14:39 27 Outubro 2020
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    As fazendas de grande e médio porte foram responsáveis pela maior parte dos focos de calor registrados nas áreas mais críticas da Amazônia em 2019, segundo o projeto Cortina de Fumaça. 

    Lançado nesta quarta-feira (23), a iniciativa é uma parceria da Ambiental Media com o Pulitzer Center. De acordo com o projeto, 72% dos focos de calor na região ocorreram nas áreas mais sensíveis aos incêndios na Amazônia. 

    "A análise dos dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) nos quatro municípios líderes em fogo e desmatamento em 2019 mostra que 72% dos focos de calor foram registrados em propriedades de médio e grande porte (acima de 440 hectares) e o restante em imóveis rurais pequenos (abaixo de 440 hectares)", diz o levantamento. 

    O trabalho foi feito a partir do cruzamento de dados oficiais públicos de desmatamento e queimadas, monitorados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), sistema que reúne declarações de proprietários rurais sobre a área de seus imóveis.

    Levantamento contradiz Bolsonaro

    Os quatro municípios recordistas em desmatamento e focos de calor são Altamira (PA), São Félix do Xingu (PA), Porto Velho (RO) e Lábrea (AM). Juntos, eles foram responsáveis por 17,5% do desmatamento na Amazônia Legal entre agosto de 2018 e julho de 2019. 

    Ao apontar grandes e médias propriedades como principais responsáveis pelo fogo na Amazônia, o projeto contradiz declaração feita pelo presidente Jair Bolsonaro, que culpou indígenas e caboclos pelas queimadas.

    Em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, realizada na terça-feira (22), Bolsonaro disse que o Brasil é "vítima de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal". Além disso, argumentou que a "floresta é úmida e não permite propagação do fogo em seu interior", por isso as queimadas são iniciadas no "entorno leste da floresta, onde o caboclo e o índio queimam seus roçados em busca de sua sobrevivência, em áreas já desmatadas".

    'Intervenção humana para incendiar' 

    De acordo com o estudo, a Amazônia realmente não deveria pegar fogo por se tratar de uma área úmida e com altos índices de chuva. "Um ecossistema tão singular precisa de intervenção humana para incendiar", diz o projeto. "É o que tem acontecido", conclui a pesquisa. 

    "De janeiro a dezembro de 2019, foram registrados 89 mil focos de calor na Amazônia, 30% a mais do que no ano anterior, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Já entre os meses de maio e julho de 2020, houve um aumento de 23% nos focos de queimadas em comparação ao mesmo período no ano passado – junho último apresentou os maiores índices para o mês em 13 anos", afirma o levantamento. 

    'Nem mesmo a pandemia' diminuiu desmatamento

    O Cortina de Fumaça aponta ainda para um aumento do desmatamento, que "nem mesmo a pandemia ocasionada pelo novo coronavírus foi capaz de conter". 

    "O sistema de alerta de desmatamento do INPE, o Deter, estima mais de nove mil quilômetros quadrados desmatados entre agosto de 2019 e julho de 2020, número que representa uma alta de 34% em relação ao período anterior (agosto de 2018 a julho de 2019)", diz o projeto. 

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    Tags:
    Rondônia, Amazonas, Pará, fogo, indígenas, desmatamento, ONU, Jair Bolsonaro, queimadas, incêndios, Amazônia
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