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    Brasil combatendo coronavírus no fim de abril (64)
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    O último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde neste sábado (25) mostrou que o Brasil já registra 4.016 mortes causadas pela COVID-19 e 58.509 casos confirmados do novo coronavírus.

    Na linha de frente, lidando diretamente com a parcela da população infectada estão os profissionais de saúde: enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem e médicos são algumas dessas profissões que lidam diariamente com pessoas com a COVID-19.

    Por diariamente lutarem contra a pandemia, esses profissionais estão mais suscetíveis a também constarem nas estatísticas do Ministério da Saúde.

    E foi justamente isso que aconteceu com o médico reumatologista, Leonardo Hoff, de 32 anos, que trabalha no Hospital das Clínicas, em São Paulo.

    Em um determinado dia, Hoff sentiu muita dor abdominal e apresentou diarreia.

    "Como é um sintoma específico, eu fiquei só de olho, eu já sabia que alguns casos tinham umas reações atípicas, mas eu só fiquei de olho. Realmente foi uma dor muito forte, eu passei o dia inteiro com dor no abdômen", contou à Sputnik Brasil.

    Já no dia seguinte, o quadro de saúde de Hoff começou a piorar, ele começou a sentir fadiga e, ao medir a temperatura do seu corpo, viu que estava com febre.

    "No segundo dia eu acordei muito cansado, mas muito mesmo. Eu precisava caminhar até o hospital e fui com muita fadiga até lá, comecei a sentir febre e a partir disso eu tive certeza que podia ser alguma coisa mais séria. Fui embora na mesma hora e já fiquei em casa de repouso", disse.

    Como os sintomas não diminuíam, Leonardo Hoff foi ao hospital para fazer o teste para saber se estava com coronavírus. Ele só conseguiu ter acesso aos testes porque era profissional de saúde.

    "Fui ao hospital fazer o teste para confirmar mesmo se era a doença ou não. Só consegui fazer o teste porque eu era profissional de saúde, infelizmente na época tinham poucos testes disponíveis e o hospital só fez em mim porque eu era profissional de saúde. A população em geral que estava indo no hospital para ser testada não tinha acesso a esse teste", relatou.

    Nos dias em que estava de repouso contou que a fadiga era enorme, até pequenas caminhadas dentro de casa eram difíceis de serem feitas.

    "Só de caminhar do quarto até o banheiro eu já cansava. Teve um dia que já estava um pouco melhor, eu tentei fazer um exercício em casa e não consegui nada. É impressionante, é muito cansaço mesmo. A vontade era só ficar na cama e descansar", contou Hoff.

    Mesmo jovem e sem comorbidades, a recuperação do médico foi demorada, só após 14 dias que ele conseguiu ter o fôlego recuperado.

    "[A recuperação] foi demorada, fiquei uns três, quatro dias com bastante febre, bastante cansaço e depois do quarto, quinto dia eu perdi o olfato e paladar. Só depois de 14 dias que eu vi que meu fôlego já tinha recuperado. O paladar e o olfato demoraram mais do que 15 dias para voltar ao normal", disse.

    Leonardo Hoff já pôde voltar ao hospital e contou que tem visto as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) dos locais onde trabalha cheias e teme que os pacientes que normalmente trata tenham algum prejuízo no tratamento.

    "Eu trato de pacientes imunossuprimidos [pessoas que possuem deficiência imunológica], eles também estão com medo de sair de casa, eu estou com medo de que o tratamento deles seja prejudicado. A gente está vendo um movimento sério nas emergências, não é tão grande como o que era esperado, eu acredito que o isolamento tem ajudado, mas as UTI's estão ficando lotadas de pacientes com sintomas respiratórios e a maioria confirmando mesmo a COVID-19", completou.

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    pandemia, doença, sintomas, Brasil, novo coronavírus, COVID-19
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