20:18 28 Setembro 2021
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    País tem uma das sete maiores reservas do mundo e quer ampliar a participação nuclear na matriz enérgica. Especialistas dizem que há aumento da demanda e que exportação é viável.

    Após cinco anos, o Brasil recomeçou nesta terça-feira (1º) a produção de urânio. A partir da Mina do Engenho, em Caetité, na Bahia, retoma-se o projeto de não só aumentar a participação nuclear na matriz energética brasileira, mas também o desejo de o país ser um exportador do minério.

    "Retomar a produção significa ter superado dificuldades e, novamente, gerar riqueza e empregos", disse Carlos Freire, presidente da empresa Indústrias Nucleares do Brasil (INB), uma estatal de economia mista vinculada ao Ministério de Minas e Energia que exerce o monopólio da produção e comercialização de materiais nucleares. 

    A prioridade no momento, explica o engenheiro, é que a produção de urânio seja voltada para alimentação das usinas nucleares de Angra 1 e 2 no litoral fluminense. Mas há por parte do governo federal e da comunidade científica o desejo de que o Brasil seja um exportador. Sendo uma das sete maiores nações em reserva de urânio no mundo, é possível pensar que ele vire divisa.

    "Há cerca de 400 reatores nucleares em funcionamento no mundo e entre 40 e 50 em construção. Isso mostra que há demanda, há aumento de mercado e de valor potencial. Essa reserva gera riqueza", definiu Orpet Peixoto, vice-presidente do Conselho Curador da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN).

    Tanto Peixoto como Freire lembram que as aplicações da energia nuclear vão além do aumento e melhoria da estabilidade do serviço energético.

    Ela serve, por exemplo, para a medicina nuclear, a durabilidade dos alimentos, a esterilização de equipamentos, a preservação de documentos raros e também a locomoção de veículos, referência que serve ao projeto do submarino nuclear brasileiro.

    "A energia nuclear é fundamental para estabilidade do suprimento nacional por ser uma rede estável. Além disso, é uma energia confiável, limpa e, portanto, positiva para o meio ambiente. Ela é necessária e importante", definiu Peixoto. "Seria um desserviço não usar nossa fonte de urânio e a consequente energia nuclear, pois temos a capacidade tecnológica e temos a quantidade suficiente do material. Por isso, e por todas as suas aplicações, a energia nuclear deve constar da nossa matriz energética", completou.

    Na chamada Unidade de Concentração de Urânio (URA) são realizadas as duas primeiras atividades do ciclo do combustível nuclear: a mineração e o beneficiamento do minério. O resultado será o Concentrado de Urânio, o yellowcake (U3O8), material composto de urânio, já livre de impurezas, que serve para fins de produção de energia nuclear obtendo nesse processo entre 70% e 80% de urânio puro.

    Na solenidade em Caetité, na Bahia, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse que, segundo análises do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Agência Internacional de Energia (AIE), há significativa participação da fonte nuclear pelos próximos 30 anos para atender as demandas de geração de energia de base.

    "Esta retomada é a primeira fase para consolidar nossa proposta de tornar o Brasil autossuficiente e um exportador de yellowcake", afirmou o ministro.

    Entre 2000 e 2015, segundo a INB, foram produzidas 3.750 toneladas de concentrado de urânio a partir da primeira área lavrada, a Mina Cachoeira em Caetité. A expectativa é que sejam produzidas 260 toneladas de concentrado de urânio por ano quando a Mina do Engenho atingir a sua capacidade plena, o que deve ocorrer em 2022.

    Ainda de acordo com a INB, a retomada da produção tem impacto na geração de 600 empregos diretos e cerca de 1,8 mil indiretos. A expectativa da empresa é que haja uma injeção de R$ 76 milhões na economia, sendo R$ 30 milhões por ano através de impostos estaduais e municipais.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    Tags:
    Ministério das Minas e Energia, ONU, AIE, urânio, Angra 1, Angra 2, Usina Nuclear Angra 3
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