21:48 25 Fevereiro 2021
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    Brasil lidando contra COVID-19 no final de janeiro de 2021 (92)
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    Jair Bolsonaro celebrou ontem (25) em suas redes sociais a informação da embaixada chinesa de que 5,4 mil litros de insumos para a vacina CoronaVac serão enviados ao Brasil até 3 de fevereiro. O que na prática isso representa? Especialista em doenças infecciosas, Alessandro Pasqualotto explicou à Sputnik Brasil.

    O governo de São Paulo anunciou que a matéria-prima para a fabricação da CoronaVac vai chegar na quarta-feira (3) da semana que vem, o suficiente para quase nove milhões de doses. O desembarque dos insumos deve acontecer com quase um mês de atraso. Eles deveriam ter chegado da China no dia 6 de janeiro.

    O contrato entre o Instituto Butantan e a Sinovac previa um lote de 11 mil litros, mas, a pedido da fabricante chinesa, a remessa foi divida em duas.

    O presidente Jair Bolsonaro celebrou na última segunda-feira (25) a chegada do material da China. Segundo ele, os insumos já estão em área aeroportuária "para pronto envio".

    O episódio envolveu, no último dia 22, até mesmo uma chamada telefônica do brasileiro com o presidente da China, Xi Jinping. Bolsonaro teria orientado que o Ministério de Relações Exteriores do Brasil tentasse realizar uma conversa com as autoridades em Pequim.

    Ainda no dia 25, Yang Wanming respondeu ao presidente do Brasil na mesma rede.

    ​Enquanto o Brasil, em especial o instituto Butantan, depende da liberação de uma nova remessa de insumos da China para retomar o envase de doses da CoronaVac em São Paulo, a Sputnik Brasil conversou com o professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, Alessandro Pasqualotto, para compreender o cenário de vacinação em massa no Brasil, assim como a importância dos recursos enviados pela China.

    Para Pasqualotto, "o que são 5.400 litros de ingredientes farmacêuticos ativos? Eu não sei. Eu não sei quanto disso é usado para cada unidade de vacina. Ao invés de informar os 5.400 litros, o governo deveria informar quantas vacinas efetivamente vão se fazer a partir desse material. Porque do contrário não há como compreender o que significa esse volume todo. Aparentemente, pelo o que diz a mídia, isso é o suficiente para 8,5 milhões de doses da CoronaVac".

    Militares desembarcam lote da vacina Coronavac no Distrito Federal
    © Folhapress / Pedro Ladeira
    Militares desembarcam lote da vacina Coronavac no Distrito Federal

    O professor ainda relembrou que, em razão do tamanho da população do estado de São Paulo, os insumos enviados pela China podem ser insuficientes.

    "A população de São Paulo é muito maior do que esta [quantidade de vacinas], ainda mais se considerarmos que são duas doses. Infelizmente, o Brasil não produz uma vacina. Muito é enunciado que é a vacina do Butantan, a vacina da Fiocruz, mas isso é só envasado no Brasil. Tudo vem de fora. E o Brasil está hoje dependendo da boa vontade diplomática de seus parceiros comerciais, em especial a China e a Índia, e outros fabricantes pelo mundo afora. Nossa situação atual é de dependência", afirmou.

    © Folhapress / Edmar Barros / Futura Press
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    Vacinação em massa

    Pasqualotto explicou que, "para os grupos prioritários, profissionais da Saúde, idosos, mesmo acima de 75 ou 70 anos, e indígenas, possivelmente esta quantidade seja o suficiente. Mas a demanda é muito maior".

    Em uma previsão, ele afirmou que "para que a vacina efetivamente reduza a transmissão da doença, vai ter que ocorrer um momento onde mais da metade de toda população esteja vacinada. Então é muito possível que passemos todo ano de 2021 ainda na expectativa de algumas pessoas serem vacinadas".

    A enfermeira Mariana Gigante exibe, orgulhosa, comprovante de vacinação contra coronavírus do SUS. Ela foi imunizada no Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói
    ©Acervo Pessoal
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    Em meio à possibilidade do Brasil chegar ao fim de 2021 sem uma campanha de vacinação, o especialista em doenças infecciosas fez um alerta: "vejam que interessantes os dados dos estudos das vacinas. As pessoas não adoecem de modo grave, e elas não morrem de COVID-19. Mas muitas delas, quando pegam a COVID-19, a chance é reduzida de ter doença, mas pode ter doença leve, e pode ter doença muito leve ou mesmo assintomática. Ou seja, muita gente vai continuar transmitindo a COVID-19 mesmo tendo a vacina".

    "Por esse motivo, reforço: é muito importante que sigamos com as medidas de distanciamento social e o uso de máscaras. Especialmente o distanciamento, preferindo sempre ambientes abertos e ventilados. Até que metade da nossa população seja vacinada, nós precisaremos manter essas medidas para proteger as pessoas que gostamos", concluiu.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Brasil lidando contra COVID-19 no final de janeiro de 2021 (92)

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    Tags:
    vacinação, Vacina CoronaVac, Ernesto Araújo, Jair Bolsonaro, Brasil, vacina, COVID-19
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