06:21 23 Outubro 2021
Ouvir Rádio
    Brasil
    URL curta
    Por
    COVID-19 no Brasil em meados de janeiro de 2021 (97)
    0124
    Nos siga no

    A vacina CoronaVac registrou 50,38% de eficácia global nos testes realizados no Brasil. Apesar de não ser o número ideal, o imunizante é adequado para controlar a pandemia, segundo um virologista ouvido pela Sputnik Brasil.

    Nesta terça-feira (12), o Instituto Butantan, que desenvolve a vacina contra a COVID-19 CoronaVac, em parceria com o laboratório chinês Sinovac, anunciou a eficácia global do imunizante.

    O índice de 50,38% se refere à capacidade da vacina de proteger em todos os casos: leves, moderados ou graves.

    O virologista Eduardo Flores, professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), disse que a CoronaVac "não é a vacina ideal, mas é um bom início" para a imunização no Brasil.

    "Precisamos de outras vacinas, mas para esse primeiro momento certamente vai ajudar a controlar a pandemia", afirmou.

    O índice mínimo de eficácia recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e também pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é de 50%.

    Ao fazer o anúncio em coletiva de imprensa, o diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, pediu para que a Anvisa aprove o uso emergencial da vacina.

    Nesta quarta-feira (13), o governador de São Paulo, João Doria, disse esperar que a agência aprove o uso emergencial da CoronaVac por uma questão humanitária.

    Eduardo Flores explicou que a CoronaVac pode reduzir o número de hospitalizações.

    "Mesmo que não tivermos um percentual muito grande de pessoas vacinadas, vai reduzir bastante as internações, os casos de doença graves, e consequentemente vai reduzir muito a mortalidade. É a [vacina] que temos para o momento, não é a vacina ideal, mas é uma vacina boa, não tenha dúvida", declarou.

    ​A Anvisa marcou para domingo (17) uma reunião dos diretores da agência para decidir sobre a autorização de uso emergencial de vacinas contra a COVID-19.

    Atualmente, a agência analisa os pedidos feitos pelo Butantan para a CoronaVac e outro feito pela Fiocruz para a vacina feita pela farmacêutica AstraZeneca e Universidade de Oxford.

    'Governo de São Paulo errou ao divulgar dados da CoronaVac parcialmente'

    A divulgação dos dados de eficácia da CoronaVac pelo governo de São Paulo foi adiada e alterada diversas vezes. Inicialmente, o governo estadual afirmou que divulgaria a eficácia de estudo preliminar da CoronaVac em 15 de dezembro, quando pediria o registro emergencial à Anvisa. Depois, mudou os planos e anunciou que solicitaria o registro definitivo da vacina e que a eficácia seria anunciada em 23 de dezembro.

    A gestão de João Doria mudou outra vez os planos e decidiu pedir o registro emergencial sem apresentar os dados da eficácia do imunizante.

    O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o presidente do Butantan, Dimas Covas, e o secretário de Saúde do Estado, Jean Gorinchteyn, durante a chegada de mais um lote de 1,9 milhões de doses da vacina Coronavac no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.
    © Folhapress / Suamy Beydoun/Agif
    O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), o presidente do Butantan, Dimas Covas, e o secretário de Saúde do Estado, Jean Gorinchteyn, durante a chegada de mais um lote de 1,9 milhões de doses da vacina Coronavac no Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo.

    No dia 7 de janeiro, o governo de São Paulo afirmou que a Coronavac teve eficácia de 78% para a prevenção de casos leves de COVID-19 e de 100% para casos graves no estudo.

    Após críticas sobre a falta de explicação do governo sobre como chegou aos números, o Butantan convocou a imprensa nesta terça-feira (12) para disponibilizar os dados completos e a eficácia global.

    Para Eduardo Flores, a estratégia do governo de João Doria na divulgação dos dados foi equivocada.

    "Deveriam ter sido divulgados todos os dados, como foi ontem, e não aos poucos. Isso gerou uma certa expectativa infundada, porque aqueles dados iniciais indicavam 78% de eficácia e esses finais indicam 50,38%. Faltou transparência, faltou 'timing' e faltou uma estratégia de divulgar os dados de uma vez", afirmou.

    Eficácia menor não 'mina' expansão da CoronaVac no Brasil

    A divulgação da eficácia global de 50,38% não deve ser impeditivo para se atrase a vacinação da população com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan, de acordo com o virologista.

    "É a [vacina] que nós temos no momento e nós temos que começar a vacinar com ela. Não sabemos se teremos outra tão logo, ela é uma boa vacina, ela vai nos socorrer neste momento, mas certamente temos que começar a vacinar com ela", declarou Flores.

    Segundo o especialista, o que pode ocorrer é que os brasileiros tenham que tomar uma outra vacina mesmo já tendo se vacinado com a CoronaVac e que a eficácia global não deve atrapalhar a expansão da vacina.

    "Em um segundo momento, daqui a uns dois, três meses quando tivermos uma melhor vacina a gente complementa a vacinação. Eu acho que não vai minar a expansão, acho que se nós tivéssemos hoje 50 milhões de doses da Coronavac iríamos usá-las", completou.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    COVID-19 no Brasil em meados de janeiro de 2021 (97)

    Mais:

    Com 1.109 novas mortes, Brasil chega a 204.726 óbitos pela COVID-19
    Após longa internação por COVID-19, morre prefeito eleito de Goiânia
    Bolsonaro 'sabotou' esforços contra COVID-19, diz ONG Human Rights Watch
    Deterioração ambiental é mais ameaçadora do que 'trumpismo ou COVID-19', avisa ambientalista
    Cientistas apresentam prognóstico sobre futuro da COVID-19 nos próximos 10 anos
    Tags:
    COVID-19, novo coronavírus, vacina, Vacina CoronaVac, vacinação, imunidade, imunização, imunizante, pandemia, São Paulo, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar