23:21 10 Julho 2020
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    A 1ª noite de desfiles do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro, entre o domingo (23) e esta segunda-feira (24), foi marcada pelo protesto da Mangueira na Sapucaí e o brilho tradicional das escolas cariocas.

    A abertura do desfile do Grupo Especial, considerado o melhor e mais famoso do mundo, teve momentos marcantes durante as apresentações de sete escolas de samba no Rio de Janeiro.

    A Mangueira destacou-se pelo protesto político que levou à avenida, com lideranças de diversas religiões e variações de Jesus Cristo representadas por grupos marginalizados - como negros, indígenas, pobres, mulheres e LGBTs.

    Em um de seus carros alegóricos, Jesus surgiu como um jovem negro e pobre crucificado e crivado de balas. O jovem negro é o grupo mais vitimado entre assassinatos no Brasil.

    Comissão de Frente da Mangueira durante desfile do Grupo Especial no carnaval de 2020.
    © Sputnik / Paula Magalhães
    Comissão de Frente da Mangueira durante desfile do Grupo Especial no carnaval de 2020.

    O desfile da Viradouro também empolgou com a homenagem às mulheres negras. O samba-enredo "Viradouro de alma lavada" contou a história da quinta geração de "lavadeiras" da Lagoa do Abaeté, as Ganhadeiras de Itapuã. Escravizadas, elas também vendiam comida e com dinheiro compravam a alforria de outras mulheres.

    A comissão de frente da escola levou um tanque com milhares de metros cúbicos de água em mergulhava a nadadora olímpica Anna Giulia.

    A União da Ilha do Governador também levou temas sociais ao sambódromo, representando a vida dos moradores de favelas no Rio de Janeiro no samba-enredo "Entre Becos e Vielas". A escola mostrou os helicópteros das polícias identificados como "agentes da paz" que sobrevoam as comunidades com armas apontadas para baixo atirando sobre áreas populosas.

    Carro alegórico da Viradouro durante desfile do Grupo Especial no carnaval de 2020.
    © Sputnik / Paula Magalhães
    Carro alegórico da Viradouro durante desfile do Grupo Especial no carnaval de 2020.

    A Paraíso do Tuiuti, que dois anos atrás satirizou o ex-presidente Michel Temer e manifestantes de direita, contou uma história entre um monarca e um santo. O samba-enredo "dois Sebastiões" retratou um encontro entre Dom Sebastião, que desapareceu no século 16, e o santo padroeiro do Rio de Janeiro, São Sebastião.

    Já a Portela, a escola de samba mais vencedora do carnaval carioca, falou sobre a vida dos índios tupinambás no Rio de Janeiro antes da colonização. O desfile abordou temáticas dos mitos dos indígenas contrastando o período antes da invasão portuguesa com o crescimento da metrópole carioca.

    Ala da Viradouro durante desfile do Grupo Especial no carnaval de 2020.
    © Sputnik / Paula Magalhães
    Ala da Viradouro durante desfile do Grupo Especial no carnaval de 2020.

    A Estácio de Sá falou sobre rochas e minerais na história da humanidade, desde pedras preciosas ao espaço sideral, criticando mineradoras e exaltando a aventura do homem na "fronteira final". O desfile foi repleto de representações de rubis, diamantes e cenários espaciais.

    A escola Grande Rio levou à Sapucaí um samba-enredo sobre o pai de santo Joãozinho da Gomeia, contando a história do religioso. O desfile foi da infância ao fim da vida de Gomeia, apresentando sua relação com a espiritualidade.

    Essa foi a terceira noite de desfiles na Sapucaí em 2020, que também recebeu as escolas da Série A na sexta-feira (21) e no sábado (22). A primeira leva de escolas da Série A destacou-se pela crítica política e abordagens históricas e no dia seguinte pela homenagem à jogadora da seleção brasileira, Marta.

    O 2º e último dia de desfiles do Grupo Especial na Sapucaí acontece nesta segunda-feira (24) e terá apresentações das escolas São Clemente, Vila Isabel, Salgueiro, Unidos da Tijuca, Mocidade e Beija-Flor.

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    Tags:
    Rio de Janeiro, Carnaval, Mangueira
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