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    Nesta segunda-feira (15), veio à tona uma carta assinada por militares da reserva criticando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello.

    O jornal O Estado de São Paulo teve acesso ao manifesto originalmente enviado pelos militares no sábado (13) e divulgou seu conteúdo. O manifesto é assinado por militares da reserva da Marinha, Aeronáutica e Exército.

    No texto, os 78 oficiais militares da reserva apontam descontentamento com o decano do STF e afirmam que "nenhum militar deixa de fazer do seu corpo uma trincheira em defesa da Pátria e da Bandeira".

     O presidente Jair Bolsonaro é acompanhado pelo general Luiz Eduardo Ramos durante solenidade comemorativa do Dia do Exército na sede do Comando Militar do Sudeste, na zona sul de São Paulo, em 2019.
    © Folhapress / Zanone Fraissat
    O presidente Jair Bolsonaro é acompanhado pelo general Luiz Eduardo Ramos durante solenidade comemorativa do Dia do Exército na sede do Comando Militar do Sudeste, na zona sul de São Paulo, em 2019.

    O texto também ressalta a capacidade de decisão dos militares, o mérito dos generais e a hierarquia militar. O manifesto é assinado por 12 brigadeiros, cinco almirantes e três generais.

    O documento ainda faz alusão ao uso de "palavreado enfadonho, supérfluo, verboso, ardiloso, como um bolodório de doutor de faculdade", que seria utilizado por membros de poderes, supostamente o Judiciário.

    O texto afirma ainda que nenhum general mereceria ser chamado de "general de m****". A frase pode remeter a um áudio que circulou em 2019 atribuído ao senador Telmário Mota (Pros-RR) em que o senador teria se referido dessa maneira ao general Eduardo Pazuello, atual ministro interino da Saúde, conforme lembra o site O Antagonista. Pazuello, à época, coordenava a Operação Acolhida, que recebeu venezuelanos refugiados em Roraima.

    O manifesto dos militares da reserva vem a público em meio a críticas do presidente brasileiro Jair Bolsonaro em relação à decisão do ministro Luiz Fux de publicar uma liminar que afirma que as Forças Armadas não são um poder moderador na República.

    O ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), General Augusto Heleno.
    © Folhapress / Pedro Ladeira
    O ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), General Augusto Heleno.

    Celso de Mello é o relator do inquérito que envolve o ex-ministro Sergio Moro e o presidente Bolsonaro, acusado por Moro de interferência política na Polícia Federal.

    Essa não é a primeira vez que cartas de militares da reserva circulam. Em maio deste ano, após o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, citar "consequências imprevisíveis" caso o celular de Bolsonaro fosse apreendido em inquérito no STF, militares estenderam solidariedade "total e irrestrita" a Heleno e citaram a possibilidade de uma guerra civil no Brasil.

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    Tags:
    O Estado de São Paulo, Ministério da Saúde, Jair Bolsonaro, Sergio Moro, Marinha do Brasil, Aeronáutica, Exército Brasileiro, Celso de Mello
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