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    COVID-19 no Brasil em meados de janeiro de 2021 (97)
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    Nos últimos 14 dias, o Amazonas viu alta de 72% nas contaminações e 80% nas mortes causadas pela COVID-19 no estado. Para um imunologista ouvido pela Sputnik Brasil, o crescimento pode ser atribuído às aglomerações ocorridas durante as festas de fim de ano.

    O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, foi a Manaus nesta segunda-feira (11) para anunciar um plano de contingência da COVID-19 para o Amazonas.

    De acordo com o ministro, entre as iniciativas estão a reorganização do atendimento nos postos de saúde e hospitais, o recrutamento de profissionais de saúde e a abertura de leitos de UTI. Além dessas medidas, informou que haverá envio de equipamentos, insumos e medicamentos. O evento foi realizado no Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques.

    "Minha posição aqui é de apoio. Eu sou o apoio, vou apoiá-los com minhas equipes, com tudo que vocês precisarem. E com o conhecimento que adquirimos ao longo do último ano", disse Pazuello.

    O ministro participou da entrega de dez leitos de UTI e 118 leitos clínicos no Hospital Universitário Getúlio Vargas, em Manaus.

    Para o especialista em bioquímica e imunologia, Marco Antonio Stephano, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), a ajuda do governo federal ao Amazonas é positiva, mas não deve suprir totalmente as necessidades do estado neste momento.

    "Não é suficiente porque os casos estão muito mais altos do que isso. Essa alta é uma consequência das festas. Passamos nove dias do fim das festas de Ano Novo e nós estamos vendo os casos subirem", afirmou.

    Em todo o Amazonas, os hospitais tanto da rede pública quanto da rede privada encontram-se com mais de 90% dos leitos ocupados, sejam normais ou de UTI.

    Para Pazuello, o sistema de saúde amazonense precisa focar em diminuir a entrada de outras doenças nos hospitais. "Precisam ser tomadas medidas para diminuir a entrada nos hospitais de outras doenças, acidentes, assaltos e tiroteios. Nós temos que tentar diminuir a entrada [dessas outras doenças], porque a entrada da COVID-19 a gente não domina", disse o ministro.

    Segundo Stephano, a fala do ministro é correta e o estado precisa suspender as cirurgias eletivas.

    "Uma vez que as UTIs estão lotadas, você não vai fazer uma cirurgia que pode dar errado e que corre o risco de ter que colocar um paciente em UTI sem ter vaga para ele. Você acaba provocando duas mortes: a da pessoa com COVID-19 e a da pessoa que está passando por uma cirurgia eletiva", explicou.

    'Aplicativo não deve substituir médico'

    Durante o evento, o Ministério da Saúde lançou o aplicativo TrateCOV, ferramenta que vai implantar um novo método científico para detectar casos de COVID-19 nos postos de saúde.

    Sem dar muitos detalhes, o governo federal informou que o aplicativo vai utilizar "um protocolo clínico para fazer um diagnóstico rápido da doença". Manaus será a primeira cidade brasileira a testar o TrateCOV.

    O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante a apresentação do Plano Estratégico de Enfrentamento à COVID-19 no Amazonas
    © Foto / Euzivaldo Queiroz/Divulgação/Ministério da Saúde
    O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante a apresentação do Plano Estratégico de Enfrentamento à COVID-19 no Amazonas

    Stephano alertou que a novidade pode ser uma importante ferramenta para passar informações corretas aos pacientes, mas que não deve substituir a consulta médica.

    "Em função dos sintomas que estão sendo apresentados, você pode ter uma perspectiva se deve procurar um médico ou não, mas um aplicativo não substitui um médico", comentou.

    Para o professor da USP, o TrateCOV pode ter efeito de tranquilizar um paciente ao passar as informações corretas sobre a doença.

    "O aplicativo, o atendimento e as informações tranquilizam o paciente. Isso vale a pena. Você ter com quem entrar em contato, com quem conversar, alguém que vai te passar a informação correta. Existe muita informação falsa, existe muita fake news", disse.

    'Manaus deve abrir covas coletivas para as vítimas da COVID-19'

    Entre abril e junho, o maior cemitério público de Manaus teve caixões enterrados, empilhados e em valas comuns por conta do colapso do sistema funerário causado pelo novo coronavírus. Na época, o número de mortes ficou 108% acima da média histórica.

    Familiares enterram corpo de vítima da COVID-19 em Manaus, no Amazonas.
    © REUTERS / Bruno Kelly
    Familiares enterram corpo de vítima da COVID-19 em Manaus, no Amazonas.

    Manaus registrou 130 enterros apenas no último sábado (9). O recorde foi no dia 26 de abril, quando 140 pessoas foram sepultadas.

    O imunologista lembrou que muitas estruturas que foram montadas provisoriamente no Amazonas durante o primeiro pico da COVID-19 no estado acabaram sendo desmontadas, mas podem ser instaladas novamente.

    "Manaus tem condições de abrir covas coletivas como já abriu no passado — começar a fazer isso tudo novamente. O que vai acontecer são enterros rápidos, sem velório, só com a família", disse.

    O prefeito de Manaus (AM), David Almeida (Avante), decretou na semana passada estado de emergência na cidade por 180 dias para tentar conter o aumento do número de casos de COVID-19.

    Apesar da recente alta no número de sepultamentos, Marco Antonio Stephano acredita que o sistema funerário do estado não vai entrar em colapso total novamente.

    "Colapso total [no sistema funerário] eu não acredito que vá acontecer, porque isso consegue ser revertido de uma forma mais rápida. Mas você vai ter que implantar câmaras frigoríficas para manter esses cadáveres, até que seja feita a liberação do corpo, o diagnóstico correto, e tudo isso", analisou.

    O secretário Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) de Manaus, Sabá Reis, em entrevista ao portal G1, afirmou nesta segunda-feira (11) que a cidade não vai ter enterros em valas comuns e anunciou a construção de mais 22 mil lóculos, estruturas verticais popularmente conhecidas como "gavetas", nos cemitérios da cidade.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    sepultamento, infecções graves, infectados, infecção, Ministério da Saúde, mortes, cemitério, pandemia, novo coronavírus, Manaus, COVID-19
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