22:18 29 Março 2020
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    Após responsabilizar o governo da Bahia pela execução do miliciano Adriano da Nóbrega, presidente Jair Bolsonaro pediu nesta terça-feira (18) uma perícia independente da morte do ex-capitão do Bope. 

    "Primeiro eu estou pedindo, já tomei as providência legais, que seja feita uma perícia independente, que sem isso você não tem como buscar até, quem sabe, quem matou a Marielle [Franco]. A quem interessa não desvendar a morte da Marielle? Os mesmos a quem não interessa desvendar o caso Celso Daniel", afirmou na porta do Palácio da Alvorada, segundo publicado pelo portal G1. 

    Suspeito de comandar o Escritório do Crime, grupo criminoso acusado de cometer dezenas de assassinatos e comandar atividades ilegais no Rio de Janeiro, Nóbrega foi morto em um sítio em Esplanada, na Bahia, no dia 9 de fevereiro. 

    Ele tinha sido expulso da Polícia Militar por participação no jogo do bicho. Nóbrega foi homenageado mais de uma vez pelo então deputado estadual Flávio Bolsonaro (sem partido), hoje senador. 

    A mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães, e a ex-mulher dele, Danielle Mendonça, já trabalharam no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). 

    Além disso, Nóbrega era investigado por possível participação no esquema da rachadinha no gabinete de Flávio na Alerj, no qual seus funcionários devolviam parte do seu salário. O ex-PM era amigo de Fabrício Queiroz, que foi funcionário do gabinete do então deputado e indiciou a mulher e a mãe de Adriano para trabalharem lá.

    'Então, foi queima de arquivo'

    "Pelo que tudo indica, a própria revista Veja fez, a Veja ouviu peritos, e os peritos estão dizendo ali que, pelo que tudo indica, o tiro foi à queima roupa. Então, foi queima de arquivo. Interessa a quem a queima de arquivo? A mim? A mim, não. O que é mais grave agora?", afirmou Bolsonaro. 

    Reportagem da revista mostra que Nóbrega foi morto por disparos a curta distância. Imagens da autópsia indicam que ele tinha um ferimento na cabeça e uma queimadura no lado esquerdo do peito.

    Em publicação em redes sociais, Bolsonaro reforçou pedido e disse que "sem uma perícia isenta os verdadeiros criminosos continuam livres até para acusar inocentes do caso Marielle", possível referência ao fato dele próprio ter sido citado na investigação do assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

    "A quem interessa não haver uma perícia independente? Sua possível execução foi 'queima de arquivo'?", acrescentou. 

    ​Na semana passada, o presidente disse que ele mesmo mandou que o filho homenageasse Adriano da Nóbrega em 2005. Segundo Bolsonaro, o então PM era um "herói" e tinha "sido condenado em primeira instância e absolvido em segunda". Na época, Nóbrega era acusado de ter matado um guardador de carro. 

    'A PM da Bahia, do PT'

    Além disso, Bolsonaro disse que o governo do PT era responsável pela morte do miliciano. "Quem é responsável pela morte do capitão Adriano? A PM da Bahia, do PT. Precisa falar mais alguma coisa?", afirmou no último sábado (15), insinuando que a operação poderia ter sido queima de arquivo. 

    No dia seguinte, ele amenizou o tom e afirmou esperar que as investigações chegassem a um "bom termo". 

    Na segunda-feira (16), governadores divulgaram carta criticando as declarações do presidente e o convidando a participar do próximo Fórum Nacional de Governadores. 

    A polícia baiana diz que o miliciano estava armado e atirou contra os agentes no cerco feito no sítio.

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    Tags:
    Flávio Bolsonaro, governadores, investigação, perícia, governo, milícia, BOPE, PT, crime, PM, Bahia, Jair Bolsonaro
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