14:45 09 Julho 2020
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    A brasileira Embraer informou nesta segunda-feira (27) que iniciou um processo de arbitragem contra a Boeing, depois que a fabricante de aviões dos EUA cancelou no fim de semana abruptamente um acordo que levou anos para ser costurado de US$ 4,2 bilhões.

    O colapso do acordo não foi bem recebido pelos investidores que pareciam ter esperado até o último minuto que a aquisição não desmoronasse. As ações da Boeing caíram para o menor nível em oito anos antes de reduzir as perdas e fechar 7,5% a menos.

    Mas o governo brasileiro, que era dono da Embraer e ainda é o maior cliente militar da empresa, adotou um tom mais otimista. Ele encara a China como um novo parceiro em potencial para a fabricante de aviões, mesmo quando várias figuras importantes do governo brasileiro atacaram o governo chinês recentemente.

    O vice-presidente do Brasil, Antonio Hamilton Mourão, general da reserva do Exército, chamou a virada de eventos de "bênção disfarçada".

    "Temos o know-how, eles têm a demanda", comentou Mourão sobre a China. "Isso mostra mais uma vez que um casamento [com a China] precisa continuar, porque é um casamento inevitável".

    O súbito colapso do acordo foi desencadeado por um prazo que a Boeing se recusou a prorrogar no sábado à meia-noite e provocou uma resposta irada da Embraer.

    A Embraer está em uma situação delicada, tendo apostado o futuro da empresa na Boeing apenas para se encontrar agora isolada e sem um plano B, enquanto a crise do novo coronavírus assola o setor de viagens.

    Nesta segunda-feira, os executivos da Embraer conversaram com analistas, mas descartaram amplamente a retórica irritada exibida no fim de semana.

    Ainda assim, a Embraer tentou tranquilizar os investidores de que continua sendo uma empresa sólida, embora o CEO Francisco Gomes Neto tenha reconhecido que 2020 seria um ano "difícil" e que 2021 seria "pior do que pensávamos".

    O cargueiro KC-390 da Embraer, pela Força Aérea Brasileira (FAB), na Base Aérea de Anápolis (GO).
    © Folhapress / Mateus Bonomi
    O cargueiro KC-390 da Embraer, pela Força Aérea Brasileira (FAB), na Base Aérea de Anápolis (GO).

    Ele acrescentou que a Embraer conseguiu economizar US$ um bilhão em dinheiro para 2020 e que não sofreu nenhum cancelamento de pedidos de aeronaves devido à crise do coronavírus.

    Gomes Neto se recusou a fornecer mais detalhes sobre o processo de arbitragem e se será acompanhado por um processo em um tribunal brasileiro ou norte-americano.

    A Embraer esperava vender 80% de sua lucrativa unidade de aviação para a Boeing e se beneficiar do poder de marketing da fabricante de aviões dos EUA para aumentar as vendas de seus jatos regionais E2, elogiados por sua eficiência de combustível, mas também por um atraso nas vendas. A empresa teria usado o dinheiro da Boeing para liquidar toda a sua dívida anterior e pagar um dividendo de US$ 1,6 bilhão aos acionistas.

    A Boeing, enquanto isso, pretendia competir mais diretamente com a Airbus no segmento de jatos regionais.

    Brasil e China

    A Embraer mantém um relacionamento próximo com o governo brasileiro, que manteve o poder de veto sobre decisões estratégicas na empresa após sua privatização.

    O presidente Jair Bolsonaro também disse nesta segunda-feira (27) que a Embraer pode estar madura para explorar novos compradores.

    "Talvez possamos começar novas negociações com uma nova empresa", informou Bolsonaro a repórteres.

    O presidente apoiou e aprovou o acordo da Boeing, mesmo quando outros militares continuavam suspeitando que o envolvimento da Boeing pudesse afetar os interesses brasileiros.

    Gomes Neto não descartou uma possível nova venda para outra empresa, mas se recusou a comentar mais. Ele ingressou na Embraer há apenas um ano e não fazia parte da equipe executiva que firmou o acordo com a Boeing.

    Na segunda-feira, o grupo financeiro UBS também sugeriu que a China pode estar interessada em comprar aviões comerciais da Embraer.

    "Acreditamos que a China ainda aspira a uma posição de liderança aeroespacial global e, em nossa opinião, [a Embraer] traria tanto o talento para o design quanto o desenvolvimento", afirmou em nota.

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    Tags:
    UBS, Jair Bolsonaro, Antonio Hamilton Mourão, privatização, economia, aviação comercial, aviação civil, aviação, China, Boeing, Embraer, Estados Unidos, Brasil
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