15:00 14 Agosto 2020
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    Situação com coronavírus no Brasil no fim de junho (51)
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    O novo coronavírus, agora espalhado pelas cidades menores do interior do Brasil, corre o risco de retornar às principais cidades em um chamado "efeito bumerangue", pois a falta de tratamento médico especializado leva os pacientes aos grandes centros urbanos.

    O impacto de uma segunda onda potencial de novos casos em centros urbanos pode complicar as tentativas de reabrir negócios e retomar a economia, avaliaram especialistas ouvidos pela Agência Reuters.

    "O [efeito] boomerang de casos que retornará às capitais será um tsunami", afirmou à Agência Reuters Miguel Nicolelis, neurocientista médico líder da Universidade Duke, que coordena uma força-tarefa de coronavírus que aconselha os governos estaduais do nordeste do Brasil.

    O Brasil, sede do segundo pior surto de coronavírus do mundo, atrás dos Estados Unidos, tem mais de 1,2 milhão de casos do vírus, que matou mais de 56 mil pessoas. Na maioria dos dias, está se espalhando mais rapidamente no Brasil do que nos EUA.

    Parentes ficam ao lado do corpo de uma vítima de 86 anos da COVID-19 em Manaus (AM)
    © AP Photo / Edmar Barros
    Parentes ficam ao lado do corpo de uma vítima de 86 anos da COVID-19 em Manaus (AM)

    Acredita-se que o vírus chegou inicialmente ao Brasil através de aeroportos e se espalhou principalmente em suas maiores cidades, mas desde o final de maio vem se espalhando mais rapidamente no interior do país.

    Na semana passada, 60% dos novos casos foram registrados em cidades menores, segundo dados do Ministério da Saúde. As mortes também estão aumentando fora das principais cidades e agora representam cerca de metade de todas as mortes diárias no Brasil.

    A resposta do Brasil à COVID-19 tem sido criticada por muitos especialistas em saúde, pois o presidente Jair Bolsonaro minimizou a gravidade da doença, mostrou indiferença ao crescente número de mortes e promoveu o remédio não comprovado hidroxicloroquina.

    Foco nas rodovias

    À medida que o vírus se espalha para fora das maiores cidades brasileiras, os médicos enfrentam restrições. Apenas cerca de 10% dos municípios brasileiros possuem unidades de terapia intensiva, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Isso significa que pacientes gravemente doentes precisam ser transportados para cidades maiores.

    "O vírus se move para o interior pelas rodovias, você começa a transmitir na comunidade, as pessoas adoecem, pioram e retornam à capital [do estado] para ser tratadas", declarou Nicolelis à Agência Reuters, descrevendo o "efeito bumerangue".

    Ao mesmo tempo, as maiores cidades do Brasil estão reabrindo. O prefeito de São Paulo disse nesta sexta-feira (26) que poderia reabrir restaurantes, bares e salões de beleza já em 6 de julho. Milhares de lojas já reabriram, devolvendo os trabalhadores aos seus padrões regulares de deslocamento.

    "A doença agora está alimentando o movimento das pessoas", ponderou Gonzalo Vecina Neto, professor de saúde pública da Universidade de São Paulo, à Agência Reuters. "Vai para o interior com caminhoneiros, vai para o interior com pessoas que vêm às grandes cidades para comprar coisas para revender no interior. Esse é o caminho".
    Movimentação na rodovia Régis Bittencourt, em São Paulo, durante greve dos caminhoneiros em 2018
    © Folhapress / Adriano Vizoni
    Movimentação na rodovia Régis Bittencourt, em São Paulo, durante greve dos caminhoneiros em 2018

    Os padrões estão causando preocupação com a sobreposição de curvas, pois cidades como São Paulo e Rio de Janeiro aparentemente passam seus picos e caem, enquanto cidades menores ainda estão em ascensão.

    Alguns especialistas dizem que a propagação do vírus deveria ter sido melhor contida a princípio. Agora, uma possível opção de mitigação é criar postos de controle de testes nas rodovias, explicou Christovam Barcellos, do Instituto de Comunicação, Informação Científica e Tecnologia em Saúde da Fiocruz.

    "Identificar a pessoa que vai levar o vírus a um lugar é positivo, é o mínimo que podemos fazer", disse Barcellos à Agência Reuters.

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    Tags:
    Fiocruz, Jair Bolsonaro, saúde, novo coronavírus, COVID-19, pandemia, São Paulo, Brasil
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