04:30 03 Junho 2020
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    Brasil combatendo coronavírus no fim de abril (64)
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    O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira que espera que essa seja a última semana de medidas de isolamento social para tentar retardar a disseminação do coronavírus, desejando o fim de uma política que ele classificou como assassina de empregos.

    Bolsonaro é um dos poucos líderes globais que abertamente se opuseram às medidas de bloqueio para combater o coronavírus. Ele afirmou que os riscos econômicos de encerrar a economia brasileira superam os perigos de uma doença que ele chama de "um pouco de frio".

    Apesar dos protestos de Bolsonaro, muitos dos governadores do Brasil fecharam seus estados mais ou menos, levando a uma resposta irada do presidente. Bolsonaro também entrou em choque com suas próprias autoridades de saúde, demitindo seu popular ministro da saúde na semana passada, depois que eles se chocaram com medidas de distanciamento social.

    Com o surto de coronavírus brasileiro aparentando estar algumas semanas atrás do ocorrido na Europa e nos Estados Unidos, é improvável que os governadores do Brasil encerrem as medidas de permanência em casa esta semana, como o presidente desejar.

    No domingo, Bolsonaro irritou muitos no Brasil quando, mais uma vez, participou de uma manifestação pública e atacou medidas de bloqueio destinadas a combater o coronavírus, enquanto apoiadores do presidente se juntavam a carreata política em todo o país. Os atos, porém, tinham como foco os pedidos de intervenção militar e volta do AI-5.

    Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em manifestação em frente ao Quartel-General do Exército que pedia intervenção militar, discursa para presentes
    © AFP 2020 / Evaristo Sá
    Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em manifestação em frente ao Quartel-General do Exército que pedia intervenção militar, discursa para presentes

    Bolsonaro, que não usava máscara facial, se dirigiu a uma multidão de algumas centenas em Brasília. Durante seu breve discurso, que foi pontuado pelo presidente a tossir, ele chamou os presentes de "patriotas" e disse que estava ajudando a defender as liberdades individuais que, segundo ele, estão ameaçadas por bloqueios.

    O Brasil tem mais casos do novo coronavírus do que qualquer outro país da América Latina. Na segunda-feira (20), o número de casos confirmados subiu para 40.581 e as mortes por coronavírus chegaram a 2.575, segundo o Ministério da Saúde.

    'Não sou coveiro'

    Também nesta segunda-feira (20), no final da tarde, Bolsonaro afirmou não ser "coveiro" após ser questionado por um jornalista sobre o número de óbitos pela COVID-19 no país.

    "Presidente, hoje tivemos mais de 300 mortes [são 113; depois de divulgar, o Ministério da Saúde corrigiu]. Quantas mortes o senhor acha que...", perguntou um jornalista quando Bolsonaro o interrompeu.

    "Ô, cara, quem fala de... Eu não sou coveiro, tá certo?", respondeu o presidente.

    O repórter, então, tentou fazer novamente a pergunta.

    "Não sou coveiro, tá?", repetiu Bolsonaro.

    Pela manhã, também na saída do Palácio da Alvorada, havia minimizado o avanço do coronavírus, afirmando que 70% da população será contaminada e "não adiante querer correr disso", e comentando ainda que pessoas vão morrer e que isso faz parte.

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    Tags:
    economia, isolamento, distanciamento, saúde, novo coronavírus, COVID-19, Jair Bolsonaro, Brasil
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