01:50 26 Novembro 2020
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    Neste sábado (21), o corpo de João Alberto Silveira Freitas, homem negro morto por dois seguranças brancos de um supermercado na noite da quinta-feira (19), em Porto Alegre, foi velado e sepultado em um cemitério da capital gaúcha.

    O corpo de Beto Freitas foi velado sob um véu branco no cemitério São João, em Porto Alegre, com a presença de familiares da vítima. Sobre o caixão foi posta uma bandeira do clube de futebol São José, do qual o homem era torcedor.

    Conforme publicou o jornal Folha de São Paulo, a viúva de Freitas, Milena Borges Alves, colocou uma aliança do corpo de Beto Freitas, com quem se casaria em dezembro. Ainda segundo a publicação, havia pessoas com cartazes pedindo justiça pelo assassinato. Um cortejo acompanhou o caixão de Beto Freitas até o local do sepultamento.

    Em Porto Alegre, 21 de novembro de 2020, familiares e conhecidos acompanham o velório de João Alberto Silveira Freitas, homem negro espancado até a morte por seguranças em um supermercado da rede Carrefour na capital gaúcha
    © Folhapress / Matheus Moreira
    Em Porto Alegre, 21 de novembro de 2020, familiares e conhecidos acompanham o velório de João Alberto Silveira Freitas, homem negro espancado até a morte por seguranças em um supermercado da rede Carrefour na capital gaúcha

    Um protesto silencioso também reuniu centenas de pessoas em homenagem a Beto Freitas nas ruas de Porto Alegre, como mostram registros nas redes sociais.

    ​Freitas, de 40 anos, foi espancado por seguranças por cerca de cinco minutos em um supermercado da rede Carrefour, em Porto Alegre. A morte do homem negro na véspera do Dia Nacional da Consciência Negra gerou protestos em diversas cidades brasileiras. Em São Paulo, um dos mercados da rede foi invadido e depredado por manifestantes.

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    Autoridades brasileiras se manifestaram sobre o espancamento. A ministra da Mulher e Direitos Humanos, Damares Alves, afirmou que as imagens do espancamento são "chocantes" e causam "indignação e revolta". O presidente da Câmara dos Deputados afirmou em redes sociais que "a cultura do ódio e do racismo deve ser combatida na origem". O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Luiz Fux, também lamentou o fato.

    Marcha em São Paulo durante o Dia da Consciência Negra em protesto contra a morte de João Alberto Silveira Freitas
    © REUTERS / Amanda Perobelli
    Marcha em São Paulo durante o Dia da Consciência Negra em protesto contra a morte de João Alberto Silveira Freitas

    Já o vice-presidente Hamilton Mourão lamentou o ocorrido, mas afirmou que "não existe racismo no Brasil". O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, não deu declarações citando diretamente a morte de Freitas, mas criticou nas redes sociais em uma série de postagens o que entende como tentativas de importar "tensões alheias" e a busca para criar conflito e "divisão entre as raças" no Brasil. Bolsonaro também afirmou: "como homem e como Presidente: sou daltônico: todos têm a mesma cor".

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    Tags:
    Damares Alves, STF, Luiz Fux, Antonio Hamilton Mourão, Jair Bolsonaro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Carrefour
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