavírus no início de fevereiro de 2021 (64)
    5311
    Nos siga no

    O governador do estado da Bahia, Rui Costa (PT), afirmou à Sputnik, que a "burocracia irracional" está impedindo a aprovação da vacina russa Sputnik V contra COVID-19 no Brasil.

    "Infelizmente, a burocracia nacional não ajudou e este estudo acabou não sendo feito no Brasil", afirmou à Sputnik, o governador do estado da Bahia, Rui Costa (PT).

    Anteriormente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária do Brasil (Anvisa) devolveu os documentos submetidos pelo laboratório União Química para o pedido de uso emergencial da vacina Sputnik V contra a COVID-19, alegando a falta de requisitos mínimos, como a "falta de autorização para a condução dos ensaios clínicos" e "questões relativas às boas práticas de fabricação".

    Por sua vez, Rui Costa ao falar sobre seus esforços para ampliar a disponibilidade de vacinas, afirmou não entender esta burocracia, afirmando que a exigência por um estudo no Brasil "não faz o menor sentido em meio a uma pandemia que já levou a vida de mais de 220 mil pessoas".

    "A população brasileira quer que a Anvisa analise os estudos e diga se a vacina é segura ou não, se é eficaz ou não, e não que adote esta postura burocrática, irracional, de se negar a analisar os estudos enquanto não tiver um estudo de caso no Brasil. Isso não valoriza e não privilegia a vida humana, que deveria ser o mais relevante, salvar vidas", enfatizou.

    O governo da Bahia assinou, em agosto de 2020, um acordo com o Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI, na sigla em russo), que administra o desenvolvimento da vacina, para fornecimento de 50 milhões de doses.

    "Estamos aguardando ansiosos e estamos confiantes de ter uma resposta positiva, inclusive depois da publicação dos estudos da revista Lancet, que é uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo", citou, ao ser questionado sobre suas expectativas com relação ao acesso à vacina.

    De acordo com a renomada revista científica The Lancet, a Sputnik V é segura e eficaz, além de assegurar proteção imunológica de 100% para casos graves.

    O governador também fez questão de ressaltar que toda esta exigência que está atrapalhando a luta pela imunização da população brasileira é um grande paradoxo.

    "Fica um paradoxo, pois se estamos aplicando no povo brasileiro a vacina CoronaVac, que tem um pouco mais de 50% de eficácia e não publicou seus estudos, então porque não analisar uma vacina que já tem uma publicação de seus estudos e que tem cerca de 92% de eficácia [...] este tipo de decisão não tem a menor racionalidade e bom senso", expressou.

    O governador baiano também afirmou não ter a menor dúvida de que há um preconceito e questão política envolvendo as exigências ligadas às vacinas russas e chinesas.

    "Não tenho a menor dúvida disso, tanto é que a mesma dificuldade não foi imposta a outras vacinas, é evidente um cunho ideológico de preconceito contra a ciência e a pesquisa realizada, quando de origem chinesa e russa, o preconceito de racionalidade é evidente. A negação da ciência não tem cabimento no mundo atual, e com certeza, não será legitimada pela Justiça brasileira", disse.

    Rui Costa também ressaltou as falhas nas ações do governo Bolsonaro, com uma péssima gestão da pandemia, insistindo em uma postura negacionista e não reconhecendo a letalidade da doença, atrapalhando as ações tanto do governo federal quanto estadual.

    "Isso contribuiu para o Brasil hoje ser o segundo país em mortalidade da doença no mundo, pois as sucessivas posturas do governo federal não têm nenhum grau de responsabilidade, não só de não colaborar com os governos estaduais, como inclusive, tentar atrapalhar [...]", explicou.

    Ao ser questionado sobre a credibilidade da Anvisa, o governador da Bahia afirmou que o órgão tem um corpo técnico extraordinário, construído ao longo dos anos, uma imagem extremamente positiva no cenário internacional, "mas recentemente sua imagem está sendo comprometida por um aparelhamento de uma visão ideológica e política".

    Diante do ritmo lento da imunização no Brasil, o estado da Bahia pediu ao STF autorização para comprar vacinas que já tenham aval de autoridades sanitárias estrangeiras e a certificação da Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), mesmo sem liberação da Anvisa.

    Uma vez aprovada, o estado da Bahia poderá seguir adiante com acordo para importação de pelo menos 50 milhões de doses do imunizante russo, que seriam distribuídos pelo Consórcio de governadores do Nordeste.

    O uso emergencial da Sputnik V, que tem taxa de eficácia maior do que 90%, foi aprovado em países sul-americanos como Argentina, Bolívia, Venezuela e Paraguai. A União Química entrou com pedido para Anvisa para uso emergencial de 10 milhões de doses.

    Vacinação no Brasil

    Apesar do início da administração das vacinas CoronaVac e de Oxford/AstraZeneca no dia 20 de janeiro, é prematuro falar de uma campanha nacional de vacinação propriamente dita no Brasil, uma vez que o país não dispõe de vacinas suficientes para inocular a população.

    Por enquanto, o país tem 12,8 milhões de doses das vacinas aprovadas pela Anvisa. O volume é suficiente para imunizar cerca de seis milhões dos 80 milhões de brasileiros pertencentes aos grupos prioritários.

    A dificuldade do governo brasileiro em importar vacinas e insumos de países como China e Índia desencadeou uma série de críticas ao chanceler Ernesto Araújo, que teria descuidado da cooperação internacional na área da Saúde.

    Atualmente, o Brasil só reconhece a liberação feita por agências de países como EUA, Japão e União Europeia.

    Tema:
    Brasil contra coronavírus no início de fevereiro de 2021 (64)

    Mais:

    Sputnik V: México assina acordo por 24 milhões de doses da vacina russa contra a COVID-19
    México autoriza uso emergencial da vacina contra COVID-19 Sputnik V
    COVID-19 na América Latina: Nicarágua aprova a Sputnik V e Colômbia dá sinal verde para a CoronaVac
    Tags:
    Anvisa, novo coronavírus, COVID-19, Sputnik V, vacinação, vacina, Brasil, Bahia
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar