12:38 05 Dezembro 2020
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    O Ministério Público Federal (MPF) pediu o arquivamento da segunda investigação da facada que o presidente Jair Bolsonaro sofreu durante a campanha eleitoral de 2018, quando ainda era candidato, depois de concluir que o agressor agia sozinho.

    Em um comunicado, o MPF informou que era a favor de "a segunda investigação sobre a possível participação de terceiros no ataque cometido [...] em 6 de setembro de 2018, ser provisoriamente arquivada".

    Na manifestação, enviada à Justiça Federal de Juiz de Fora (MG), onde ocorreram os fatos, a Promotoria conclui que o agressor Adélio Bispo de Oliveira "apenas concebeu, planejou e executou o ataque".

    O pedido do Ministério Público vem depois que a Polícia Federal reiterou pela segunda vez em maio que não há evidências de que Oliveira tenha agido sob as ordens de outra pessoa.

    Esta é a segunda investigação que conclui que o agressor agiu por conta própria. A primeira começou e terminou em setembro de 2018 e chegou à mesma conclusão, embora ela tenha enfatizado que o agressor tentou matar Bolsonaro por razões políticas.

    O agressor, com sérios problemas mentais, foi acusado de um crime de ataque pessoal "por inconformidade política", um crime previsto na Lei de Segurança Nacional, e agora está indefinidamente preso em um centro psiquiátrico.

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    Em sua decisão nesta quinta-feira (4), o Ministério Público destaca que Oliveira já estava morando em Juiz de Fora quando o ato de campanha de Bolsonaro foi agendado, o que não sustenta a tese de que ele se mudou para a cidade com a intenção de atacar Bolsonaro.

    Frame de vídeo mostra o momento em que Jair Bolsonaro é socorrido após a facada em Juiz de Fora (MG)
    © AP Photo / Fernando Gonçalves
    Frame de vídeo mostra o momento em que Jair Bolsonaro é socorrido após a facada em Juiz de Fora (MG)

    Destaca-se também que ele não teve nenhum relacionamento com ninguém em Juiz de Fora, que não estabeleceu contatos que pudessem influenciar o ataque e que não fez nem recebeu telefonemas ou mensagens eletrônicas com uma possível pessoa interessada no crime.

    A investigação também deixa claro que nas contas bancárias do agressor e de seus parentes investigados não houve movimento financeiro suspeito, ou com valores de origem desconhecida, "portanto não há suporte para a hipótese de que o crime poderia ter sido praticado por pagamento".

    Embora as conclusões do MPF sejam claras, o pedido de arquivamento é provisório, pois existem alguns processos pendentes que dependem de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

    O gabinete do procurador destaca que existe uma "linha de investigação pendente": identificar a origem dos honorários pagos aos advogados do agressor, uma vez que a defesa não foi contratada pelo próprio acusado ou por sua família.

    Desde o início, o presidente Bolsonaro e seus aliados dão dicas sobre os supostos líderes do ataque, espalhando até notícias falsas para ligá-lo a grupos e partidos políticos de esquerda.

    No entanto, quando em maio do ano passado a Justiça declarou que Oliveira não poderia ser acusado porque sofria de um distúrbio mental que o impedia de tomar conhecimento de suas ações, a defesa de Bolsonaro cumpriu a decisão e não interpôs recurso.

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    Tags:
    Supremo Tribunal Federal (STF), política, facada, ataque, Polícia Federal, MPF, Jair Bolsonaro, Adélio Bispo, Minas Gerais, Brasil
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