13:49 22 Setembro 2021
Ouvir Rádio
    Brasil
    URL curta
    152
    Nos siga no

    Na quarta-feira (16), o Tribunal Regional Federal da Terceira Região (TRF-3) concedeu direito de resposta a seis mulheres que foram vítimas ou tiveram familiares vítimas da Ditadura Militar no Brasil.

    A decisão do tribunal vem após o governo federal classificar como herói, por meio da Secretaria Especial de Comunicação (Secom), o tenente-coronel Sebastião Curió Rodrigues de Moura, conhecido como Major Curió. Curió atuou nos anos 1970 no comando ao combate à Guerrilha do Araguaia e chegou a ser denunciado pelo Ministério Público Federal por tortura, homicídio e ocultação de cadáver.

    Conforme publicou o site da revista Carta Capital, a decisão do desembargador André Nabarrete aponta que a nota da Secom que classificou Curió como herói "está em flagrante descompasso com a posição oficial do Estado brasileiro".

    A ação acatada pelo TRF-3 que pede o direito de resposta é assinada por Laura Petit da Silva, Tatiana Merlino, Angela Mendes de Almeida, Maria Amélia de Almeida Teles, Criméria Alice Schmidt de Almeida e Suzana Lisboa.  Durante o processo da Comissão Nacional da Verdade, em 2014, as seis mulheres foram reconhecidas como vítimas ou familiares de vítimas do regime militar.

    Em Brasília, a porta do gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) com um cartaz dizendo Desaparecidos do Araguaia. Quem procura é e um cachorro com um osso na boca, em 28 de maio de 2009
    © Folhapress / Joedson Alves
    Em Brasília, a porta do gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) com um cartaz dizendo "Desaparecidos do Araguaia. Quem procura é" e um cachorro com um osso na boca, em 28 de maio de 2009

    Ainda segundo o site da revista, o desembargador Nabarrete também detalha na decisão que o Brasil assumiu responsabilidade por mortes e desaparecimentos praticados pelo Estado, incluindo no combate à Guerrilha do Araguaia. A decisão não pede a exclusão da postagem da Secom, mas garante o direito de resposta às vítimas. O órgão do governo federal tem agora dez dias para cumprir a decisão judicial.

    A postagem da Secom foi feita em maio de 2020, um dia após o presidente brasileiro Jair Bolsonaro receber Curió em Brasília.

    ​À época, a reunião de Bolsonaro com Curió foi motivo de polêmica e gerou indignação. O presidente brasileiro é conhecido por ser defensor do regime militar brasileiro e de figuras reconhecidas como torturadores do período, como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

    Mais:

    Senadores rejeitam indicação do governo Bolsonaro para delegação permanente na ONU
    Bolsonaro: presidente da OAB 'não vai querer saber a verdade' sobre sumiço de pai durante ditadura
    'Herói nacional': Bolsonaro volta a exaltar coronel responsável por torturas durante a ditadura
    Reitores eleitos denunciam 'intervenção' de Bolsonaro em universidades que lembra 'ditadura'
    Tags:
    Brasil, Jair Bolsonaro, Ditadura Militar
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar