00:51 01 Outubro 2020
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    O ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro e o rival de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva são "dois extremos a serem evitados", em uma entrevista durante a qual ele aparentemente despistou sobre sua candidatura presidencial em 2022.

    Aos 47 anos, Moro fez seu nome como juiz na liderança da investigação de corrupção da Operação Lava Jato, que prendeu Lula e o condenou por corrupção e lavagem de dinheiro.

    Dias depois da vitória eleitoral de Bolsonaro, em 2018, ele assumiu a pasta da Justiça e Segurança Pública, de onde saiu em abril deste ano, acusando o mandatário de tentar interferir nas investigações da Polícia Federal (PF).

    A saída de Moro aumentou a pressão sobre Bolsonaro, que alfinetou o seu ex-ministro em mais de uma oportunidade. De acordo com o ex-juiz, a ideia de uma entrevista coletiva na sua despedida não era para prejudicar o governo, mas sim esclarecer o motivo da sua saída.

    "Após o início da pandemia, houve uma crise de credibilidade do governo e crescente tensão com os outros poderes, o Supremo Tribunal Federal e o Congresso. Minha demissão se enquadra nesse contexto, mas é apenas uma parte, não me sinto responsável [pela crise]", disse à Agência AFP.

    Moro defendeu o combate ao crime organizado durante a sua gestão, porém voltou a reclamar da falta de apoio de Bolsonaro na seara que envolve confrontar a corrupção no país.

    "Conseguimos avançar no combate ao crime violento e ao crime organizado, mas não muito em relação à corrupção, e um dos problemas - com todo o respeito - foi a falta de mais apoio do Palácio do Planalto", revelou.

    O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, e o presidente Jair Bolsonaro durante evento em Brasília em 9 de agosto de 2019.
    © AP Photo / Eraldo Peres
    O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sergio Moro, e o presidente Jair Bolsonaro durante evento em Brasília em 9 de agosto de 2019.

    A favor de um não populista em 2022

    Questionado sobre as eleições presidenciais de 2022, que deverá ter Bolsonaro buscando a reeleição e, possivelmente, o ex-presidente Lula (caso este derrube as condenações que o fariam cair na Lei da Ficha Limpa), Moro classificou ambos como "extremos a serem evitados".

    "Ambos têm um caráter um tanto populista na formulação de políticas públicas. A diferença é que o presidente Bolsonaro seria um populista de direita e o presidente Lula um populista de esquerda. De certa forma, são dois extremos, com o devido respeito, isso deve ser evitado", avaliou.

    Sobre o seu futuro político, o ex-ministro de Bolsonaro evitou fazer previsões ou se colocar como candidato. Ele citou o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, como outro especulado que, assim como ele, não deve estar pensando em 2022 no momento.

    "Com o novo coronavírus, os desafios de 2020 são grandes demais para pensarmos em 2022. É um cenário absolutamente imprevisível. Durante a pandemia, [Mandetta] cresceu muito porque ele adotou uma política que transmitia uma sensação de calma à população, principalmente através da transparência, ele tinha uma maneira de fazer as pessoas se sentirem confortáveis. Mas eu acho que nenhum de nós pensando seriamente em 2022", completou.

    No momento, Moro garante que quer retomar a sua vida profissional e acadêmica.

    "Vou mirar o setor privado, tenho bons contatos na área acadêmica. Eu era professor antes de me tornar juiz. Minha tarefa no momento é me reintegrar em 2020 e não pensar em 2022", concluiu.

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    Tags:
    COVID-19, novo coronavírus, extremismo, Polícia Federal, interferência, política, eleições, justiça, corrupção, Operação Lava Jato, Luiz Inácio Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Sergio Moro, Brasil
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