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    COVID-19 no Brasil em meados de janeiro de 2021 (97)
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    As previsões do secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde e do governo do Estado de São Paulo davam esta sexta-feira (15) como a data para o início da vacinação contra a COVID-19 no Brasil.

    Enquanto vários países do mundo já iniciaram campanhas de vacinação contra a COVID-19, o Ministério da Saúde marcou para a próxima quarta-feira (20) o início da imunização, segundo a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), afirmando que a promessa foi feita pelo ministro Eduardo Pazuello em reunião nesta quinta-feira (14).

    ​Para discutir o tema, a Sputnik Brasil conversou com o biólogo e virologista Davis Fernandes Ferreira, professor do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ele afirmou que o Brasil é um dos países que tem mais experiência em campanhas de vacinação no mundo, mas é muito difícil relacionar todos os fatores que envolvem a demora para o início do processo.

    "Cada país tem seu momento certo ou condições certas para que tal campanha aconteça. Tem países que só consideraram uma dose, outros em que a produção está em seu próprio território, outros onde estão sendo avaliadas várias vacinas. Situações políticas e burocráticas também influem no processo", disse o especialista.

    Todos esses fatores refletem nessa demora, segundo Ferreira. Para ele, a vacina não é a solução rápida para a pandemia, tendo ainda que se esperar alguns fatores como o tempo que os anticorpos vão durar no organismo e quais as vacinas que efetivamente vão ser distribuídas, e se sua eficácia vai corresponder ao que foi visto nos estudos clínicos.

    "Também precisamos saber se a população vai responder à própria campanha de vacinação. Ainda vamos demorar um tempo para que uma porcentagem muito grande da população seja vacinada, porque não há vacinas para todos", continuou o virologista.

    Em quanto tempo após a vacina uma pessoa fica protegida?

    Para Ferreira, é muito difícil saber por quanto tempo os anticorpos vão se manter após a vacinação, e também qual vai ser a resposta das células de memória, o quão efetivo esse processo vai ser ao longo de vários meses. Outra questão importante são as variantes virais do SARS-CoV-2 que vão aparecendo, pois não se sabe o quanto essas mutações podem fugir da cobertura da vacina.

    Campanha de vacinação contra COVID-19
    © REUTERS / Pedro Nunes
    Campanha de vacinação contra COVID-19
    "Isso tudo está sendo estudado agora. Há pessoas que não reagem à vacina, não criam anticorpos, não se sabe por quanto tempo os anticorpos perduram no organismo etc. Enquanto essas respostas não vierem, mesmo as pessoas vacinadas devem manter os hábitos de distanciamento social e proteção individual, até que as autoridades de saúde verifiquem que os casos estão diminuindo e as internações hospitalares caindo", explicou Ferreira.

    Segundo ele, vamos ainda passar o ano de 2021 lutando contra a doença e a vacinação vai começar a ser aplicada nas outras faixas de população somente a partir de meados do ano, e ao longo da segunda metade, quando os estudos e confirmações vão começar a aparecer.

    "Acredito que ainda esse ano vamos continuar usando máscaras, lidando talvez com aumento de casos, notícias de novas mutações virais. Vemos um 2021 ainda lidando com esse problema e vamos torcer para que seja o mais breve possível", disse Ferreira.

    Críticas à Anvisa

    O especialista disse que "gosta de pensar que a Anvisa é uma agência séria. Temos várias vacinas aprovadas em tempo recorde e tudo tem que ser analisado com cuidado. Então a gente não sabe quando esses dados chegaram à Anvisa".

    Ele opinou que prefere uma análise séria dos dados, dos resultados, porque como foi tudo feito com muita rapidez é preciso ter paciência para avaliar os resultados dentro do país. O virologista se absteve de fazer críticas ao tempo que a Anvisa está levando para autorizar as vacinas contra a COVID-19.

    ​Ele diz que não vê a demora da Anvisa como algo ruim, contanto que as análises estejam sendo feitas com o máximo de cuidado possível. Enquanto isso, o especialista disse que deve ser feito um acompanhamento do que está acontecendo nos outros países que já começaram a vacinar.

    "Esse vírus se comporta de acordo com o comportamento da população, se todos estivessem seguindo as regras de prevenção da forma adequada estaríamos numa situação bem melhor do que estamos agora. Não é somente culpa da população, mas devemos fazer nossa parte para diminuir a circulação do coronavírus", declarou Ferreira 

    Qual deve ser o intervalo entre as duas doses da vacina?

    Os especialistas explicam que geralmente quando se toma a primeira dose da vacina precisa-se de duas semanas para que o organismo monte uma resposta imunológica, para que entre três a quatro semanas seja aplicada a segunda dose.

    Idosos fazem fila para receber vacina contra COVID-19, em Sarasota, Flórida, EUA, 4 de janeiro de 2021
    © REUTERS / Octavio Jones
    Idosos fazem fila para receber vacina contra COVID-19, em Sarasota, Flórida, EUA, 4 de janeiro de 2021
    "Nesta segunda imunização acontece um aumento da resposta imune, dando uma proteção maior como verificada nos exames clínicos. Mas o importante é a população saber que assim que se toma a vacina não se cria anticorpos de forma automática. No período de 14 dias pode-se contrair o coronavírus pois ainda não foram criadas defesas suficientes, os chamados anticorpos neutralizantes, para que o organismo se proteja", finalizou o virologista.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    COVID-19 no Brasil em meados de janeiro de 2021 (97)

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    Tags:
    campanha, vírus, vacina, vacinação, Ministério da Saúde, novo coronavírus, COVID-19, pandemia, doença, saúde, Brasil
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