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    Coronavírus no Brasil no início de dezembro (59)
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    Em entrevista à Sputnik Brasil, o infectologista e pediatra Edimilson Migowski elenca três pilares para frear a disseminação do novo coronavírus no Brasil.

    Há um ano surgia na China o primeiro caso confirmado de COVID-19. No Brasil, o primeiro caso de infecção pelo novo coronavírus foi registrado no dia 26 de fevereiro – ou seja, quase três meses depois do primeiro caso na China.

    Passado um ano após o primeiro caso, a China registra, segundo a Universidade Johns Hopkins, um total 93,7 mil casos de COVID-19 – uma enorme diferença em comparação com o Brasil, que tem 6,6 milhões de casos.

    Para o infectologista e pediatra Edimilson Migowski, que é também professor de Doenças Infecciosas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), alguns fatores ajudam a explicar a alta disseminação no Brasil. Um deles é a realidade social em que vive boa parte da população brasileira.

    "Nosso país tem grandes comunidades, muitas delas não têm saneamento básico. São muitas pessoas morando em grandes aglomerações, o que facilita a transmissão do vírus em ambiente domiciliar", explica Migowiski.

    O médico explica que boa parte das infecções brasileiras tem ocorrido dentro de casa: as pessoas saem para trabalhar e, quando voltam para casa, naturalmente relaxam quanto aos cuidados de higiene e acabam infectando as pessoas com quem moram.

    "Essa transmissão domiciliar é mais frequente que a transmissão na rua", afirma o especialista.

    Três pilares: 'o segredo' para frear a contaminação, segundo Migowiski

    Para frear o crescimento dos números da COVID-19 no Brasil, Migowiski afirma que "o segredo" está no cumprimento de três medidas – que ele chama de três pilares. O primeiro pilar é a prevenção, que inclui utilizar máscara e manter o distanciamento social e a lavagem das mãos. Migowiski lamenta, no entanto, que estas medidas "não se mostram tão eficientes" no Brasil.

    O segundo pilar é ficar alerta aos sintomas da doença.

    "A febre é o sinal que mais chama atenção, mas não é tão frequente assim. Pode acontecer de haver a sensação de febre, sem aumento da temperatura. Os outros sintomas são dor no corpo, dor nas articulações, dor no quadril, mal estar intenso, dor de garganta... São sinais como se fosse uma gripe ou um resfriado", diz o médico.

    Tendo identificado alguns desses sintomas, entra em cena o terceiro pilar: procurar assistência médica e se medicar precocemente. Migowiski acredita que a nitazoxanida é uma aliada no combate à COVID-19, embora não haja um consenso quanto à eficácia deste medicamento.

    Em Santos, litoral do estado de São Paulo, pessoas transitam de máscara em meio à pandemia da COVID-19 no Brasil, em 16 de agosto de 2020
    © Folhapress / Fernanda Luz / Agif
    Em Santos, litoral do estado de São Paulo, pessoas transitam de máscara em meio à pandemia da COVID-19 no Brasil, em 16 de agosto de 2020

    Quanto à vacinação, o especialista acredita o Brasil terá os grupos prioritários já vacinados até o fim do primeiro semestre de 2021. No entanto, se mostra cético em relação aos anúncios das eficácias dos imunizantes realizados até o momento.

    "Só poderemos ter posicionamentos mais precisos quando os estudos forem publicados e a gente tiver mais informações acerca de todas as vacinas em desenvolvimento", avalia o médico.

    Nesta terça-feira (8), a vacina da AstraZeneca se tornou a primeira a ter os resultados publicados em uma revista científica. Esta é a vacina que tem a preferência do Ministério da Saúde até o momento. A pasta prevê o início da vacinação do Brasil para março, e o plano é dividido em quatro fases.

    Enquanto o Brasil se prepara para a vacinação, os números da pandemia continuam em alta no país: já são 177.317 óbitos confirmados por COVID-19, além de 6.623.911 de casos confirmados da doença no país.

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    entrevista, Brasil, pandemia, COVID-19, novo coronavírus
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