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    Brasil enfrenta COVID-19 no fim de outubro (38)
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    Uma pesquisa publicada na última sexta-feira (23) no boletim Covid Economics, do Centro de Pesquisa sobre Política Econômica, aponta associação entre o desmatamento, o garimpo ilegal e os casos de COVID-19 em populações indígenas brasileiras.

    O estudo foi feito pelo economista Humberto Laudares, pesquisador afiliado à Universidade de Genebra, na Suíça.

    A pesquisa cruzou os dados da Secretaria Especial de Saúde Indígena, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, com informações diárias do Deter —o sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que monitora o desmatamento na Amazônia.

    Os resultados da pesquisa mostram que um aumento de uma unidade no desmatamento, por 100 km², está associado, em média, ao aumento de 2,4 a 5,5 novos casos diários de COVID-19 em indígenas, 14 dias após o desmatamento.

    Em entrevista à Sputnik Brasil, a médica sanitarista Sofia Mendonça, mestre em Antropologia e coordenadora do Projeto Xingu, da Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo), disse que é possível fazer a associação entre aumento do desmatamento e incidência da COVID-19 em povos indígenas.

    "Nos yanomamis, por exemplo, tudo indica que uma das formas de introdução do vírus nas aldeias foi através dos garimpeiros e do garimpo ilegal. Existe sim uma associação que é interessante quando você tem já de saída uma desvantagem e uma vulnerabilidade muito grande dos povos indígenas, toda vez que há um conflito ou há questões no território, na relação com a nossa sociedade isso se espelha na saúde", explicou.

    Sofia Mendonça, que trabalha há 40 anos com comunidades indígenas brasileiras, afirmou que a soma desses diversos fatores cria um "poder genocida" desses povos.

    "A gente tem visto que todas essas ameaças aos territórios como o garimpo, as invasões, o desmatamento, as queimadas, tudo isso agregado à COVID-19 tem um poder genocida muito grande", alertou.

    Segundo a médica sanitarista, os órgãos responsáveis por garantir os direitos das populações indígenas à saúde demoraram a agir e isso agravou a doença.

    "Na pandemia o que a gente sentiu que houve uma lentidão muito grande por parte dos órgãos como a FUNAI [Fundação Nacional do Índio] e a SESAI [Secretaria Especial de Saúde Indígena] em montar os planos de trabalho no nível local. Muitas portarias foram feitas, muitas notas técnicas foram feitas, mas na prática, na aldeia, na ponta, foi muito lento. Isso acabou fazendo com que em alguns lugares a doença entrou de uma maneira muito grave", completou.

    A plataforma do Instituto Socioambiental (ISA) contabiliza 38.019 casos confirmados de indígenas contaminados pelo novo coronavírus e 865 mortos pela doença. Até o momento 158 povos já foram afetados pela COVID-19 no Brasil.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Brasil enfrenta COVID-19 no fim de outubro (38)

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    Tags:
    pandemia, novo coronavírus, saúde, aldeia indígena, povos indígenas, cultura indígena, terras indígenas, indígenas, Brasil, COVID-19
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