15:56 20 Setembro 2020
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    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse lamentar ter protegido o militante comunista italiano Cesare Battisti da extradição para Itália, depois que o ex-fugitivo confessou quatro assassinatos na década de 1970.

    Presidente do Brasil de 2003 a 2010, Lula revelou em uma entrevista que estava preparado para se desculpar por sua decisão de permitir que Battisti permanecesse no Brasil, quando ocupava o Palácio do Planalto.

    No último dia de sua presidência, o petista negou a extradição de Battisti, permitindo que o militante de esquerda continuasse se esquivando das autoridades italianas até ser capturado no ano passado na Bolívia, após quase quatro décadas de fuga.

    Agora cumprindo pena de prisão perpétua na Itália, Battisti confessou os assassinatos dos anos 1970 várias semanas após sua captura.

    "Todos nós da esquerda brasileira que defendemos Cesare Battisti nos sentimos frustrados e desapontados", afirmou Lula ao programa de entrevistas on-line TV Democracia em um segmento que foi ao ar na quinta-feira (20).

    "Eu não teria nenhum problema em pedir desculpas à esquerda italiana e às famílias das vítimas", acrescentou.

    Lula declarou que nunca conheceu Battisti pessoalmente e que apenas seguiu o conselho do então ministro da Justiça, Tarso Genro, que acreditava que o ex-militante era inocente.

    Cesare Battisti
    © Foto / José Cruz / Agência Brasil
    Cesare Battisti

    Battisti, de 65 anos, cometeu os assassinatos durante os chamados "Anos de Chumbo" na Itália, em uma tentativa fracassada de desencadear uma revolução comunista. Preso em 1979, ele escapou da prisão dois anos depois e se reinventou como escritor policial durante sua vida em fuga.

    Ele aparentemente fugiu do Brasil depois que o presidente Jair Bolsonaro prometeu, durante sua campanha eleitoral de 2018, mandar "imediatamente" o ex-militante de volta à Itália, caso fosse eleito.

    Longe da Presidência, Lula teve seus próprios desentendimentos com a lei desde que deixou o cargo. Muito popular quando presidente, ele desde então foi pego em um escândalo de corrupção massivo, desvendado na Operação Lava Jato, que o levou à prisão por um ano e meio e manchou a sua imagem.

    O petista sempre garantiu que o caso contra ele foi forjado para impedi-lo de encampar um retorno político, frustrado em 2018 – por conta de um impedimento da Justiça –, e ainda em dúvida para 2022, já que as condenações sofridas o colocam na Lei da Ficha Limpa.

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    Tags:
    política, Bolívia, extradição, esquerda, assassinatos, Cesare Battisti, Tarso Genro, Luiz Inácio Lula da Silva, Itália, Brasil
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