06:56 28 Setembro 2020
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    Os assassinatos contra pessoas negras aumentaram 11,5% em uma década no Brasil, mesmo período em que os homicídios de pessoas de outras etnias caíram quase 13%, segundo dados revelados pelo Atlas da Violência, estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

    De acordo com o levantamento, divulgado nesta quinta-feira (27), a taxa de mortes de negros cresceu 11,5% no país, chegando a 37,8 por 100 mil habitantes, e a de não negros caiu 12,9%, com uma taxa de 13,9.

    "As políticas têm sido minimamente capazes de proteger a vida de não negros, mas a disparidade é tamanha com os dados de vítimas negras que é como se estivéssemos falando de países diferentes", avaliou a diretora executiva do Fórum, Samira Bueno, ao jornal O Estado de S. Paulo.

    A base de dados do estudo é o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, e ajuda a entender o perfil das vítimas de mortes violentas em solo brasileiro. A classificação de negros integra o conceito de negros e pardos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    O aumento dos assassinatos de negros no Brasil apresenta um aumento desde 2008, quando 32,7 mil pessoas dessa etnia foram vítimas de homicídio. O dado só sofreu queda em 2018, embora os números – 43,8 mil mortes de negros há dois anos - seja 34% maior na comparação com o dado de 2008.

    Por outro lado, os assassinatos de brancos, amarelos e indígenas se manteve estável nos últimos anos (15 mil assassinatos há 12 anos), com uma queda registrada em 2018 – 12,7 mil homicídios, o que corresponde a uma redução no período de 15,4%.

    Manifestantes negros contra violência policial nos EUA
    © AFP 2020 / JIM WATSON
    Manifestantes negros contra violência policial nos EUA

    Assim, os números exibidos pelo Atlas da Violência mostram que, a cada não negro morto em 2018, 2,7 negros foram mortos. De acordo com os especialistas que assinam o levantamento, a discrepâncias nos assassinatos entre negros e não negros repousam na desigualdade racial, que estaria enfrentando um aprofundamento no Brasil.

    Entre os estados, Roraima foi o que mais registrou assassinatos de negros no país (87,5 por 100 mil habitantes), seguido por Rio Grande do Norte (71,6) e Ceará (69,5). No outro extremo, a menor taxa de homicídios de negros foi registrada em São Paulo (9,8 por 100 mil habitantes).

    Na análise por gênero, as mulheres negras foram mais vítimas de homicídios do que aquelas de outras etnias – se entre as negras a taxa passou de 4,6 em 2008 para 5,2 em 2018 (alta de 12,4%), entre as não negras a queda foi de 3,2 por 100 mil habitantes em 2008 para 2,8 em 2018 (-11,7%).

    Os dados da violência contra negros no Brasil vêm à tona enquanto protestos são registrados nos Estados Unidos pelo mesmo motivo, impulsionados pela morte de George Floyd – vítima de ferimentos oriundos da violência policial – e o incidente envolvendo Jacob Blake, baleado sete vezes também por policiais. Este episódio fez jogadores de futebol, basquete e beisebol boicotarem jogos na quarta-feira (26).

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    Tags:
    desigualdade, segurança, homicídios, assassinatos, jovens negros, negros, violência contra mulheres, Atlas da Violência, violência, racismo, Estados Unidos, Brasil
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