00:25 04 Agosto 2020
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    O governo brasileiro anunciou nesta quinta-feira (9) que planeja proibir incêndios na Amazônia por 120 dias, em uma reunião com investidores globais para resolver suas crescentes preocupações com a destruição da floresta tropical.

    O vice-presidente Antonio Hamilton Mourão revelou que convidou investidores na videoconferência para ajudar a financiar a conservação da floresta, mas ele disse que eles não comprometeram nenhum dinheiro e querem ver os resultados primeiro.

    Investidores alertaram que suspenderão os investimentos no Brasil, ou até retirarão os existentes, se o governo do presidente Jair Bolsonaro não agir para proteger a maior floresta tropical do mundo, considerada vital para conter o aquecimento global.

    Mourão declarou que o Brasil está sendo injustamente criticado pelo desmatamento da Amazônia, que aumentou desde que Bolsonaro assumiu o cargo em 2019. O vice-presidente afirmou que o governo herdou agências ambientais com falta de pessoal.

    Mourão disse também que o governo não tem pessoal suficiente para impedir que invasores entrem em 1 milhão de quilômetros quadrados de terras indígenas protegidas, as quais estão sendo cada vez mais invadidas por madeireiros ilegais e garimpeiros.

    Cartaz diz Não foi o clima, é o sistema, foi Bolsonaro. Defenda a Amazônia é exibido durante protesto em Buenos Aires
    © AP Photo / Natacha Pisarenko
    Cartaz diz "Não foi o clima, é o sistema, foi Bolsonaro. Defenda a Amazônia" é exibido durante protesto em Buenos Aires

    Especialistas em saúde pública e antropólogos temem que os invasores estejam espalhando o novo coronavírus pelas aldeias, podendo assim dizimar as tribos da Amazônia.

    Retomada do Fundo Amazônia

    O governo Bolsonaro iniciou novas negociações com Noruega e Alemanha sobre o Fundo Amazônia e ele espera que os dois países doadores superem as diferenças em relação às políticas que no ano passado impediram o financiamento de projetos de sustentabilidade.

    A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, argumentou que os investidores estrangeiros estavam preocupados com o fato de um projeto de lei que conceder título de terra na Amazônia, atualmente em estudo no Congresso, aumentar o desmatamento. Ela disse que isso era uma distorção – ambientalistas apelidaram a proposta de "PL da Grilagem".

    Mourão garantiu que o decreto que proíbe incêndios por 120 dias será emitido na próxima semana.

    O número de incêndios na Floresta Amazônica brasileira aumentou 30% no ano passado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Em junho, dados do governo mostraram na semana passada, o número de incêndios aumentou 20%, atingindo uma alta de 13 anos no mês.

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    Tags:
    desmatamento, queimadas, Ricardo Salles, Alemanha, Noruega, Fundo Amazônia, investidores, preservação, meio ambiente, Floresta Amazônica, Amazônia, Antonio Hamilton Mourão, Jair Bolsonaro, Brasil
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