03:22 30 Maio 2020
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    Brasil combatendo coronavírus no fim de abril (64)
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    A pandemia do novo coronavírus gerou uma crise de mercado para as empresas brasileiras, que aguardam a reabertura do comércio mundial e o impulso da demanda externa. A Sputnik Brasil conversou com o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), que explicou quais são os limites desse horizonte.

    Para José Augusto de Castro, empresário e presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), mesmo com a possibilidade de abertura comercial, a perspectiva para os negócios segue sendo ruim. Para ele, a "normalidade" nas atividades comerciais só deve retornar dentro de um espaço de tempo que gira entre 3 e 4 meses.

    "Porque isso não depende apenas do Brasil, depende do mundo. Se o mundo não estará normal, o Brasil também não estará normal", disse o empresário em entrevista à Sputnik Brasil.

    Castro recorda que todos os setores da economia estão enfrentando problemas devido à pandemia, problemas que ora partem da demanda, ora partem da oferta. O empresário prevê que em breve essa crise trará impactos também sobre os preços.

    "O mercado está completamente desequilibrado hoje, seja em oferta, seja em demanda. Não estamos nem falando em preço, porque é um problema que vai ocorrer seguramente mais à frente, porque com a retração econômica mundial todos os países, se quiserem exportar, vão ter que oferecer redução de preços", afirma.

    O empresário ressalta que uma das preocupações atuais dentro do setor empresarial é em relação à competitividade imposta pela China, que sai primeiro da pandemia e por isso terá mais condições de suprir o mercado.

    "O nosso medo hoje é a China, que enquanto todos os países hoje estão com problemas, a China teoricamente voltou à normalidade antes. Então é o único país no mundo que tem condições de oferecer produtos e também a entrega. Enquanto os demais países estão lutando para sobreviver a um problema, a China já ultrapassou essa fase", aponta.
    Indústria automobilística na China.
    © AP Photo / Ng Han Guan
    Indústria automobilística na China.

    Segundo o presidente da AEB, nem tudo é má notícia, uma vez que o agronegócio brasileiro tem se destacado nesse momento e mantém o que ele descreveu como um "ritmo próximo ao da normalidade". Castro explica que vê na logística dos produtos agrícolas uma vantagem do setor.

    "O agronegócio na área de logística não tem a necessidade de pegar um navio para exportar um contêiner, eles alugam um navio como um todo. Então isso faz com que seja muito mais fácil a logística para exportar o agronegócio. Especialmente o agronegócio de grande quantidade, como soja, milho e outros produtos mais", afirma Castro.

    O empresário acrescenta ainda que enquanto o agronegócio tem essa facilidade, o setor de produtos manufaturados sofre uma queda "acentuada", cuja causa ele atribui também à logística, "inviabilizada" durante a pandemia.

    Colheita de safra de soja no Brasil (foto de arquivo)
    © AP Photo / Andre Penner
    Colheita de safra de soja no Brasil (foto de arquivo)

    José Augusto de Castro afirma que tem mantido conversas com os governos e negocia a efetivação de linhas de crédito e também discute as possibilidades de retorno à normalidade no Brasil, o que apesar de alguns anúncios, ainda segue distante.

    Demanda externa pontual será suprida pela China, diz empresário

    O empresário também explica que apesar do início da reabertura em alguns países europeus, como a Islândia, ainda não há condições necessárias de retorno à normalidade da demanda externa.

    "Demanda externa nesse momento é muito difícil em falar. Porque, se ela existe, ela está pontualmente localizada. Não é uma coisa que eu possa dizer 'existe demanda mundial'. Existe demanda localizada, que eventualmente será atendida, provavelmente, pela China, que tem as empresas melhores hoje", aponta.

    Castro também afirma que a China está oferecendo descontos em suas exportações que giram entre 15% e 20% "retirando o pouco de competitividade que os demais países tinham".

    "Então pressão pela reabertura dos negócios pode ocorrer, mas a realidade é que nós não teremos como fazer com que essa pressão se transforme efetivamente em exportação. Os próximos 2-3 meses ainda serão muito difíceis para o comércio exterior brasileiro, especialmente para os produtos manufaturados", conclui.
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    Tags:
    Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), novo coronavírus, China, Brasil, COVID-19
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