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    Brasil lidando com COVID-19 em meados de abril de 2020 (77)
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    Após a demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde, o presidente Jair Bolsonaro decidiu fazer um pronunciamento, diretamente do Palácio do Planalto, para explicar a saída do ministro.

    Confirmando a expectativa de grande parte da imprensa, o chefe de Estado, que vinha entrando em constantes choques com seu funcionário por conta do isolamento social recomendado por Mandetta em meio ao surto do novo coronavírus, demitiu, nesta tarde​ (16), o seu ministro da Saúde, escolhendo para substituí-lo o oncologista Nelson Teich. 

    Mantendo o posicionamento que vinha defendendo nas últimas semanas, o presidente voltou a falar sobre a importância de se flexibilizar as medidas restritivas, de maneira a reduzir o impacto sobre a economia, e reclamou do excesso de autonomia demonstrado por algumas autoridades e sublinhou que a demissão de seu ministro ocorreu de comum acordo.

    "Foi, realmente, um divórcio consensual", disse o presidente, argumentando que cada país tem as suas especificidades no que diz respeito à pandemia da COVID-19. "Quando se fala em saúde, fala-se em vida e a gente não pode deixar de falar em emprego. Porque uma pessoa desempregada estará mais propensa a sofrer problemas de saúde do que uma outra, empregada." 

    ​Bolsonaro reforçou que, desde o começo da pandemia, procurou deixar claro para todos os seus ministros a importância desse fator econômico em meio à crise sanitária, e se queixou do clima "quase de terror" que se instalou na sociedade. 

    O chefe de Estado disse entender perfeitamente a gravidade da situação e reconheceu o direito de Mandetta de defender o seu ponto de vista sobre esse cenário, na condição de médico. No entanto, criticou a maneira como ele abordou a parte econômica da crise, que trata, entre outras coisas, dos empregos, o que acabou levando a uma "separação".

    "O que eu conversei com o doutor Nelson [Teich] é que, gradativamente, nós temos que abrir o emprego no Brasil", afirmou, explicando que o governo não tem condições de manter auxílios à população por muito tempo. "Agradeço ao senhor Nelson por ter aceito esse convite. E ele sabe do enorme desafio que terá pela frente", acrescentou.

    Em seu primeiro discurso como chefe do Ministério da Saúde, Teich procurou conciliar suas declarações com a postura defendida pelo presidente da República, destacando a importância do desenvolvimento econômico para a saúde da população. Segundo ele, no momento, o conhecimento sobre a COVID-19 ainda é muito pequeno e, para entender melhor o comportamento dessa doença, é necessário estabelecer um grande programa de testes, envolvendo o sistema público de saúde e a iniciativa privada. 

    Nelson Teich, escolhido por Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Saúde
    © REUTERS / ADRIANO MACHADO
    Nelson Teich, escolhido por Jair Bolsonaro para assumir o Ministério da Saúde

    "Como a gente tem pouca informação, como é tudo muito confuso, a gente começa a tratar ideia como se fosse fato e começa a trabalhar cada decisão como se fosse um tudo ou nada. E não é nada disso. O que é fundamental é que a gente consiga enxergar aquela informação que a gente tem até ontem, decidir qual é a melhor ação, entender o momento e seguir nesse caminho de definir qual é a melhor forma de isolamento, distanciamento."

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    Brasil lidando com COVID-19 em meados de abril de 2020 (77)

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    demissão, Palácio do Planalto, presidente, novo coronavírus, COVID-19, Ministério da Saúde, Ministro da Saúde, ministro, Jair Bolsonaro, Brasil
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