01:54 12 Abril 2021
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    Justiça do Rio decretou a suspensão da função pública do prefeito do Rio, Marcelo Crivella, preso na manhã desta terça-feira (22). No documento, desembargadora determinou que o prefeito se abstenha de realizar qualquer ato inerente ao exercício do cargo de prefeito.

    Após a prisão do prefeito Marcelo Crivella pelos agentes da Polícia Civil e do MP-RJ em sua residência, no condomínio Península, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, a desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita afirmou que Crivella era o "chefe de uma organização criminosa que atuava dentro da prefeitura".

    Segundo informações do portal G1, a desembargadora enfatizou que, embora restem poucos dias para terminar o mandato, a manutenção de Crivella "no cargo até lá implicaria em riscos à ordem pública". Com a decisão, Jorge Felippe, presidente da Câmara do Rio de Janeiro, assume a prefeitura até a posse de Eduardo Paes.

    Ao determinar a suspensão de função pública do então prefeito carioca, a desembargadora sustenta que "os crimes foram cometidos de modo permanente ao longo de quatro anos de mandato", e começaram a ser planejados ainda durante a campanha eleitoral.

    Crivella diz que seu governo será de austeridade
    Waldemir Barreto/ Agência Senado
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    Segundo Rosa Helena Penna Macedo Guita, apesar do fim do mandato estar próximo, contratos fraudulentos já firmados continuarão ativos, permitindo que os investigados continuem a receber propina das empresas envolvidas no esquema criminoso.

    Além de Marcelo Crivella, foram presos nesta terça-feira (22): Rafael Alves, empresário; Fernando Moraes, delegado aposentado; Mauro Macedo, ex-tesoureiro da campanha de Crivella; Adenor Gonçalves dos Santos, empresário; Cristiano Stockler Campos, empresário da área de seguros.

    Todos os alvos da operação do MP-RJ foram denunciados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e corrupção passiva.

    'QG da Propina'

    A ação que levou à prisão de Crivella é um desdobramento da Operação Hades, que investiga a existência de um suposto 'QG da Propina' na prefeitura do Rio. Os mandados são cumpridos pela Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (CIAF) da Polícia Civil e do Grupo de Atribuição Originária Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça (Gaocrim), do MPRJ.

    Prefeito e candidato Marcelo Crivella (Republicanos) vota nas eleições 2020, na cidade do Rio de Janeiro
    © Folhapress / Saulo Angelo/Futura Press
    Prefeito e candidato Marcelo Crivella (Republicanos) vota nas eleições 2020, na cidade do Rio de Janeiro
    Um inquérito foi aberto no início de dezembro pelo MPRJ, com base na delação do doleiro Sérgio Mizrahy. Ele foi preso na operação Câmbio Desligo, um desdobramento da Lava Jato no Rio. No depoimento, Mizrahy chama um escritório da prefeitura de "QG da propina".

    De acordo com o doleiro, empresas que tinham interesse em fechar contratos ou tinham dinheiro para receber do município procuravam Rafael Alves, com quem deixavam cheques. Em troca, ele intermediaria o fechamento de contratos ou o pagamento de valores que o poder municipal devia a elas.

    Crivella reage e fala em 'perseguição política'

    O prefeito do Rio de Janeiro classificou a ação desta terça-feira (22), deflagrada pela Polícia Civil e o Ministério Público do Rio, como uma "perseguição política". Ele também disse que espera que seja feita a justiça.

    "Lutei contra o pedágio ilegal, tirei recursos do carnaval, negociei o VLT, fui o governo que mais atuou contra a corrupção no Rio de Janeiro", disse Crivella.

    Eduardo Paes se posiciona

    Vencedor do último pleito para alcaide do Rio, Eduardo Paes também comentou a prisão de Marcelo Crivella. Segundo ele, é preciso manter o trabalho de transição.

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    Tags:
    Eduardo Paes, TJ-RJ, MPRJ, MPF, Lava Jato, Brasil, rio de janeiro, Marcelo Crivella
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