15:37 29 Outubro 2020
Ouvir Rádio
    Brasil
    URL curta
    8122
    Nos siga no

    O ex-presidente Lula disse nesta sexta-feira (16), Dia Mundial da Alimentação, que o Brasil "não tem o que festejar", pois o "terrível fantasma da fome" está "rondando" os lares de milhões de brasileiros.

    Em vídeo publicado nas redes sociais, ele disse que era preciso comemorar o Nobel da Paz concedido ao Programa Mundial de Alimentos (PMA). Por outro lado, afirmou que a situação no Brasil, com a pandemia e o aumento do preço dos alimentos, era grave. 

    O petista ressaltou ainda que, em 2014, o Brasil foi declarado oficialmente fora do Mapa da Fome da ONU, mas, desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o país "deu marcha à ré". 

    "Seis anos atrás, o Brasil conquistava o respeito e admiração mundial ao ser declarado fora do Mapa da Fome da ONU. Depois do golpe contra a presidenta Dilma, o país deu marcha à ré. Os golpistas mergulharam nosso país num poço sem fundo", disse Luiz Inácio Lula da Silva. 

    Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados em setembro, mais de um terço da população brasileira apresentou algum grau de insegurança alimentar no biênio 2017-2018, maior índice registrado desde 2004, quando o levantamento foi feito pela primeira vez.

    De acordo com análise de especialistas, os números significam que o Brasil retornou em 2018 ao Mapa da Fome - lista de países com mais de 5% da população ingerindo menos calorias do que o recomendável. 

    'Não resolve problema da fome'

    Além disso, Lula citou campanha veiculada na Rede Globo de valorização da indústria do agronegócio no Brasil, que diz "agro é tech, agro é pop, agro é tudo". 

    "O agro pode ser 'pop', como dizem os caríssimos anúncios na televisão, mas não resolve o problema da fome. Repito: mais de 10.000.000 de brasileiros não têm o que comer. E isso sem falar nos 74.000.000 que estão, segundo os técnicos, em 'situação de insegurança alimentar média ou leve'. Na mesa do pobre, porém, a fome não tem nada de média ou leve", disse o ex-presidente. 

    Lula criticou a política de "desmonte do Estado" do governo do presidente Jair Bolsonaro, assim como diminuição do auxílio emergencial de R$ 600 para R$ 300. Segundo o petista, "é imperioso continuar" com o benefício "enquanto durar a pandemia". 

    "Bolsonaro disparou um tiro de misericórdia contra os pobres e reduziu pela metade o valor do auxílio emergencial, de R$ 600 para R$ 300, além de excluir um grande número de beneficiários do programa", disse o ex-presidente. 

    Ato nacional contra a fome

    Por ocasião do Dia Mundial da Alimentação, organizações da sociedade civil, com apoio da campanha #600atédezembro, promovem nesta sexta-feira (16) o Ato Nacional Contra a Fome, em vários pontos do país. Durante a ação será lançado o Manifesto Popular Contra a Fome e Pelo Direito de Se Alimentar, que entre seus pontos inclui a defesa da manutenção do auxílio de R$ 600 até dezembro. 

    Mais:

    Lava Jato do Paraná denuncia Lula novamente no MPF
    Cientista político: apoio de Lula ou Bolsonaro 'não é determinante' nas eleições municipais
    Lula tem título de doutor honoris causa anulado pela Justiça de Alagoas
    Tags:
    alimentação, Nobel da Paz, Prêmio Nobel, PMA, ONU, fome, lula, Luiz Inácio Lula da Silva, Jair Bolsonaro
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar