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    Preocupado com sua candidatura à reeleição em 2022, o presidente Jair Bolsonaro pretende criar seu partido ou definir em março do próximo ano sua filiação a algum outro existente.

    "Não é fácil formar um partido hoje em dia. A gente está tentando [criar a Aliança pelo Brasil] mas se não conseguir a gente em março vai ter uma nova opção", disse o presidente ao chegar nesta segunda-feira (23) ao Palácio da Alvorada, de acordo com matéria publicada pela Folha.

    ​A Sputnik Brasil perguntou a Maria do Socorro Sousa Braga, cientista política da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo, qual seria a melhor opção para o presidente: criar um novo partido ou se filiar a algum que já exista, concentrando-se nos outros assuntos importantes para a reeleição?

    "Essa é a pergunta de um milhão de dólares atualmente. Ao meu ver, me parece que ele teria mais chances se se filiasse a um partido já criado. A melhor tática parece ser se filiar a um já existente, que já tenha toda uma estrutura. Várias legendas dentro do campo bolsonarista se saíram bem nessa última eleição. Então ele já contaria com essa capilaridade partidária", opinou Maria do Socorro.

    O caminho a ser percorrido pelo presidente da República vai depender — segundo analistas próximos ao Palácio do Planalto — da eleição para a Presidência da Câmara dos Deputados, em fevereiro de 2021, para que, assim, ele possa tratar de sua filiação partidária.

    Entre as agremiações que se fortaleceram nas eleições municipais deste ano, está o Partido Social Democrático (PSD), que pode ser uma das opções para Bolsonaro tentar a reeleição. A legenda conquistou nada mais nada menos do que 636 prefeituras pelo país afora.

    O senador Otto Alencar (BA), uma das lideranças desse partido, defende publicamente uma candidatura própria para presidente em 2022. E Bolsonaro poderia ser o nome.

    Em Brasília, sessão solene de abertura abre o ano legislativo no plenário da Câmara dos Deputados, em 3 de fevereiro de 2020.
    © Folhapress / Pedro Ladeira
    Em Brasília, sessão solene de abertura abre o ano legislativo no plenário da Câmara dos Deputados, em 3 de fevereiro de 2020.

    Para a cientista política, a agremiação política mais indicada para o presidente seria o Republicanos, que já tem os filhos dele em seus quadros, com cargos de senador e vereador. Mas na lista também há o Novo e o Partido Progressista (PP), que segundo ela seriam outras boas opções.

    "A vantagem de se filiar a uma legenda já existente é a base de apoio muito mais forte para uma campanha eleitoral. A fundação de um novo agora, como a Aliança pelo Brasil, demandaria todo este trabalho, não me parece ser muito vantajoso, ainda mais nesse próximo, com tudo o que o país está vivendo: crise política, econômica, sanitária [...]. Seria muito mais difícil para o presidente ter um partido novo com uma estrutura pronta para as eleições 2022", avaliou Maria do Socorro.

    No ano passado, Bolsonaro saiu do Partido Social Liberal (PSL) — pelo qual se elegeu presidente — depois de atritos com sua direção. Então, ele tentou criar a Aliança pelo Brasil, e disse que ainda está trabalhando para conseguir registrá-la.

    Para a cientista política, "Bolsonaro sofre o impacto de estar na máquina do Estado, seja para o bem ou para o mal, pois agora ele está sendo avaliado por sua capacidade administrativa. Quanto piores forem os indicadores macroeconômicos do governo, pior será para ele conseguir a reeleição", finalizou Maria do Socorro.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

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    presidente, candidato, governo, partido, eleições, bolsonarismo, Jair Bolsonaro
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