04:49 13 Junho 2021
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    O adiamento sobre a definição do leilão do 5G, decisão tomada ontem (1º), ocorreu por pressão de operadoras, preocupadas com uma portaria publicada na sexta-feira (29) pelo governo Bolsonaro com regras que devem ser cumpridas pelas companhias vencedoras do certame.

    Desde que o governo Bolsonaro decidiu que as teles contempladas na disputa do leilão de 5G cumpram algumas (novas) condições, a avaliação de fontes do mercado é de que as exigências podem encarecer a implantação da infraestrutura no país, escreve o jornal O Globo.

    Fontes do setor ouvidas pela reportagem dizem que a lista de exigências torna a quinta geração "impagável". Diante da reação, há expectativa de que o Ministério das Comunicações publique uma nova portaria com outras regras nos próximos dias.

    Uma das principais reclamações do setor foi a exigência de criar uma rede privativa para o governo federal, formada por uma rede móvel no Distrito Federal e uma infraestrutura de fibra óptica para prédios públicos fora de Brasília.

    Funcionários da EllaLink fazem ajustes no cabo de fibra óptica
    © Foto / Divulgação
    Funcionários fazem ajustes no cabo de fibra óptica
    O documento não traz um bloqueio explícito à Huawei, mas exige que, para essa rede governamental, fornecedores tenham "padrões de governança corporativa compatíveis com os exigidos no mercado acionário brasileiro". A publicação cita um analista que classificou a ideia do governo como uma "forma bonita" de proibir a companhia chinesa no Brasil.

    O tamanho dessa rede para o governo e a sua capilaridade ainda são uma incógnita, o que também preocupa o setor. A reportagem sustenta que o fato da chinesa Huawei não poder ser contratada para a implantação da rede para o governo aumentaria os custos de uma eventual construção.

    Um logotipo da Huawei é exibido em uma loja de eletrônicos em Hong Kong.
    © AP Photo / Kin Cheung
    Um logotipo da Huawei é exibido em uma loja de eletrônicos em Hong Kong.
    Outra reclamação de parte das empresas foi sobre exigências de implantação de redes de alta velocidade em regiões isoladas do país, como a necessidade de espalhar uma infraestrutura em fibra óptica por rios da região Norte e fornecer conexão nas estradas.

    As empresas defendem que a tecnologia do 5G tem que ser implementada passo a passo, e não de uma vez só. Integrantes da Anatel defendem a exigência, por outro lado, afirmando que o 5G só será instalado em sua plenitude se essa tecnologia for implementada desde já.

    Apesar do adiamento sobre o edital, por pedido de vista do presidente da Anatel, Leonardo Euler de Morais, votaram pela aprovação o relator do caso, Carlos Baigorri, e outros dois conselheiros. Com três votos favoráveis, já há maioria para a aprovação do edital, mas conselheiros podem mudar o voto ao longo da análise.

    O leilão

    O governo vai licitar quatro blocos de espectro para a tecnologia 5G no Brasil: 700 megahertz (MHz); 2,3 gigahertz (GHz); 3,5 GHz; e 26 GHz. A quantidade de blocos e faixas fará do leilão do 5G o maior já realizado no Brasil e uma das maiores licitações de espectro do mundo.

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    Tags:
    Anatel, Agência Nacional de Telecomunicações, Telecomunicações, tecnologia 5G, 5G, Brasil
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