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    Nesta sexta-feira (28) o governador Wilson Witzel foi afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) por irregularidades na saúde. O vice-governador, Cláudio Castro, assume o cargo. Até o momento não há ordem de prisão contra Witzel.

    O governador afastado fez um pronunciamento nesta quarta-feira (28) no Palácio das Laranjeiras, sede do governo. Witzel disse ser inocente e que há interesses que não querem que ele ocupe o cargo.

    "Essa minha indignação é a indignação de um cidadão que veio governar o estado do Rio de Janeiro e que está sendo massacrado politicamente porque há interesses que não me querem governando o estado. Há interesses poderosos contra mim e querem destruir o estado do Rio de Janeiro atingindo a mim, o presidente da Alerj e o vice-governador que vai ficar em exercício com uma busca e apreensão feita na casa dele", afirmou.

    Em diversos momentos do pronunciamento, Witzel mencionou a família Bolsonaro e questionou a proximidade entre a família do presidente e a subprocuradora-geral da República, Lindôra Maria Araújo, à frente do caso.

    "Por que não se faz como em qualquer outro processo no Ministério Púbico e faz a distribuição [entre os procuradores] e não o direcionamento para o procurador, no caso a doutora Lindôra. A imprensa já noticiou o seu relacionamento próximo com a família Bolsonaro", disse Witzel.

    "Bolsonaro disse que quer o Rio de Janeiro e já me acusou de perseguir a família dele, mas diferente do que ele imagina, aqui [no Rio de Janeiro] a Polícia Civil é independente e o Ministério Público é independente", completou o governador.

    Viatura da Polícia Federal faz operação na manhã desta sexta-feira (28) no Palácio das Laranjeiras, sede do governo do Rio de Janeiro.
    © REUTERS / Pilar Olivares
    Viatura da Polícia Federal faz operação na manhã desta sexta-feira (28) no Palácio das Laranjeiras, sede do governo do Rio de Janeiro.

    Segundo Witzel, um dos motivos para o afastamento de 180 dias do cargo é de que supostamente organizações criminosas "estariam perdendo recursos".

    "Querem me tirar do governo, organizações criminosas estão perdendo dinheiro. Contratos de advocacias da minha esposa estão sendo questionados sem atos ilícitos praticados por mim?", questionou.

    Sobre a investigação em si, Witzel disse que vai recorrer da decisão do afastamento e questionou a delação do ex-secretário de Saúde do estado, Edmar Santos, que denunciou as supostas irregularidades na pasta durante a pandemia de COVID-19.

    "Eu reafirmo que não tenho medo de delação porque a delação desse canalha do Edmar é uma delação mentirosa, foi pego com a boca na botija. O processo penal brasileiro está se transformando em um circo. Delações mentirosas estão sendo produzidas e usadas politicamente", afirmou.

    Witzel negou também que tenha atrapalhado as investigações.

    "A questão jurídica é extremamente delicada. Qual foi o ato que eu pratiquei desde o momento que se iniciaram as investigações para atrapalhá-las?", questionou.

    O governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel (PSC-RJ) é a sexta pessoa a ocupar o cargo investigada por corrupção em menos de quatro anos.

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    Tags:
    desvios, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, combate à corrupção, corrupção, Wilson Witzel
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